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sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sobre Mim no Dia do Artista Plástico



Eu exponho meu trabalho plástico
leio em voz alta meus poemas
exibo-me, explico-me, explicito-me
deixo-me ler por olhos alheios
e ouço comentários ao fundo
ouço partículas do que pensam de mim
construo castelos e labirintos
para me explicar as lacunas
do que me ficou nos tímpanos
ninguém sabe da missa um terço
mas todos querem saber o preço
do homem, do artista, do activista
daquilo que o artista nem sabe que faz
vejo cometas a galgar estrelas que montam astros
tudo se move à minha volta
e eu exponho meu trabalho poético
leio em voz alta meus desenhos
corto-me, transpiro-me, afogo-me
faço de mim o zero que ninguém pôs
à esquerda de todos os algarismos
engulo mais um ansiolítico
mais um anti-hipertensivo
e litros de água, que sou caranguejo e preciso
vou reciclando amores e destilando horrores
ódios, nojos, desejos, lampejos de lucidez
sinto mais do que penso e penso mais do que falo
não me calo, falo para caralho...
e dou gargalhadas lunares
procuro a simplicidade do diamante
na dureza da carne do amante
e transpiro, e inspiro e sou inspirado
por uma Vaca de uma Musa que não existe
mas que insiste em por-me palavras
nas pontas dos dedos e tinta na ponta do nariz
não sei que farei quando vier a hora
não sei o que fiz antes de me ir embora
sei o que faço, sei quem abraço
sei que sou um ser inteiro a quem vai faltar
eternamente um pedaço.

PAR

terça-feira, 22 de julho de 2014

Batatas Fritas sem Sal, por favor.



No meu tempo, 51 era uma boa ideia e como para bom 
entendedor, entender basta… Não vou, simplesmente, explicar. 
Mas não sei se será tão boa a ideia de fazer 51, ou 1 além do 
meio do caminho para os 100.
Inquietante e pouco excitante, essa vida levada a cabo. 
Essa incerteza de sobreviver da caridade de quem me detesta 
(salve Cazuza). 
Cheguei aos 51 sem vontade alguma de voltar aos 15 ou a outra 
idade qualquer, que todas as idades foram de ouro e todas foram 
valentes merdas, em todas elas tive amores grandes e perdas maiores.
Cheguei aos 51 como se chegasse a casa e metesse a chave à porta, 
mas ninguém fez o jantar ou pôs a roupa para secar, secos os olhos 
e seca a terra onde se atiram sonhos para recolher trovoadas.
São 51 velas num bolo barco à deriva, sem perspectiva, 
sem nexo, sem porto onde viva o olhar amante. 
Onde haja ar para respirar e amigos de braços abertos, 
mentes abertas e coração farto. 
Vendo casa com cantos de memória, vendo 
memórias com gritos de sombra. Vendo bem, nada há para ver.
Aos 51 sou vinho que não viu os anos a passarem, 
que não foi metamorfose de água, que não deixou na língua 
o travo do tempo, mas envelheceu no fundo de uma adega.
51 e velho demais para as perguntas retóricas em frente ao espelho, 
a bruxa me enfada e eu não quero fodas, madrinha! 
Meio comprimido de manhã, outro meio mais tarde e um inteiro 
ao deitar-se, belo resumo das coisas, 
hipertensiva incerteza e 51 de cu é rola.

PAR – PT

18.07.2014

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

06 FEVEREIRO 2012

        Amo Banhos Frios
         Estações de Comboio
         Frango estufado com Ervilhas e Torradas
      Beijar-te!



    Amo Amo Amo.

    PAR - PT

17 anos

Há momentos na vida em que tudo 
se move e flutua à nossa volta...

Esses momentos são 
o mais puro prazer...

Vivo um momento desses há 17 anos!!!


PAR NCR TRF PRT

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

... ?!? ...


...quando uma CHUVA

                                                      de EMOÇÕES



Desaba sobre a CIDADE

Só os mais CORAJOSOS não abrem


Os Guarda-chuvas...


...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Estes Dois


Geraldo e Símbolo

Vocês são a razão do meu eterno retorno.
Vocês alimentam minha vontade de seguir.
Vocês dão alento à minha escrita distraída...

Obrigado por estarem sempre aí e quererem ler.

Abraços!!! Beijos!!! Acima de Tudo Amor.

PAR - PT

sábado, 17 de setembro de 2011

pássaros



O que amo nos pássaros

não é a habilidade de

voar,mas...

a capacidade que têm

de pousar.


comentário feito por mim a uma fotografia de um poeta amigo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os 13 Trabalhos de uma Mão Paralisada.




