Tantos Outonos

A minha fotografia
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Quem Quiser Saber, Há de Perguntar...

sexta-feira, 30 de abril de 2010

30.04.2010

Adri-ban-anas de Po-Mar-cia

cortar fruta em pedacinhos
juntar açucar bem pouquinho
mexer devagarinho
cuidadosamente
mel e macadâmias
um fio rápido
de vinagre balsâmico
raspas de meio limão
deixar descansar
em ambiente fresco
e acolhedor
não mais de vinte minutos
servir com amor
sementes de gergelim torradas
e um cálice de vinho do Porto.

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quinta-feira, 29 de abril de 2010

29.04.2010

esta musa me abusa
só me dá nó
é uma gaja escusa
profusa em silêncios
conta-me segredos
impecilhos e dores
não me presta atenção
deita-me ao chão
prostrado em adoração
esta musa é confusa
maldosa medusa

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

28.04.2010

mar
que acaricia
que quer
ocupar as dobras
do dia
som que sabe
a suor
suave, sublime
sob a linha da ponte
ao longe
sal que cristal
fica nas axilas
das ondas


...água rasa
água de rosas
quanto mais reza
mais ensombrada
lhe parece...


...o mar sofre
de amnésia crônica
águas-vivas
neuropáticas...

o mar treme
em tremendo vácuo
ouço o mar e ecoo
o peixe agonizante
de olhos diagonais

câmara-escura
fotografia abissal
corvos, calamares,
carambolas...

aproximo um ouriço
do ouvido para
ouvir melhor o mar
ouço o mar na
marsupial boca
que não se cala
superprotectora e
primordial...

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terça-feira, 27 de abril de 2010

27.04.2010

num momento atávico
lembrei o cheiro
do teu entrepernas
esqueci do mar
tesouros perdidos
lembrei do amor
campos cultivados
esqueci os olhos
nas páginas
de um livro que leste
deixei ficar no chão
as nunvens da memória
que não trouxeste
no livro distraído
que lias sobre as pernas.

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

26.04.2010



sorrio                 sempre
sorrio

quando
esbarro
numa
memória             tua
pelos
rodapés              casa

levo                    então
comigo
presenças
distraídas...

abro                   portas
abro                   pertos
abro                   cortes


partes.

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domingo, 25 de abril de 2010

25.04.2010

Testículos que são
Tentáculos que são
Trombas...

Passaram-se horas
e nem percebi...

Estive abraçado
ao teu cheiro,
não percebi.

Mas, a tua ausência
não surtiu o mesmo
efeito que o recado
onde dizias que não
vinhas...

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sábado, 24 de abril de 2010

24.04.2010



Auto-retrato com o Gato e o Aquário




Tanto me bebo que não consigo
Entender quem suo ou quem fluido.
Assim, vou me escorrendo
Como choro que chove
Pelas ruas, tristes gotas silenciosas.

Exorcizo-me do meu íntimo
Em amor derretido,
Oscilando sólido e líquido num bailado,
Removidas minhas vértebras
Com todo o sentimento perdido
Em doces vapores sublimados.

Esvaecido,
Cada segundo me é alheio,
Mas enquanto me esparjo
Neste enleio,
Busco conter o tormento
Da calma discreta
E recuperar a vida em alento.

Os gatos às vezes
Parecem estar a sorver
O cheiro do sol no ar
Seus bigodes como tentáculos
A tactear o ar
Orelhas como radares
A auscultar no ar
Os restos dos sons reverberatórios
Papeis pardos perdidos
No templo do tempo terminal.

