quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Meia-volta Volta e Meia

Estive a pensar numa forma
e surgiu-me um círculo...

Circulei à sua volta
redondo como eu podia ser...

Sem arestas pra me podar
Apenas curva a tontear os pés...

lamber o chão
criar vínculos

e ao pensar numa forma
minha cabeça anda à roda

Roda de não saia, gira de não caia,
rabo de arraia que vira moda

te convido pruma festa
e o que resta, que se foda

em roda, à roda... por foda?
que seja boa mesmo que mal dada

mal dada? maldade...!
relaxa que tudo encaixa

e a volta e a roda e em volta
tudo anda outra vez à roda

rodopiei em rodamoinho
sozinho na roda da vida rodei

rodo pio giro cio meto tiro
no centro do alvo acerto um tiro

cai de joelhos um breve vazio 
delicadamente, sem pertencer a ninguém 

sem nitidez morre entre versos
com a boca seca de silêncios

Os vazios se revelam
Em obras póstumas...

páginas rasgadas, submersas
esquecidas, páginas viradas.

Letradas em pensamentos
Que o poeta engavetou...

Trancou, lacrou, 
Como corpos em tumba funda

beija, beija, beija rápido 
e fecha o caixão.


Criação do Coletivo Uni-Versos Poéticos.



http://www.linguafiada.com/2014/01/meia-volta-volta-e-meia.html

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Conversas



Eu: "Beija a minha boca enquanto minha sede é pouca."

Tu: "Beija a minha bunda enquanto minha sede inunda."
Eu: "Beija a minha piroca enquanto minha sede sufoca."
Tu: "Beija meus colhões enquanto minha sede supões."
Eu: "Beija-me todo enquanto com sede eu te fodo."


PAR e Rodrigo Ribeiro 

19.12.13
16:16 e 18:18

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Car a col




O Car acol Ocar a col o cara col oca racol
colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.




PAR - PT
27.11.13

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Livro das Faces


dormia naquelas páginas
um ser desejado
como que habitante
de um sono
de ninguém
residente de um lugar 
nenhum da nossa
memória!

PAR - PT
25.11.13

domingo, 24 de novembro de 2013

Amor tecido

Coração que não bate descompassado sem ritmo e sem pressa passa como tu passas tranquilo à minha frente sem olhar para trás amor que passa sem passo certo amor incerto de passo apressado amor sem dó nem compaixão amor que rasga o coração. Paulo Ramos 20.11.13



terça-feira, 23 de julho de 2013

O Poema que me Trouxe o Joaquim


|Se eu te pedir trazes os teus braços até à varanda?|

Sim! Muito.

|Encontramo-nos, então, no meio, no salto...|

|Talvez quando chegarmos àquela temperatura em que o volátil faz-se sólido!|

|E pudermos esperar que o crepúsculo engula os verdes que esquecemos.|

PAR - PT

23.07.13

quinta-feira, 18 de julho de 2013

18 de Julho de 2013

Autorretrato Pintado com a Língua

São cinquenta, meus amores, anos passados sem muita coisa para lembrar e algumas a agradecer, como a existência, imprescindível, da minha mãe, do meu querido amor e companheiro Nelson e dos amigos (efémeros ou eternos).

São cinquenta, meus amores, de uma grande quantidade de arrependimentos e das sequelas psicológicas das chuvas de canivetes que me caíram em cima e dos arcos-de-íris do orgulho de ser quem sou e nada me passar por cima.

PAR - PT
18.07.13


terça-feira, 28 de maio de 2013

"de conversa em conversa."

(Paulo Acácio Ramos e Dante Pincelli)





Temos conversa de compadres que nunca mais acaba
conversas de abracadabra, sem padres, sem madres, sem deuses
Papo de irmãos que nunca chega a ter um fim definido
papo infindo, de irmãos chegando e partindo
Jogo de bola de toma lá dá cá feito de passes certeiros
certeza que embola o meio campo, mas nada, que um drible não resolva
Reverberações silenciosas de ocultas horas de sonhos
Sonhos que ecoam sob os colchões dos cadáveres da poesia

A composição das nossas harmonias é dupla e fresca e clara
obra prima, rima rara, morro acima, iluaiê odara
Dobramos versos em cordas e fios de cabelos afinados
despenteamos os acordes menores num solo de xilofone rachado
Retesamos nervos e músculos na luta proscrita das clavas
cravamos setas incertas nos corações dos neo-estetas
No duro depois do suor do fazer as palavras ditas a dois
feijão com arroz, dois ovos fritos sob a gola do sobretudo do poeta inglês

Diante um do outro sem ver sorvemos verões
sol-vemos em brilhos e vírgulas, na cara estampada de feliz
Em nossos corpos cansados das libações outonais
Tocam-se num ínfimo átomo do distante momento
lua, sol, dó, si e, lá, onde a curva faz o vento
Água, cal, pedra, poesia, sangue, porra, suor e cimento.



O VELHO PAR
TROFAS MACAENSIS
MAI/13

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Destragédia



ah, meu amor
o que eu te dei
o deserto em flor
um jardim de areia
um tanque de piranhas
para tomares banho...

PAR - PT
11.04.13

A Lenda da Girafa sem Cabeça.




Era uma vez uma Girafa que não tinha percebido que não tinha cabeça, o que era óbvio, pois não possuía olhos que lhe permitissem ver ao espelho uma tal ausência... De qualquer maneira quase ninguém percebia sua situação defectiva, já que para todos parecia sempre estar à procura de alimento por trás de uma copa de árvore qualquer... E viveu, feliz para sempre, enquanto foi possível.