Todo o ser é obra, todo o ser é primo e cromo… Os seres todos são unos e monos e simples…quase todos, os seres, são básicos e alguns seres são humanos, sendo que a maioria o ignora! Vírus a infectar galáxias! Seres aquáticos porque molhados, seres aéreos porque aluados. Seres terrestres porque enterrados, seres ígneos esturricados. Dragões, sereias, quimeras ou esfinges, cada ser só é aquilo que ser finge.

Todo o ser é obra, todo o ser é presa e massa… Os seres todos são carbono e fibra e tónus… Quase todos, os seres, são complexos e alguns seres são humanos, sendo que a maioria o ignora! Astronautas em gotas d’água! Seres barrocos porque história, seres modernos porque histeria. Trogloditas e poliglotas. Sacrossantos e idiotas.

Todo o ser é página virada no livro da vida, todo o ser é escrita borrada no rascunho do mapa do inferno. Todo o ser é humor e licor e sangue, e suor, e saliva…

Todo o ser é metástase da luz solar no azul-marinho do céu de um Outono eterno, todo o ser é pasta, é massa, barro e argila. Todo o ser é um parasita na pele das cobras, é toxina nos arcos de meio ponto, todo o ser é eléctrico e humano, sendo que a maioria o ignora! Azulejaria nas paredes dos conventos, pão e rosas nos colos níveos das rainhas.

Todo o ser vivo é um acumulo de células mortas. Todo o ser é Arte, todo o ser é parte da Arte do outro, todo o ser é a outra parte, não complementar, daquilo que foi preservado da quintessência da Arte do outro.

Todo o ser vivo é descoberta e caravela e carta de amor sem destinatário…alguns seres humanos são humanos, sendo que a maioria o ignora! Todo o ser é maçã na boca de Eva e na boca de uma qualquer princesa de conto da infância…todo o ser é pecado mortal e perdão eterno.

Todo o ser é sorriso e enigma e signo. Todo o ser é museu e galeria e parede. Todo o ser é obra-prima a que nenhum outro ser liga a mínima. Todo o ser é cemitério e urna, depositário do fazer de outro ser, da cinza do corpo amoroso de um outro, qualquer, ser, que não lhe é dominante, porque amante, porque sempre e depois e antes.

Todo o ser é água atirada ao chão, atirada ao azeite da sociedade ou ao vinagre de Deus, à saliva da boca dos ateus.





Paulo Acacio Ramos

2007

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Gás


...
________________quando alucino
sinto-me tão mais_____________
sóbrio_______ e _______sombrio
...

PAR - PT

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Trabalho Plástico


Uma das muitas páginas do Livro-Colagem que tenho criado nos 
últimos meses-semanas-dias-horas-minutos-e-segundos...

PAR - PT - 2011

domingo, 15 de maio de 2011

Exposição de Pintura



Pinturas a Aguarela e Pastel, muito antigas e muito recentes...


"Girafas, Pinguins e Ornitorrincos ou com que Sonha a Cegonha?"

...de como as Borboletas são, Simbolicamente, a representação da Metamorfose, Transformação, Evolução e Concretização... com
lançamento da pedra fundamental do projecto Pana-paná de intervenção urbana por meio de execução de Origamis e colocação dos mesmos no meio circundante... 

Inauguração a 20 de Maio de 2011 a partir das 21:30 h.
Encerramento a 17 de Junho de 2011.

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Abstração do Abstrato

...A verdade nua e crua não está lá! A mentira fria e dura não está lá! Mesmo que estivessem não as vias, pois são diáfanas, abstratas. A verdade e a mentira são irmãs gémeas siamesas impalpáveis. Como impalpáveis são os perfumes das flores que não viste, os suores dos corpos que não tocaste, as lembranças da inocência que perdeste! Toda a noite um nevoeiro confunde a luz das estrelas que sabemos que não estão lá, mas vemos da mesma maneira, vemos a luz do passado das estrelas, vemos aquilo que já foi uma estrela, mas a manhã está desobstruída. Um langor de domingo recobre, ainda, a capela da aldeia, a missa da anunciação não terminou ainda. Se sairmos ao jardim. Como é pequeno tudo: a casa e o fumo, ondulando acima do telhado! O vapor congela-se em pratas rosados. Suas colunas levantam-se atrás das casas até o arco do céu, como as asas de anjos gigantes...

Paulo Acacio Ramos

segunda-feira, 9 de maio de 2011

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...