Pareço um clone de mim mesmo
Pareço um palhaço na prateleira
Pareço uma coroa
Numa colecção de não-conchas.
Conhecedor do universo
E ouvinte do silêncio
Visão do invisível
Voz do indizível.
Água no céu
Água no chão
E o peixe nada
Nada de frente
Nada de costas
O peixe nada,
Nada dá ao peixe
O direito da água.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

23.04.2010

Este meu jeito às avessas
De fazer as coisas...
Essa tortura,
Essas marcas indissolúveis
Dos açoites do tempo impossível
Fazem sangrar a alma inebriada
De um sangue escuro e escasso e denso
Desassossegou o meu dia
Penetrou as minhas nuvens,
Inundou-me com o seu Sol,
Fez-me rir com alegria.
Olhos negros de breu
Vêm aqui ter comigo
Tristes, profundos e vivos
Tão pouco reais
Tão transitórios
Tão raio de luar!

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quinta-feira, 22 de abril de 2010

22.04.2010



























O Outono não me dói
como me doem as ausências
a sopa a deitar seus fumos
amalgama da nossa essência
cheiros de vida e desconforto
perfumes de decomposto
rios de merda a cobrir o rosto...

Quero que aprendas a respirar
quero que prendas a respiração
quero que aprendas a mastigar
quero que arranques os dentes
quero que reines sobre todos
os corpos independentes
quero que te aprendas a marturbar
quero que uses preservativos
quero que bebas conservantes
quero tremoços com cerveja
quero que cheires o chão que pisas
quero que cheires as usinas
quero dar-te os peidos das vacas
quero que esqueças
quero que esqueças tudo
quero que esqueças tudo que aprendeste!

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Mal Entendidos

Gostaria de deixar bem claro que nada
do que apresento por escrito aqui no
Tantos Outonos está de forma directa
ou indirecta relacionado com alguém, 
salvo se houver uma indicação, de que
tal ocorre, feita por mim.

Paulo Acacio Ramos

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Translúcido



Poderá um mar serenar meu peito,
E pela vida, ondear seu leito,
Apenas para te ecoar,
E nessa concha que és tu, soar.

Poderá uma dor brotar na pele,
Num designado outono sem fim.

Poderei eu mar, margem ou vento,
Conter o sol nos grãos,
Ou toda a lua ser negra e densa.

Posso eu jardim por inventar.

Posso eu poema por rimar,
palavras por vestir.

O tempo que elas encerram
para lá do que leva a dizê-las
mesmo em todas as suas pausas.

Os sentires que contêm
muito além das suas letras
por entre espaços que aninham.

O quanto só por te pensar,
o quanto só por (não) te saber,
o quanto do silêncio não presença…

O prato (sempre) vazio e inerte,
o soalho que não range.

Gosto da dimensão da minha saudade.

Este acelerar
neste sereno indolente,

Este estagnar
neste correr demente,

Simples querer do teu sorriso…

Gostava que lesses a real dimensão
das palavras da minha saudade.

Não consigo.
Não sigo.
Fico cego.

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21.04.2010

Supus-te mágica
à tona de um rio
a flutuar etérea,
eterna e louca.

Adivinho-te trágica
perdida num bosque
adormecida a sonhar,
interminável e louca.

Ver-te-ei música
à volta dos planetas
desfeita em partículas,
quântica e orgânica,
universal e pouca...

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Caranguejo

Parafraseando Caetano:

"Meu coração
Casquinha de Siri
 Não quer mais
amarrar Frustração..."

PS - OBS: Os Caranguejos, NUNCA, andam para trás...

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terça-feira, 20 de abril de 2010

Calmarias

...Um vento solar arrasta poeira cósmica e varre pétalas de girassol…
ao fundo, longe, quase invisíveis, os vestidinhos brancos e solenes,
tremulam. Deitam no ar o cheiro das virgens e das viúvas.
Meu pensamento tem a cor daqueles vestidos e o sol imprime nódoas
à pele e aos tecidos. Endurece o cimento do desejo.
Ilumina os músculos húmidos dos trabalhadores da construção civil… e o Carnaval acontece em mim.

