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sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sobre Mim no Dia do Artista Plástico



Eu exponho meu trabalho plástico
leio em voz alta meus poemas
exibo-me, explico-me, explicito-me
deixo-me ler por olhos alheios
e ouço comentários ao fundo
ouço partículas do que pensam de mim
construo castelos e labirintos
para me explicar as lacunas
do que me ficou nos tímpanos
ninguém sabe da missa um terço
mas todos querem saber o preço
do homem, do artista, do activista
daquilo que o artista nem sabe que faz
vejo cometas a galgar estrelas que montam astros
tudo se move à minha volta
e eu exponho meu trabalho poético
leio em voz alta meus desenhos
corto-me, transpiro-me, afogo-me
faço de mim o zero que ninguém pôs
à esquerda de todos os algarismos
engulo mais um ansiolítico
mais um anti-hipertensivo
e litros de água, que sou caranguejo e preciso
vou reciclando amores e destilando horrores
ódios, nojos, desejos, lampejos de lucidez
sinto mais do que penso e penso mais do que falo
não me calo, falo para caralho...
e dou gargalhadas lunares
procuro a simplicidade do diamante
na dureza da carne do amante
e transpiro, e inspiro e sou inspirado
por uma Vaca de uma Musa que não existe
mas que insiste em por-me palavras
nas pontas dos dedos e tinta na ponta do nariz
não sei que farei quando vier a hora
não sei o que fiz antes de me ir embora
sei o que faço, sei quem abraço
sei que sou um ser inteiro a quem vai faltar
eternamente um pedaço.

PAR

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Epigrafia





minha poesia esparsa
respira imersa
a tua inocência esquecida

a saliva só leva consigo
algum do pó inalado e
deixa na língua saburra
de charro mal digerido

minha poesia porca
conspurca
a tua consciência parca

PAR'15

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Abertura Majestosa com Tremores de Terra e Tocata e Fuga em Ré menor de Bach ao Fundo.


Esporádica era uma jovem, belíssima, que vivia no reino de Incerteza. Assíduo era um príncipe, solitário, que vivia no reino, vizinho, de Pontualidade. Solidária, a mãe, extremosa, de Assíduo, andava preocupada com ele. O rapaz já estava em idade de casar, mas, por alguma razão estranha, ainda não o fizera. Aliás, até ao momento nem sequer uma namorada tivera.
Transitório, o pai, dadivoso, de Esporádica, tinha para com a filha, as mesmas preocupações. Certo dia, Esporádica levou Galdéria, sua cadela, para passear no bosque entre os dois reinos. Encontrou-se, surpreendentemente, face a face, com Assíduo. Que por sua vez, andava naquelas paragens a passear seu próprio cão. Um Pitbull, bem manso, que atendia pelo nome de Paneleiro.
Os jovens sentaram-se para fumar Haxixe e obcecadamente tentar conversar. Enquanto isso, Paneleiro e Galdéria abanavam os rabos pelo bosque a fora… Faladraram durante algum tempo e, de vez em quando, paravam para lamber uma parte qualquer do pelo ou dar umas coçadelas e muitas outras coisas que se pode esperar que aconteça entre príncipes e princesas.
PAR

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Com Fissura






Eu exponho meu trabalho plástico
leio em voz alta meus poemas
exibo-me, explico-me, explicito-me
deixo-me ler por olhos alheios
e ouço comentários ao fundo
ouço partículas do que pensam de mim
construo castelos e labirintos
para me explicar as lacunas
do que me ficou nos tímpanos
ninguém sabe da missa um terço
mas todos querem saber o preço
do homem, do artista, do activista
daquilo que o artista nem sabe que faz
vejo cometas a galgar estrelas que montam astros
tudo se move à minha volta
e eu exponho meu trabalho poético
leio em voz alta meus desenhos
corto-me, transpiro-me, afogo-me
faço de mim o zero que ninguém pôs
à esquerda de todos os algarismos
engulo mais um ansiolítico
mais um anti-hipertensivo
e litros de água, que sou caranguejo e preciso
vou recliclando amores e destilando horrores
ódios, nojos, desejos, lampejos de lucidez
sinto mais do que penso e penso mais do que falo
não me calo, falo para caralho...
e dou gargalhadas lunares
procuro a simplicidade do diamante
na dureza da carne do amante
e transpiro, e inspiro e sou inspirado 
por uma Vaca de uma Musa que não existe
mas que insiste em por-me palavras
nas pontas dos dedos e tinta na ponta do nariz
não sei que farei quando vier a hora
não sei o que fiz antes de me ir embora
sei o que faço, sei quem abraço
sei que sou um ser inteiro a quem vai faltar
eternamente um pedaço.




