No meu tempo, 51 era uma boa
ideia e como para bom
entendedor, entender basta… Não vou, simplesmente,
explicar.
Mas não sei se será tão boa a ideia de fazer 51, ou 1 além do
meio do
caminho para os 100.
Inquietante e pouco excitante,
essa vida levada a cabo.
Essa incerteza de sobreviver da caridade de quem me
detesta
(salve Cazuza).
Cheguei aos 51 sem vontade alguma de voltar aos 15 ou a
outra
idade qualquer, que todas as idades foram de ouro e todas foram
valentes
merdas, em todas elas tive amores grandes e perdas maiores.
Cheguei aos 51 como se chegasse
a casa e metesse a chave à porta,
mas ninguém fez o jantar ou pôs a roupa para
secar, secos os olhos
e seca a terra onde se atiram sonhos para recolher
trovoadas.
São 51 velas num bolo barco à
deriva, sem perspectiva,
sem nexo, sem porto onde viva o olhar amante.
Onde
haja ar para respirar e amigos de braços abertos,
mentes abertas e coração
farto.
Vendo casa com cantos de memória, vendo
memórias com gritos de sombra.
Vendo bem, nada há para ver.
Aos 51 sou vinho que não viu
os anos a passarem,
que não foi metamorfose de água, que não deixou na língua
o
travo do tempo, mas envelheceu no fundo de uma adega.
51 e velho demais para as
perguntas retóricas em frente ao espelho,
a bruxa me enfada e eu não quero
fodas, madrinha!
Meio comprimido de manhã, outro meio mais tarde e um inteiro
ao deitar-se, belo resumo das coisas,
hipertensiva incerteza e 51 de cu é rola.
PAR – PT
18.07.2014
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