Tantos Outonos

A minha fotografia
Nome: Paulo Ramos
Localização: Trofa, Portugal

Quem Quiser Saber, Há de Perguntar...

Sábado, Março 13, 2010

13.03.2010

vingar-me-ei
um dia
talvez
de não me teres
dado o amor
que tinhas
dando-te
talvez
um dia
o amor que
não tinhas...

Paulo Ramos -
Trofa -
Portugal

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Sexta-feira, Março 12, 2010

12.03.2010

mastigo-nos
cacos de vidro
e regorgito-te
em cristalinas
contas de desejo...

e tudo arde
pela tarde
sem alarde

não quero que me dês
absolutamente nada
uma vez que quero
apenas e somente tudo.

Paulo Ramos - Trofa - Potugal

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Quinta-feira, Março 11, 2010

Taquicardias

Quando nos dizem:
- "Ouve o que te diz o Coração!"
É melhor fazê-lo, pois pode
ser que ele diga:
- "Doenças Coronárias!!!"

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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11.03.2010









































A carne que treme
Dentro da derme
Será bem breve
Alimento do verme
E encarnada
Pende cortada
Nas montras do talho.

Ainda outro dia
Pastava tão verde
Distante das coisas
Sem medos nem fé
Ainda outro dia
Engordava vadia
A teta mungia.

O leite que escorre
Pelas gargantas
O leite que se esfrega
Na derme gorda
O leite que se derrama
E se chora depois
Com lágrimas puras
E olhos de bois.

As carnes massivas
De convites aos dentes
Tão moles e densas
De sebos pendentes
Que trazem delícias
Sugerem malícias
Piscinas de sangue
E natas tão brancas.

Nacos de coisas
Pedaços de bichos
Cálidos colos
Para deitar a língua
Enquanto outros bichos
Morrem à mingua
Sagradas e lindas
As vacas são putas
Que atendem aos gostos
De todos os outros.

São muitas as vacas
Tão poucas as loucas.


Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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Quarta-feira, Março 10, 2010

10.03.2010

Incauto Retrato

amamenta-me
canta-me acalantos
encanta-me
lambe meu sexo
com teu olhar
acalenta-me
põe-me no colo
lambe-me o olhar
com teu sexo.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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Palíndromo Tautológico

Quero dizer-te
com quantas figuras de estilo
se faz uma gramática...

Paulo Ramos


Terça-feira, Março 09, 2010

09.03.2010




















A girafa não fala.
Pois tem o pescoço
tão longo, que quando
a voz vem a subir
os sete degraus
de tais vértebras,
a pensar, questiona-se:

- "Valerá tanto seco esforço?"

E assim volta, a escorregar,
para o silêncio
de tão charmoso dorso.

Há quem acredite ter visto
a girafa a comer estrelas
com sua língua comprida
a enrolar-se no firmamento.

Mas, mesmo ao considerar-se
o tamanho de seu pescoço
tal afirmativa não tem
qualquer base ou fundamento.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal
 
Obs: Se não deu para perceber, sou apaixonado por Girafas!

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Segunda-feira, Março 08, 2010

08.03.2010

vento amarrado
seguem os pássaros
de algodão
com asas de cimento
caem uns sobre outros
amontoados em penas
pequeninas
nuvens empanturradas
espremem-se
brancas
nas frestas do céu!

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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Domingo, Março 07, 2010

Um Soneto...

... sonolento absoluto e obsoleto...



Paulo Ramos

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07.03.2010

amigo
é vício
início
estrupício
precipício
comício
amigo
é laço
é abraço
regaço
melaço
espaço
amigo
é grave
é trave
conclave
ave e nave
amigo
é abrigo
é trigo
umbigo
é pão e mão
irmão
amigo
é paixão!

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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