Tantos Outonos

A minha fotografia
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Quem Quiser Saber, Há de Perguntar...

domingo, 30 de maio de 2010

Quanto Mais




há coisas em ti
que me alegram
coisas em ti
que me doem
há coisas
que me roem
outras que
me dão alergias
um corpo que cai
desabalado
sobre um corpo
outro
desavisado
notória presença
de ninguém
a transitória
presença da emoção
no corpo
da bailarina
medo agudo
soprano de engano
o lado escuro da lua
uterino protector
de onde vens
negra criatura?
por que te escorrem
humores pelos olhos
ouvidos nariz?
viro a cabeça
até encontrar a paisagem
e na paisagem
deslinda-se o incógnito
de um arco-íris
cor de sangue
que sai das íris
como ponte inacabada
como ponto
que não põe fim
como interminável
poema
que ninguém
lerá para mim.

PAR

Trofa - Portugal

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30.05.2010



Alice depois de Alice

gato sobre muro
luar sobre gato
noite que é já facto
Alice cresce sozinha
Alice não vê o gato
Alice viaja a Jacto
Alice come Verduras
Alice odeia Carnes
mais ainda carne de gato
Alice não toma chá
nem usa chapéus
vive nas ruas
seu corpo na lua
Alice agora não mora
Alice jamais namora
tem rugas
perdeu a fé
alice é só
como um gato
que se ri
suspenso em luz
sorri no luar
garrafa esquecida
a dormir num bar...

PAR
Trofa - Portugal

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sábado, 29 de maio de 2010

29.05.2010

...As Sete Portas Douradas do Jardim das Delícias...

A Inveja

...
luz que me penetra
as pupilas
e deixa o sabor
do sol
nas papilas
o gosto do sal
do segredo
dentro da fechadura
que se reflecte
no espelho
...

PAR



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sexta-feira, 28 de maio de 2010

28.05.2010

...As Sete Portas Douradas do Jardim das Delícias...

A Ira

...
estrela maravilhada
a corda que te embala
desfaz-se em nós
como a chave a dar
à corda devolve
o brilho aos olhos e
a dor à carne
do teu pescoço
...

PAR



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quinta-feira, 27 de maio de 2010

27.05.2010

...As Sete Portas Douradas do Jardim das Delícias...

A Avareza

...
Um silêncio de morte
demência calada
paixão platônica
fome de quem não come
nós conosco em nós
nós sem eles
treze à mesa
medo de morte
medo_______
____adormecido
...

PAR



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quarta-feira, 26 de maio de 2010

26.05.2010

...As Sete Portas Douradas do Jardim das Delícias...

A Luxúria

...
os deuses nunca
estão equivocados
os deuses agarram
nas sobras
os deuses usam
os restos
os deuses criam
ornitorrincos
aves-do-paraíso
louva-a-deuses
...

PAR



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terça-feira, 25 de maio de 2010

25.05.2010

...As Sete Portas Douradas do Jardim das Delícias...

A Preguiça

...
um flamingo
tem de ser mais
que cor-de-rosa
mais do que uma
almofada de penas
sobre uma cana
um flamingo
tem de ser mais
que um ponto
de interrogação ?
...

PAR



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segunda-feira, 24 de maio de 2010

24.05.2010

...As Sete Portas Douradas do Jardim das Delícias...

O Orgulho

...
parti o espelho
de tantos olhares
partes dos vidros
e dos cristais
parti imagens
parti suas sombras
parti o espelho
olhei para ti e parti
...

PAR



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domingo, 23 de maio de 2010

23.05.2010

...As Sete Portas Douradas do Jardim das Delícias...

A Gula
...

que teu estômago
não saiba
o que a tua garganta
deixou passar
por não querer saber
o que te soube
na boca
...


