domingo, 24 de janeiro de 2010

24.01.2010



Pedras de sal no sangue
dos rins, assim, como se
assim fosse precioso ser
recompensa adocicada e
verde, assim, como se já
não era possível assim ser.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sábado, 23 de janeiro de 2010

23.01.2010


























Rio que seca na margem
de mãos a apalpar
escuridão em procura
mergulhada
daquilo que lhes mate
a sede ou faça dormir.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

22.01.2010


























A solidão alastra-se
até aos olhos
a solidão cria
uma fina camada
de neve sobre os olhos
e adormece
o fio do tempo
de letras tece
toda a poesia 
é puro vodu
é forma de cura
é forma dura
de impingir dor.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

21.01.2010


beijo-te, boa noite
dormes despregadamente
beijo-te, boa noite
dormes, sonhas, sei lá
cortas-me a respiração
beijo-te, boa noite
ouço-te dizer as coisas
que não dizes
quando dormes
sorriso à mostra
coração cortado ao meio
peito aberto em dor
flor perdida
à procura da cor

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

20.01.2010


Chegou à beira do abismo
e voltou a correr para casa...
Tinha vontade de mijar!
No mar, não! Nunca o faria no mar.
Anti-ecológico demais.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

19.01.2010


Branca a tarde branca
com traços de magenta
tão clara a tarde tão branca
com traços de chuva e magnólias
e um cheiro branco a alecrim
um claro traço de horizonte
branca a tarde branca vertical
clara vertigem assim de pétalas
a tarde abraça o branco que tarda
nos lábios das flores
a tarde envolve seus brancos
e flores e traços em seus braços
a tarde desfaz-se em pontos
e magentas decompõe os dramas
do dia dilui o branco da água.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

18.01.2010


Quererei agora o que nunca quis antes
os livros no chão e o pó nas estantes
os barcos no mar e o mar nas encostas
as pedras no ar e o eco dos gestos...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

domingo, 17 de janeiro de 2010

17.01.2010














O deserto está no fundo dos olhos
de quem não vê... as fibras ópticas
oscilam, clarividentes, entre as
escalas de cores que cobrem
os arcos das íris.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sábado, 16 de janeiro de 2010

16.01.2010


























A coragem, a bem dizer
é uma membrana permeável
entre o profundo desejo de ficar
e o iminente momento de partir.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

15.01.2010


Orbito o corpo arbitrário
como um satélite eclipsado
movo-me, lento, no espaço
desfaço-me em meteoritos
precipito-me estrela
no magma frigorífico
do umbigo do universo.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

14.01.2010


nado sincronizado

alma deserta
ecos de sonhos
gravuras antigas
ira das aves
laços de fita

nada a declarar

pedaços de pele
ruas perdidas
tambores ao fundo
vitória absoluta

zero à esquerda

bocas pintadas
desenhos de luz
famílias sem fim
horas a fio
janelas abertas
máquinas avariadas
objectos translúcidos

questões sem resposta

sábados de aleluia
unânimes opiniões
xícaras de chá...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

13.01.2010


Um Dínamo Fotossintético
Um Precipício Afectivo
Um Anjo Incendiário

Peixe Piromaníaco

Uma Avantesma Poliglota
Um Contrabaixo Anódino
Um Eunuco Cataléptico

Eu Meramente Megafónico

...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

12.01.2010















Pé ante pé, seguir, pelo caminho,
subterrâneo labirinto, onde está
o demônio dos olhos cheios de
nada, à espera dos que vêm...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

11.01.2010



















As paredes de vidro permitem
o vislumbre do que será possível
querer-se encontrar quando
quando, por ventura, se esteja
a olhar do outro lado...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

domingo, 10 de janeiro de 2010

10.01.2010


Habita em nós um ser sem cor
que se move nas veias tortas
que faz feixe dos nervos e
quase nos faz implodir.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sábado, 9 de janeiro de 2010

09.01.2010



O nada é só um momento
um salto do alto de nós mesmos
um leque de tantas possibilidades
como grãos de areia ao sabor do vento...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

08.01.2010



















A Morte é a companheira certa de todos
até ao fim... e eu faço questão de chegar
vivo até ao dia de morrer.
Com esta sede que não cede e não abre
espaço ao ar que passa, nem permite ao
líquido que sólido fique.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Aquilo que Comentei hoje...