À minha volta giram, como cata-ventos, puros, os homens
com seus vestidinhos de primeira comunhão. Giram no ar como
libélulas nacaradas, os homens montados em seus cavalos-marinhos,
nus de seus preconceitos, com seus vestidinhos cor de girafa.
Leves, elegantes, peremptórios, ígneos e discretos como as girafas.
Os homens imaculados transformam-se em meninas-girafas com suas
malhas castanhas e pernas de bailarinas.

As girafas passam por mim com suas crinas em chamas, em fila indiana, como os guindastes do cais do porto. As girafas, os homens e os girassóis fundem-se num único bloco amarelo, como um contentor metálico (ventre de santa) no porão de um navio, num cais perdido numa das ilhas da Oceânia.

As girafas devoram os girassóis e depois transformam-se em cata-ventos…


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Ooooooohhhhhh!!!!!!

Coisa mais
Burrinha,
Tu és
Minha
Fotocópia Reduzida
de
Anta Albina
do
Himalaia...



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20.04.2010


















as aves arribam do sul.
nascer, chegar, vir, iniciar
estão resumidos num substantivo
abstracto, num momento,
num PARTO; morrer, acabar,
sair e seguir em primeira
pessoa, indivíduo, eu, em presente
indicativo, PARTO!
pelo meio, entretanto,
PARTO a vida
em mil pedaços e guardo à parte,
até chegar a bom porto e poder
abrir a porta que libertará
todos os vícios,
todas as virtudes,
todos os estilhaços do espelho.
as aves rumam ao sul.

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

19.04.2010


















o perigo do teu olhar a pairar
nas cortinas, nos lençois, nas lâmpadas
o perigo de ti em mim em ti
a flutuar na pele, nos pelos, nas gengivas
o perigo de estar a ser seguido
pelo teu olhar, pelos puxadores
das gavetas, as tomadas na parede,
os pés, os rodapés e o pó
no tapete, nos móveis, nas conjuntivas.

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domingo, 18 de abril de 2010

!!!

Ficou ali a olhar



para ontem,

com cara de depois




de amanhã.

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18.04.2010

acho que agora está a fazer-se
um pouco tarde, para dizer o
que já havia de ter sido dito;
assim, com esse atraso, vai
ficar a palavra a flutuar no
fumo do ambiente; como
um substantivo que está
sempre à espera de um
seu determinante...

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Lírica...

Há aqueles
                 que se acham tanto
que,
                 quando comem uma
sopa de letras,

caguem os Lusíadas!

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sábado, 17 de abril de 2010

17.04.2010

meu quem,
faz de conta
que te sabe,
que te sobe
ao alto da sebe.
faz que canta
o teu quando.
o meu ninguém
fez as contas
e perdeu-se
em perdões.
ajoelhado no
alpendre do
teu nunca,
diante jamais,
cada vez mais
eterno...
cada vez menos
sempre...

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sexta-feira, 16 de abril de 2010

16.04.2010

corpo interrompido
caça-níqueis
lambida na libido
boneco vodu
coisas simples...

como assim, coisas simples?

aos meus olhos
só os chineses são capazes
de coisas simples;

de agora em diante
só assistirei a
Zen-Porno Filmes Chineses...

afinal de contas
tudo acaba por ser
Made in China!

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quinta-feira, 15 de abril de 2010

15.04.2010


















de que me vale?
saber Sainkho Namtchylak!
saborear Joel-Peter Witkin!
desfrutar Konstantinos Kavafis!

de que me vale?
se quer,
devorar Joana Vasconcelos!
gozar Tom of Finland!
lamber Ian Saudek!

quando a quase totalidade
desconhece as letras
do próprio alfabeto!?

valha-me Qorpo Santo!
valha-me Augusto dos Anjos!
louvada seja Bruna Lombardi!
louvada seja Ithamara Koorax!

fui...

afagar minha base cultural!

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

14.04.2010

não foste cor
não eras azul
que os azuis
limitam mares
horizontalizam céus.

nem eras verde
pois verdes
desfazem-se
amarelos
refazem-se
vermelhos
e castanhos.

tão pouco foste
violeta ou lilás
quer cor de flor
ou fruta outra
como laranja.

eras sim
cor de nuvem
que branca
negra, cinzenta
quer disparar
raios de prata
na noite magenta.