PAR - PT
21.05.15

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

... ?!? ...


...quando uma CHUVA

                                                      de EMOÇÕES



Desaba sobre a CIDADE

Só os mais CORAJOSOS não abrem


Os Guarda-chuvas...


...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Intermitências



Peço desculpas aos que visitam
pelas breves e longas ausências
mas estive envolvido em coisas
que não me deram prazer algum
...

Volto e faço votos de estar mais.

PAR - PT

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Trabalho Plástico


Uma das muitas páginas do Livro-Colagem que tenho criado nos 
últimos meses-semanas-dias-horas-minutos-e-segundos...

PAR - PT - 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sobre Gémeos


Os Geminianos têm uma tal capacidade de não ser
uma quantidade de coisas que, quando são, todos
acreditam que estão a fingir...

21-05 a 20-06

...

PAR - PT

segunda-feira, 16 de maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Literatura


vide o verso
vídeo inverso
verso transverso
verso ao avesso
não leio antologias
mas leio as bulas
dos remédios.

PAR - PT

terça-feira, 10 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

Desejo

Kátia Flávia


Kátia Flávia
É uma louraça belzebu, provocante
Uma louraça Lúcifer, gostosona
Uma louraça Satanás, gostosona e provocante
Que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas
Dessas com armamentos bordados
calcinha framboesa, calcinha antiaérea, calcinha de morango,
calcinha Exocet
calcinha framboesa, calcinha antiaérea, calcinha de morango,
calcinha Exocet
Ex-miss Febem, encarnação do mundo cão, casada com um figurão
contravenção
Ficou famosa por andar num cavalo branco, pelas noites
suburbanas
Ficou famosa por andar num cavalo branco, pelas noites
suburbanas
Toda nua, toda nua
Toda nua, toda nua
louraça belzebu
louraça Lúcifer
louraça Satanás
Matou o figurão, foi pra Copacabana, roubou uma joaninha
E pelo rádio da polícia, ela manda o seu recado
Pelo rádio da polícia, ela manda o seu recado
Get out, get out!
Pelo rádio, pelo rádio, pelo rádio, pelo rádio
rádio da polícia ela manda o seu recado
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet - Calcinha!
Um Exocet - Calcinha!
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet - Calcinha!
Um Exocet - Calcinha!
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
polícia!
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
polícia!
Polícia Belford Roxo, de Duque de Caxias
Polícia Madureira, polícia Deodoro, São Cristóvão, Bonsucesso,
da Benfica, da Pavuna, da Tijuca, de Quintino, do Catete,
Grajaú,
Polícia pode vir! porque
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
polícia do Flamengo, polícia Botafogo, da Barra da Tijuca
do centro da cidade
Polícia, polícia, polícia, polícia pode vir
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet
Um Exocet
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet
Um Exocet
Louraça belzebu,
Louraça Lúcifer,
Louraça Satanás,
Louraça belzebu,
Louraça Lúcifer,
Louraça Satanás,
Louraça belzebu, calcinha framboesa
Louraça Lúcifer, calcinha antiaérea
Louraça Satanás, calcinha de morango
Louraça belzebu, calcinha Exocet
Louraça belzebu, calcinha framboesa
Louraça Lúcifer, calcinha antiaérea
Louraça Satanás, calcinha de morango
Louraça belzebu, calcinha Exocet
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet - Calcinha!
Um Exocet - Calcinha!...
calcinha bordadinha
calcinha de rendinha
calcinha geladinha
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet - Calcinha!
Um Exocet - Calcinha!
Meu nome é Kátia Flávia, Godiva do Irajá, me escondi aqui em
Copa
Alô, polícia!
Eu tô usando
Um Exocet - Calcinha!
Um Exocet - Calcinha!
Alô, polícia!


Composição : Fausto Fawcett




a minha juventude foi um tremendo barato de curtição e lances outros mil no Brasil.

