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sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sobre Mim no Dia do Artista Plástico



Eu exponho meu trabalho plástico
leio em voz alta meus poemas
exibo-me, explico-me, explicito-me
deixo-me ler por olhos alheios
e ouço comentários ao fundo
ouço partículas do que pensam de mim
construo castelos e labirintos
para me explicar as lacunas
do que me ficou nos tímpanos
ninguém sabe da missa um terço
mas todos querem saber o preço
do homem, do artista, do activista
daquilo que o artista nem sabe que faz
vejo cometas a galgar estrelas que montam astros
tudo se move à minha volta
e eu exponho meu trabalho poético
leio em voz alta meus desenhos
corto-me, transpiro-me, afogo-me
faço de mim o zero que ninguém pôs
à esquerda de todos os algarismos
engulo mais um ansiolítico
mais um anti-hipertensivo
e litros de água, que sou caranguejo e preciso
vou reciclando amores e destilando horrores
ódios, nojos, desejos, lampejos de lucidez
sinto mais do que penso e penso mais do que falo
não me calo, falo para caralho...
e dou gargalhadas lunares
procuro a simplicidade do diamante
na dureza da carne do amante
e transpiro, e inspiro e sou inspirado
por uma Vaca de uma Musa que não existe
mas que insiste em por-me palavras
nas pontas dos dedos e tinta na ponta do nariz
não sei que farei quando vier a hora
não sei o que fiz antes de me ir embora
sei o que faço, sei quem abraço
sei que sou um ser inteiro a quem vai faltar
eternamente um pedaço.

PAR

sábado, 2 de julho de 2016

Monumento



Se não me falha 
a memória...
já me esqueci de ti.
Dispensa argumentos
dispersa os factos
enfatizo a ideia
de que se bem
me lembro
esqueci-me de ti.
Salvo opinião em
contrário ou decisão
de revogação
até segunda ordem
pretendo sempre
lembrar-me de que
já me esqueci de ti.

07 PAR 2016

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Disfunção



Deitei minhas feridas
sobre a mesa
e pus e gangrena e dor
pus os pratos e os talheres
e cortes e torniquetes
estanquei o sangue
deitei pus pelas feridas
abri as cicatrizes ao ar
e me doí profundamente
cortei alguns pulsos
e ouvi bater à porta
ritmo certo 
harmonia perfeita
batida de samba
deitei-me sobre o sangue
jorrei pus e saliva
deixei-me digerir
por mim mesmo
até coagular-me.

PAR Junho 2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Vazio de Orlando



O que aconteceu em Orlando não foi um ataque
a nenhuma forma de pensar, nem a um qualquer 
comportamento que pudesse desagradar ao 
atacante criminoso, o que aconteceu, realmente
foi um ataque pessoal e directo à minha pessoa
enquanto humano e pensante, foi alguém a 
esconder-se em palavras vazias e fundamentos
ocos para realizar um crime de ódio, um ódio
que nada mais é que "ódio por si mesmo por 
não ser capaz de respeitar outro ser humano".
O que aconteceu em Orlando não foi um ataque
que mereça ser reclamado por qualquer grupo
terrorista, fundamentalista ou carnavalesco...
O que aconteceu em Orlando foi a epítome da 
falta de respeito e do vazio, o suprassumo da 
imbecilidade e da capacidade individual de fazer
mal a outro ser, humano ou não, semelhante ou
não. O que aconteceu em Orlando não encontra
palavras em qualquer língua para ser descrito!

PAR 2016

quarta-feira, 15 de abril de 2015

um despoema




rimar coisas com sons
e assim definir versos
é como desfiar contas
sem segurar no terço
orar a um deus menor
chorar esse despudor
despir camisa e calças 
e atirar-se de cabeça
na pia de lavar louça 
e nadar entre bolhas
desfazer certas malhas
corrigir algumas falhas
contar os veios às folhas
rumar como caravela
a sotavento enfunada
redescobrir universos
é como embalar sonos
sem ter a mão no berço
implorar nenhum perdão
com lágrimas crocodilas
descalçar chapéu e luvas
e deitar-se na prancha
a caminho da execução
fundar âncoras em ilhas
a milhas e milhas daqui
com suas sonoras ondas
suas coisas que rimam
seus sons que de ecos
se perderam nas paredes
nas sombras projectadas
nas paredes de um mito.