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PS: para Adriana e para Márcia... duas Mulheres!

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terça-feira, 13 de abril de 2010

Poltergeist Gestalt



Via-te atravessar
as paredes
do meu desejo...
fantasma
do meu prazer.

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Plágio...

Minha Terra tem Planuras
Onde quem Canta Sabia...

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Zoologia Emotiva

Borboletas
                  de passagem...

Água-vivas
                  assustadas...

Libélulas
                  deprimidas...

Tucanos, Ornitorrincos, Fossas,
Lémures, Társios e Outros.

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13.04.2010

vou lamber
das tuas partes
os remanescentes
da primavera...
...intangível
inocência
indecorosa...
correr perigo
calar-me
contigo na boca
tu entre os dentes
língua insana
incandescente
derretes o metal
do teu sono
sobre mim
...para mim...
em Mi menor
primeiro movimento
allegro ma non tropo
embriagado.

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tempus Fugit






















O Outono explode,
Em nossas pupilas,
Amarelo e saboroso.
O Outono espanta nossa pele
Com seus dedos mágicos
De calafrios e folhas secas.
O Outono explora nossos pelos
Com suas brisas.
Calor das brasas
Das lareiras adormecidas.

Amanhece o Outono.
Abre-se o poema.
Abrem-se as asas.
Abrem-se os bicos.
Abrem-se flores.
Os olhos semicerram-se.
Ouvidos abrem-se.

Abertas, portas, cartas.
Abertos diários secretos.
Abertas as feridas.

Sobre as aguas levanta-se a névoa.
Dias e ondas levantam catedrais.

Passam os comboios.
Passam as penas.
Corre rápida a escrita.
Várias pontes passam sobre o rio.
Os comboios passam sobre as pontes.
Comboio que corre pelos trilhos.
Pontes de ferro.
Corre o tempo.
Corre o vento.
Correm as águas do rio.
Corre água pelas cloacas.
Cloacas desembocam em rios.
Das cloacas saem ovos.

Rio fundo.
Rio largo.
Rios e afluentes.
Afluentes e cascatas.
Afluentes desembocam em rios.

Rios desembocam em mares.
E o mar é ainda mais amplo.
Mais largo e mais profundo...

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12.04.2010

pura ficção
tuas juras
teus olhos
o brilho nos lábios
ficção pura
tudo que disseste
o pouco que fizeste
o contorno amêndoa
riscado dos olhos
coloridos pelo sol
ficção clara
óbvio engenho
de escrevinhador
pura loucura
percorrer o mundo
atrás de ti
puro drama
perdi a meada
da nossa trama
pés descalços
vidros e lama
puro engano
nem planta nem plano
chuva eterna de papel
picado sobre todos
os desenganos...

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domingo, 11 de abril de 2010

11.04.2010


eu e a água
e ela e eu
e eu a bater
na água e
ela e eu a bater
e a água a bater
em mim
praia deserta
água que bate
em mim
e nela e ela
na água
a bater em mim
eu praia
ela areia
água água
areieu aguela
a praia e ela
e eu e ela
e a praia e
a água a bater
areiagua.

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sábado, 10 de abril de 2010

10.04.2010


























a memória
   conta uma história
            diferente a cada hora
e balança e balança e balança
oscila labiríntica
                         e inglória...