Sinto-me mais feito
dos Berros de Deus
e de Suas Birras, de
Suas Idéias Burras
e dos Faróis que Me
afastam da Barra,
sou mesmo é Barco
à Deriva e Roncos na
Barriga, e Cheiro
à Borra do Café de
Deus, mas de Seu
Barro é que Eu não sou...

07.01.2010


Aporto em ti como um barco
parto reverso em teu corpo tão perto
parca lembrança horizonte perdido.
E esse aperto no peito
leite derramado leito desfeito
um eco que chega tardio ao ouvido
atordoado e mal-digerido.
Lava tudo abala o chão
porta aberta, suor e vulcão.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

06.01.2010



Tenho medo de temer-te
e tremo só de lembrar
do abalo que provocas,
sísmica insónia de adormecer-te.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

05.01.2010


















O desvelo idiossincrático
que a ave devota aos ovos
é comparável, somente,
à fome que assola
três quartos do planeta.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

04.01.2010


Generosidade é não esperar
retorno do que foi dado.
É ir para muito longe
e nunca sentir ponta de saudade.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

domingo, 3 de janeiro de 2010

03.01.2010




















A boca pende entre
o alpendre e o crepúsculo.
A boca indolente
sem medos, sem dentes...
a remoer mesuras.
A boca em silêncio é
um cadáver espúrio.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sábado, 2 de janeiro de 2010

02.01.2010


Um corpo que não é meu
Um corpo que não é teu
Deixou-se de medos
Deixou-se de culpas
Tornou-se corpo de luta...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

01.01.2010

























A todo o momento
retornam-me os amores,
aqueles antigos;
Pomo-nos a revisar
milênios de noites anteriores
e lânguidas dores posteriores.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Testosterona

Abraçávamos
as colunas
principais
do edifício
na esperança
de sustentar
o arco
da abóboda
de um templo
construído
sobre os
restos mortais
de Cupido.
















Paulo Ramos - Trofa - Portugal

Figura e Fundo...

Ao fundo uma flauta que não se ouve,
um som que nada ecoa ou reverbera.
Ao fundo a voz que retorna em vômito,
que treme cordas que, maré alta,
recobre os corpos e assusta gaivotas...
Ao fundo música de percussão e o som
dos mares nas conchas e nos dedos dos pés!







 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

100 palavras

100 palavras são tão poucas...
100 palavras para descrever...
100 sentidos para explicar...
100 sentidos para não acordar....

Paulo Ramos - Trofa - Portugal



































domingo, 22 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Que Assim Seja...

Quero que as borboletas
sejam livres
para ir aonde quiserem.
Amo a tudo, sem distinção
momentânea ou diária...
Amo as moscas e a merda
em que pousam.
Amo as flores e as abelhas
que pousam.
Amo a chuva e as telhas
Amo as coisas brancas
e as vermelhas.
Amo os flocos de neve
e as centelhas...
Amo e amo e amo, outra vez,
e volto, novamente, a amar.



Paulo Acacio Ramos

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pedras na Selva



São Paulo auto-superada
santo desesperado
de vias e acessos
e curvas...
São Paulo de Sé e fé
nas tardes de chuva
e noites de não dormir
São Paulo Azul-cinzenta
respingada do nosso magenta.






Paulo Acacio Ramos

domingo, 8 de novembro de 2009

Importante e Consciente...

21 DE NOVEMBRO, 16 HORAS, NA CASA-DE-LÓ (Travessa de Cedofeita, 20 A), PORTO



Sábado, 21 de Novembro será a apresentação do livro infantil A Princesa e a Andorinha.

S. Marisa Ramos C. recorre ao tradicional conto infantil para nos apresentar uma história com um final feliz atípico mas, ainda assim, verosímil.

A Princesa e a Andorinha reúne todos os elementos essenciais que apelam à reflexão de adultos bem como ao deslumbramento dos mais novos. Espelho da realidade, o conto pretende reeducar mentalidades ao ser um veículo transmissor de valores culturais e conhecimento. O livro retrata o percurso de uma jovem princesa triste que encontra a felicidade no refúgio da sua amizade com a andorinha Sissi. Esta vem a transformar-se numa igualmente bela princesa, desaparecida do reino do Gana há muito tempo, e entre as heroínas nasce um amor terno e sincero. Juntas enfrentarão uma sociedade regida por dogmas seculares.

O evento conta com as presenças de Marisa Ramos, a autora do livro, e do psicólogo Dr. Nuno Carneiro, profissional com experiência psicoterapêutica intensiva e continuada com crianças e com a realidade lgbt. Haverá leitura do livro para as crianças e adultos presentes e haverá espaço para discussão do tema e perguntas e respostas, assim como distracções para os mais novos.