PAR



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sábado, 22 de maio de 2010

22.05.2010

o absurdo perdeu sua mágica
o absurdo perdeu sua lógica
já não há penas no pássaro
azul da juventude e as fadas
amarelaram-se e lentamente
caem ao chão, a névoa do
sonho dispersa-se sob o sopro
do vento buliçoso e deixa
entrever as manchas húmidas
nas paredes, a urina a cheirar
nas paredes, janelas abertas
para deixar entrar o vazio,
irrespirável, das árvores, dos
bichos, da digestão dos bichos,
da fotossíntese e das mitocôndrias.




Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

21.05.2010

Teus pés de anjo perdido
Pedras luminosas no caminho

Indicam-me direcções
Apontam-me os destinos.

Teus pés que esmagam
Meus pecados como uvas maduras

Teus pés de sabores furtados
Às frutas quentes do Outono.

Teus pés sem dono
Teus pés insignes

Teus pés corajosos
A seguir sempre e sempre.




Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

20.05.2010

Continuo a caçar tua sombra
em varandas azuis
debruçadas sobre o tédio.
Desejo-te um bem tão grande
que nem se quer fazes ideia...
Um bem tão sem fim, tão assim,
que nem fazes a mais pequena
ideia do quanto...
Um tão grande e profundo bem
que não há como medir.
Como a largura de um
______ sorriso
Como as lágrimas num
______ pranto.


Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

19.05.2010



a cinza dos olhares
escurece o ambiente
à volta dos que esperam
emoldurados pela brancura
dos médicos em seus hábitos
estes abomináveis restos de pele
e placenta, insectos e anjos de asas
matizadas com partículas de nácar esmeraldas
lápis-lázuli a contraste nítido com o cinzento azul cerúleo
dos olhares que nublam os dias e ensombram os momentos.

o sabor esconde-se
na carne macia das rãs
que caem meteóricas do espaço
sideral, um paladar anfíbio na língua
e nas moscas nas bocas dos batráquios
e as verrugas e as perucas de cabelos humanos
preparadas para não cair e para nunca apodrecer...

Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Memórias de Palato



Como a maioria já sabe, morei/vivi no Rio de Janeiro durante vinte e seis anos (intercalados) da minha vida... e de vez em quando sinto assim umas vontades, uns tremores nas papilas por umas coisas que não me vêm à boca há 10 anos...

Segue lista (divertida e às vezes difícil de fazer):

1.   Cheeseburguer da Dona Jurema no bar do Colégio Santa Rosa de Lima de 1974 a 1980 com a Rosa e o Eugênio.
2.   Salada de Ovos no Pão Árabe da Regina no bar do Instituto Bennett de 1985 a 1990/1997 a 1999 com o Carlos José e o Filipe.
3.   Cachorro Quente do Geneal de 1974 a 1978 com a Catharina e o Luis António.
4.   Escalopinhos com Molho de Cogumelos do La Mole da Praia de Botafogo com a Márcia "Cuca" de 1981 a 1984.
5.   Waffle com Mel e Sorvete da Chaika de 1977 a 1985 com a Ana Dulce, o Sérgio, o Jaime e o José Ricardo.
6.   Talharim com Molho de sálvia do Giancarlo da Barra de 1977 a 1987 com a Mônica Abreu.
7.   Big Bob e Mate Gelado de qualquer Bob's (sempre) com o Fábio e o Gustavo.
8.   Pizza Portuguesa da Pizzaria Guanabara quando ía ao Baixo com a Adriana ou o Cajú.
9.   Talharim Quatro Queijos do Bella Blú de Laranjeiras quando ía lá com o (meu irmão) Paulo de 1985 a 1991.
10. Chopp, Chopp e Chopp do Amarelinho da Cinelândia com o Rogério e a Naila de 1984 a 1991.
11. Garrafas e Garrafas de cerveja Bohêmia no pé sujo da Farani com a Biologia da Santa Úrsula de 1981 a 1984 (Mauro, Ida, Thomas, Rudolf, Márcio Jardim, Márcia Vanacor, Marcello Bressane...).
12. Peito de Frango Grelhado com Creme de Milho do Parque Recreio 1987 a 1989 com a Rosana.
13. Milanesa com Batata à Francesa do Lama's com o Povo da Educação Artística Bennett de 1985 a 1991.
14. Frango ao Catupiry do Cabral 1500 com o meu Amorzão e minha Mãe de 1996 a 1999.
15. Rodízio de Churrasco do Schiavinni com meus Avós e Tios e Primas, maternos, de 1974 a 1978.
16. Tournedor de Vitela com massa Folhada e Molho Madeira do Rio's com o Fred e o Denasil de 1980 a 1985.
17. Sangria de Vinho Branco e Tacos do Lagoa Charlie's com o Denasil de 1977 a 1985.
18. Sushi/Sashimi do Grande Muralha do Largo do Machado com a Tatiana de 1978 a 1985.
19. Polvo com Arroz de Brocolli de um que não me lembro o nome com amigos de 1985 a ...