PAR - PT

terça-feira, 22 de julho de 2014

Batatas Fritas sem Sal, por favor.



No meu tempo, 51 era uma boa ideia e como para bom 
entendedor, entender basta… Não vou, simplesmente, explicar. 
Mas não sei se será tão boa a ideia de fazer 51, ou 1 além do 
meio do caminho para os 100.
Inquietante e pouco excitante, essa vida levada a cabo. 
Essa incerteza de sobreviver da caridade de quem me detesta 
(salve Cazuza). 
Cheguei aos 51 sem vontade alguma de voltar aos 15 ou a outra 
idade qualquer, que todas as idades foram de ouro e todas foram 
valentes merdas, em todas elas tive amores grandes e perdas maiores.
Cheguei aos 51 como se chegasse a casa e metesse a chave à porta, 
mas ninguém fez o jantar ou pôs a roupa para secar, secos os olhos 
e seca a terra onde se atiram sonhos para recolher trovoadas.
São 51 velas num bolo barco à deriva, sem perspectiva, 
sem nexo, sem porto onde viva o olhar amante. 
Onde haja ar para respirar e amigos de braços abertos, 
mentes abertas e coração farto. 
Vendo casa com cantos de memória, vendo 
memórias com gritos de sombra. Vendo bem, nada há para ver.
Aos 51 sou vinho que não viu os anos a passarem, 
que não foi metamorfose de água, que não deixou na língua 
o travo do tempo, mas envelheceu no fundo de uma adega.
51 e velho demais para as perguntas retóricas em frente ao espelho, 
a bruxa me enfada e eu não quero fodas, madrinha! 
Meio comprimido de manhã, outro meio mais tarde e um inteiro 
ao deitar-se, belo resumo das coisas, 
hipertensiva incerteza e 51 de cu é rola.

PAR – PT

18.07.2014

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Avenças



Não há só seres humanos maus, 
também há os muito maus, os 
péssimos, os horríveis, e podres.
Ah, há, também, aqueles que não 
fodem nem saem de cima, os
bonzinhos, esses são os piores!


PAR - PT

sexta-feira, 10 de junho de 2011

10 de Junho


É sem qualquer orgulho que acuso a passagem de mais um:

Dia de Portugal, de Camões e 
das Comunidades Portuguesas, 
celebrado a 10 de Junho, é o dia em que se assinala 
a morte de Luís Vaz de Camões em 1580
e também um feriado nacional de Portugal.
Durante o regime ditatorial do Estado Novo 
de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974
era celebrado como o Dia da Raça
a raça portuguesa ou os portugueses.

Tenham todos (menos os políticos) um óptimo feriado!!!


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Trabalho Plástico


Uma das muitas páginas do Livro-Colagem que tenho criado nos 
últimos meses-semanas-dias-horas-minutos-e-segundos...

PAR - PT - 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sobre Gémeos


Os Geminianos têm uma tal capacidade de não ser
uma quantidade de coisas que, quando são, todos
acreditam que estão a fingir...

21-05 a 20-06

...

PAR - PT

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ballet Surrealista


E então, caminhava eu
por um dos corredores
do teatro municipal
quando fui violado
por todos os bailarinos
e pelas bailarinas
também...

PAR - PT

domingo, 27 de março de 2011

Língua Mãe



Os Prolegómenos Palanfrórios 
só fazem Enlear e Admoestar 
as Blandinas dos Energúmenos.

PAR - PT

domingo, 9 de janeiro de 2011

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...