PAR - PT
12.04.13

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Incomédia




ah, meu amor
o que eu te dei
o que eu te dei
dei-te de mim
o que havia
dei-te o que tinha
dei-te de mamar
quando não tinha
leite
dei-te sobre o leito
o que não dormia
dei-te mais que possuía
muito mais do que havia
procurei-te onde não ia
contei-te o que não sabia
se querias ouvir
neguei-te tudo que tinha à mão
tudo que apanhara no chão
calei-te com meu silêncio
calei-te com minha calma
calei-te em minha alma
ah, meu amor
o que eu te dei
nunca foi tudo que havia
pois havia coisas que não dizia
o que eu te dei
nunca foi tudo que possuía
pois tinha coisas que não queria
o que eu te dei
foi tudo que eu era
era tudo que eu fui
ah, meu amor
desfiz todas as paredes
desabri todas as janelas
desesqueci tudo o que tivemos
dei-te as chaves do meu mecanismo
oleei as juntas do meu organismo
com o leite que roubei às vacas
deita-me a cabeça no ombro
e deixa-me descontar-te contos
de fadas absurdas
e princesas cansadas
ah, meu amor
o que eu te dei
amei-te mil anos
e sei que amarei
outros mais
adormeci-me e esqueci de mim
por muitos e muitos anos
à espera do teu
final feliz
ah, meu amor
o que eu te dei
de quase mim
para salvar um meio-eu
de ser inteiramente ninguém
ah, meu amor
que qualquer um podia ter sido
não fossem as ampulhetas
e as tabelas horárias dos comboios...

PAR - PT
10.04.13

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

5 Micro-contos Desencantados.




...Caixa pronta, acondicionada, sobre a mesa... 
Saiu para fazer umas coisas... morreu atropelado!  
A caixa ficou, pronta e fechada, sobre a mesa.


...Desejava ardentemente um elevador, 
porque essa coisa de subirem à torre 
estava a matá-la de dores de cabeça.


...A Bela acorda, sente lábios colados aos seus. 
Pára, diz ela, deixa-me ao menos escovar os dentes.


...Ficou branca, como a neve de caspa no cabelo da bruxa... 
Isso de Micro-contos é coisa de anões!




...Pintou o cabelo de verde e apresentou-se às autoridades locais 
na ténue esperança de um recâmbio ao seu planeta de origem.



PAR - PT

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Fadas de Férias




Que maravilha, Alice!
Dares um rabo de Sereia
ao Lobo, só porque
o Espelho disse que a tua
Trança não era a mais Bela...
Pisar a cara da Bruxa
com teus Sapatos de Cristal
e depois, era uma vez,
muito relaxada, comer
as Maçãs Caramelizadas
enquanto a tua namorada
sonha, Adormecida, no
Coração da Floresta.

PAR - PT
13.12.12

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Face Escura




A noite não estava fria
no entanto tudo tremia
em teu corpo onde já
nenhum medo existia
não havia dores ou erros
só as nuvens e as pontas
dos teus dedos em baixo
das minhas pálpebras
teus dedos a tamborilar
desgraças em meu coração
a fazer-me cócegas
a puxar-me os cabelos
a noite gritava nas cavidades
nas dobras da cortina do chuveiro
a noite não estava adormecida
na epiderme da lua sólida
a noite apenas doía seca
nos dentes sensíveis
a noite brincava distraída
com as tuas gengivas
como se fossem bonecos vodu
a noite deseja a tua língua
em todos os orifícios
da superfície da lua húmida.

PAR - PT

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cerimônia




Há filmes que não acabam
e chuvas...
há medos que não recuam
e sombras...
há coisas que devia dizer-te
mas não
não há mais nada que possa
dizer
há silêncios por tirar
dos cantos...
acumulados nos rodapés...
há pegadas na areia
não há habitantes no
fundo do mar, no solo
lunar, mas há as naves...
há sinais fechados, sinais
de fumo e muitos gritos
nas salas deste
manicômio em festa
há bandeiras por hastear
e beijos nos orgãos pendentes
uma corrente eléctrica
que enche de sangue
os corpos cavernosos...
depois disso, tudo é gelo
nos polos
há malas esquecidas nas
esteiras dos aeroportos
e no fundo, areias,
carcaças de sereias e
cachalotes...
os olhos aflitos a
perscrutar florestas
petrificadas e fósseis
dos nossos sentimentos
que nós pensávamos
tão modernos, tão
eternos e liberais,
mas não são, as emoções
são arcaicas, as
emoções não são ergonômicas
e incomodam sobremaneira
os músculos da região
lombar...
as emoções são verbos
inconjugáveis, amar,
desejar, perder, as
emoções agrupam-se
para esquecer o inverno...
e nós só queremos
reencontrar os seres
que amámos e arrastar
suas correntes no inferno
sob a chuva, incessante,
de enxofre e a sombra
omnipotente da paixão
e há filmes que nunca
mais acabam.

PAR - PT
10.12.12

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mulheres




Extraterrestres
impossíveis de compreender
por maior que seja o esforço
por mais simples que sejam
as coisas
elas hão de encontrar sempre
detalhes inexplicáveis
mistérios insondáveis
vão sempre alterar a realidade
com suas lentes côncavas
ou com as convexas
mas
ouvir e simplesmente calar-se
será para sempre
uma impossibilidade
as coisas têm de ser como
elas imaginam que querem
como elas pensam que sabem
como elas gostariam que fossem
não são capazes de perceber
que o mundo não gira
à volta de suas vaginas
e que nem sempre a verdade
foi parida por uma delas
e que são absolutamente
complexas
simplesmente complexas.

PAR - PT
06.12.12

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...