sábado, 23 de abril de 2011

Calor

Rio 40 Graus


Rio 40 Graus..(2x)
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...(2x)
Capital do sangue quente
Do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior
Do Brasil...(2x)
Cidade sangue quente
Maravilha mutante...
O Rio é uma cidade
De cidades misturadas
O Rio é uma cidade
De cidades camufladas
Com governos misturados
Camuflados, paralelos
Sorrateiros
Ocultando comandos...
Comando de comando
Submundo oficial
Comando de comando
Submundo bandidaço
Comando de comando
Submundo classe média
Comando de comando
Submundo camelô
Comando de comando
Submáfia manicure
Comando de comando
Submáfia de boate
Comando de comando
Submundo de madame
Comando de comando
Submundo da TV
Submundo deputado
Submáfia aposentado
Submundo de papai
Submáfia da mamãe
Submundo da vovó
Submáfia criancinha
Submundo dos filhinhos...
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante...
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...(2x)
Rio 40 graus
Purgatório da beleza
E do caos...
Eh! Rio 40 graus...
Quem é dono desse bêco?
Quem é dono dessa rua?
De quem é esse edifício?
De quem é esse lugar?...(2x)
É meu esse lugar
Sou carioca
Pô!
(Sou carioca!)
Eu quero meu crachá
Sou carioca
Pô!...
"Canil veterinário
É assaltado liberando
Cachorrada doentia
Atropelando!
Na xuxa das esquinas
De macumba violenta
Escopeta de sainha plissada
Na xuxa das esquinas
De macumba gigantescas
Escopêta de shortinho algodão"...
Cachorrada doentia do Joá, eh!
Cachorrada doentia São Cristóvão
É Cachorrada doentia Bonsucesso
Cachorrada doentia Madureira
É Cachorrada doentia da Rocinha
É Cachorrada doentia do Estácio...
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante...
Rio!...
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...(2x)
Rio 40 graus
Purgatório da beleza
E do caos...
A novidade cultural
Da garotada
Favelada, suburbana
Classe média marginal
É informática metralha
Sub-uzi equipadinha
Com cartucho musical
De batucada digital...
Gatinho de disket
Marcação pagode, funk
De gatinho marcação
Do samba-lance
Com batuque digital
Na sub-uzi musical
De batucada digital
Eh!...
Meio batuque inovação
De marcação prá pagodeira
Curtição de falação
De batucada
Com cartucho sub-uzi
De batuque digital
Metralhadora musical...
De marcação invocação
Prá gritaria
De torcida da galera
Funk!
De marcação invocação
Prá gritaria
De torcida da galera
Samba!
De marcação invocação
Prá gritaria
De torcida da galera
Tiroteio!
De gatilho digital
De sub-uzi equipadinha
Com cartucho musical
De contrabando militar
Da novidade cultural
Da garotada
Favelada suburbana
De shortinho, de chinelo
Sem camisa, carregando
Sub-uzi equipadinha
Com cartucho musical
De batucada digital
Ulalá!...
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante
Huuuummm!...
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...(2x)
Rio 40 graus
Purgatório da beleza
E do caos...
Capital do sangue quente
Do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior
Do Brasil...
(O Rio de Janeiro!)
(O Rio De Janeiro!)
(Soy Loco Por Ti!)...
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...(2x)
Rio 40 graus
Purgatório da beleza
E do caos...


Composição: Fernanda Abreu




sinto saudade da Fernandinha muitas vezes...

Viva, Novamente, Titãs


Isso Para Mim É Perfume


Isso para mim é perfume
Suor, fedor
Isso para mim é garboso
Cabelo embaraçado
Dente não escovado
Chupar o seu dedão
Cheirar sua calcinha suja na menstruação
Isso para mim é enfeite
A cabeça do pau faz esporra de leite
Pra tomar de manhã
No café da manhã
E também no almoço
E depois no jantar
Amor, eu quero te ver cagar.


Composição : Arnaldo Antunes / Titãs

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mentiras

Rádio Blá


Ela adora me fazer de otário
Para entre amigas ter o que falar
É a onda da paixão paranóica
Praticando sexo como jogo de azar
Uma noite ela me disse "quero me apaixonar"
Como quem pede desculpas a si mesmo
A paixão não tudo tem nada a ver com a vontade
Quando bate é o alarme de um louco desejo
Não dá para controlar, não dá
Não dá pra planejar
Eu ligo o rádio
E blá, blá, blá, blá, blá, blá
Eu te amo
Sua vida burguesa é um romance
Um roteiro de intrigas
Pra Fellini filmar
Cercada de drogas, de amigos inúteis
Ninguém pensaria que ela quer namorar
Reconheço que ela me deixa inseguro
Sou louco por ela e não sei o que falar
O que eu quero é que ela quebre a minha rotina
Que fique comigo e deseje me amar.

Composição : Lobão/Arnaldo Brandão/Tavinho Paes


às vezes dá saudade de Lobão também...

Titãs, sempre, Titãs



Igreja


Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.


Não! Não!
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.


Não!
Não! Não gosto! Eu não gosto!
Não! Não gosto! Eu não gosto!


Composição : Nando Reis

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...