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

09.04.2010

Sonho-me enquanto me sono,
distraio-me quando me engano.
Já que não sei, anseio.
O que não sou, assumo.
Leio-me em branco, resumo.
Mas, não abram tão depressa
as cortinas que ainda não abstraí
a metodologia do teu olhar.
Primeiro os Violinos, então as
Flautas, e os Oboés, e os Fagotes
e muito lentamente os graves
de Contrabaixos, então logo
estão todos em (uníssono) harmonia
a fazer soar a corda bamba.
A bailarina cai, o cantor cai,
caem os equilibristas e as
sambistas e os ilusionistas.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

08.04.2010

QueQuIsso QuerDizer

abanturáveis mélios
ignocebávaros
me mentias me mendias
morambas
questiavas no caramboleque
vem venias
targunas rolebas atum
abruptas perclaras palhum
colabas cornezias ajum
catrapas azulas e num
me melias orratas
orgianas
grunfas denásias azul
or elhas fur adas
ebrin coseidas
nonescuta
praquefala calousse!

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Aproveitando a Carona/Boleia

... Nós Somos o Chiclete na Sola do Sapato de Deus...

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07.04.2010

Ciência Humana

...
partículas de nada
à volta do vazio
flutuam no vácuo
preenchem as trevas
...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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terça-feira, 6 de abril de 2010

06.04.2010


às vezes é só o que há
                                  às vezes é só o que resta
                                  esse tremor nas mãos ou
esse buraco no meio



                                  da testa...

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

05.04.2010





















alma mordente
aura corrosiva
carnes em festa
suores na testa
barcos reticentes
que não dão à costa
dores nas costas
e velas apagadas
noite que chama
que não apaga
tão perto do longe

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domingo, 4 de abril de 2010

... frentes frias...

profícua
probóscide
de um
pressuposto
prógnato

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04.04.2010

mar abrupto
que erode a rocha
que arde sol
no grão da areia
que solidifica
a luz solar
em cristais

mar objecto
de invasões
permanentes
que absorve o sal
das lágrimas
que abissal
deslinda-se
em mistérios

mar garrafa
mensagem
de naufrago
cardumes
de ninfas
mar de estrelas
céu de espelhos
bússolas algas
sereias e dor...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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sábado, 3 de abril de 2010

03.04.2010

o vento carrega
a chuva escorrega
o raio arrebenta
o trovão assenta
cheira no vento
um momento de chuva
cortado de raios
cantado por trovões
mora nas trevas
a luz do raio
molhada de nuvens
a secar ao vento

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Chovo-me Sobre a tua Lembrança...

*estou
*como sempre
*estou
*e estou
*como estou e sempre
*estou.
*estava a ver
*sim, estava a ver,
*não estou mais
*como estava
*mas estava e estarei
*como sempre a estar
*se estivesse
*a chover               *a chover                    *a chover
*estou
*como sempre
*estou
*e estou
*como estou e sempre
*estou.
 
 
Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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02.04.2010

nada mais belo que as girafas
a carregar no dorso o pardo
das savanas, mas, também
se pode dizer que nada
mais belo que os flamingos
em revoada a trazer nas asas
a magnólia das auroras, mas,
também se pode dizer que
nada mais belo que os gatos
a lamber mistérios com olhos
cristalinos, mas, também se
pode dizer que nada mais
belo que o ornitorrinco que
dentro de sua astronave não
está preocupado nem sabe
se é um mamífero ou se
uma ave, mas, também se
pode dizer que nada mais belo
que o pavão que traz o tempero
de todas as sedas e cores nas
penas da cauda de açafrão, mas,
também se pode dizer que...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Epistemologia Ecológica

a mentira
é só uma
forma diferente
de dizer a
verdade em forma
de (mentira) inverdade
como quando
o verde sufocante
da paisagem
(tão leve e folha
e erva
e breve)
o verde que corta
a respiração
e nos afoga
em seus quadrantes...
o verde transmuta-se
em amarelos
e depois em ocres
e terras, o verde
sobrepuja-se de verdes
outros
o verde é só uma
forma diferente
de não mentir.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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Mentiras Verdadeiras




















... para dizer a verdade,
                                     eu nunca minto!
Ou melhor, para mentir de verdade
eu nunca digo


                                     uma mentira...


Paulo Ramos - Trofa - Portugal

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adopt your own virtual pet!
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