Todos estão convidados a aparecer na Casa-de Ló, na Travessa de Cedofeita 20 A, no Porto, no dia 21 de Novembro, às 16 horas, e a trazer amigos, família, crianças!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Que Seja um Rio, sempre...




Que o Rio seja
de Janeiro
que seja o primeiro
a tocar o mar
que seja um Rio
que rasga Favela
e vê da Janela
o morro e o céu
que seja o Rio
do ano Inteiro
de braços abertos
e sorriso brejeiro...

Paulo Acacio Ramos

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

... Não há ...



Não, Eu nunca fui ao Brasil...
Nunca fui, não há um Brasil
Há muitos Brasiles e há muitos
Lugares Míticos e Mágicos e
Trágicos, chamados Brasil...

Paulo Acacio Ramos

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Serviço de Quarto no Inferno

o corpo que não é meu
o corpo que não é teu
deixou-se de medos
deixou-se de culpas
tornou-se corpo de luta!


Paulo Acacio Ramos

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sonhos Outros

tell me then
what to do to the pieces
the shards, the remains
not swept away by the wind,
of me on the floor ...
I do not want to be the man
of your dreams,
I want to be the man of mine.






digam-me então
que fazer aos pedaços
aos cacos, aos restos
não varridos pelo vento,
de mim no chão...
não quero ser o homem
dos vossos sonhos,
quero ser o dos meus.

...

Paul Acacio Ramos

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Três Tempos

Quem ama
só não mata
se a arma
não estiver
ao alcance
da mão...

a uva passa passiva
que espera a mordida
que só deita líquidos
quando espremida...

mais vale voar
na noite e sorver
o sangue da vida...


Paulo Acacio Ramos

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Incidências



Tua sombra
imune ao vento
segue incólume
em passo lento
tua sombra
anorética
vomita-se
nas pedras
do chão!



Paulo Acacio Ramos

terça-feira, 22 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fronteiras

Que ninguém me peça orgasmos urgentes
e brilhos nos dentes.
Gosto do tempo e faz pouco tempo
que eu deixei de fumar...
felicidade é coisa que está por um fio... sempre.
Na ponta do fio da teia da aranha,
no risco das unhas do gato que arranha...
 
Paulo Acacio Ramos

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Os Trovões...


Na verdade sou um arco-íris, tenho e gosto de todas as cores, claras ou profundas... sou o mesmo Paulo, sinto isso em mim, desde que nasci... um bebezinho muito velho que anda por este muito, levando porrada e colhendo flores, guardando amores e amigos...sou assim, eu, eu mesmo, desde sempre, sem tirar nem por. Não tenho nem um medo de amar e ainda menos medo tenho de ser amado.




Beijos, muitos, sempre.
 
Paulo Acacio Ramos

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tree Frog

Carruagens de Fogo


A cobra do meu paraíso olhou-me
e disse que, maçã, só amanhã...
Depois enroscou-se, devassa,
na árvore vã do nosso pecado.
Olhei para minha cobra e quase
tive vergonha de não estar nu.
Paulo Acacio Ramos

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Contravisões

Plutão está lá, mas tu não vês, Neptuno também, Urano também…etc.
E não é só por que não vês que não está lá, como o plâncton e as
algas microscópicas, como os vírus que matam sem que se veja, os
vírus estão lá, mesmo que não os estejas a ver. O maior de todos os
medos, é ver escorrer entre os dedos, o último dos nossos medos.
Ninguém vê a quimera, não se toca o sonho, que mesmo que ninguém
veja estará sempre lá… Como uma verdadeira esfinge que observa,
incólume, a queda do teu sonho sobre os ombros das estátuas, teu
sonho transformado em dejectos de pombos, teus sonhos…
Cravos vermelhos aos pés das estátuas de santos nenhuns.
Houve reis, houve rainhas e cabeças a rolar, princípios e fins… e ouro
no corpo de Montezuma, ouro nas jóias da coroa, ouro na pele dos
deuses e nas bolsas dos sacerdotes. O ouro que não se vê, mas que
está lá no fundo das minas, à espera que os homens transformem as
montanhas em crateras.

sábado, 5 de setembro de 2009

Ensaio de Orquestra


Depois de amar
encostei a cabeça
em teu ventre
e as entranhas
emitiam longínquas
dissonâncias harmónicas...
 
Paulo Acacio Ramos

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...