Saúde e Saudades.

Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal


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Comboio Lento até à Guarda...

o vazio
da paisagem surreal
verde
estações a meio
do absoluto
nada
aqui a palavra
tempo
ganha outros sentidos
quase sinónimo
de fruto
que amadurece
pessoas vão-se
ficando
nos apeadeiros
onde os seres
das criações
aguardam
a roer ervas e pastos
campos de messes
desmedidas
sobretudo
muitos rios
muitas pontes
a subir e a subir
espaço virtual
visual superlotado
de acácias
diz a velha:
- "morreu tísico, foi castigo!"
- "estava nervosa, ela, ficou até amarela!"
casas à venda
roseiras tristes
- "já cá cantam 86 e vamos ver até onde chego..."

Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal


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18.05.2010



deixaste-me ali nu
sem toques
sem sombras
só eu nu despido de mim
deixaste-me ali
no colo da ausência
sem outro
sem espelho
deixaste
o teu branco
invadir o meu
vermelho.

Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

4 Letras

"... não importa de que tipo seja,
amor continua a escrever-se
com as mesmas quatro letras..."

Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal

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17.05.2010



"corpo de baile"

às vezes passava
tardes à janela
a observar a
vizinha que está
sempre à janela
a rir-se, subtilmente,
de todos os que
por ela passam...

PAR - Trofa - Portugal

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domingo, 16 de maio de 2010

16.05.2010



"pão de beijo"

mão de açúcar
amor que um dia
deixaste num pote
ao fundo do armário
na dispensa
no vazio que pesava
na tua cabeça
farinha muita
ovos alguns
leite, fermento e
outras coisas,
tipo isto e aquilo.

para compor a massa
para encher o corpo
e rechear as emoções
deixar descansar
há de crescer
por em forma
levar ao forno
e deixar assar.

deixar que passe
o tempo de assentar
acentuar a cor
tirar, desenformar
deixar arrefecer e cortar
fartar-se de pão!

PAR - Trofa - Portugal

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sábado, 15 de maio de 2010

15.05.2010



nem tudo que gira
é girafa
nem tudo que rolha
é garrafa
nem tudo que come
é comédia
nem tudo que ama
amnésia
nem tudo que rema
é remédio
nem tudo que uva
passa...

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

14.05.2010



tenho a pele sensível e sou
alérgico a idiotas, meu estômago
é delicado e os estúpidos dão-me
enjoos; canso-me, muitas vezes,
das conversas de adormecer e dos
jogos sem fim, deixo-me flutuar
sem rumo, nas palavras que ouço,
roendo a ponta do osso das memórias.

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

13.05.2010




As flores são belas e morrem
seres humanos não são belos
mas morrem, à mesma!
As flores tornam-se pó.
Humanos tornam-se pó.
Eu amo o cheiro das flores
mas sou alérgico ao pó.
Sou alérgico a seres humanos.
Mas, se um dia voltar do pó,
adorava que fosse na forma
de uma flor do deserto!

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

12.05.2010



gostava de ter
palavras
para descrever
o momento
(em que nus)
em que nos
abraçamos!

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ainda Lilith...

Da rebelia adâmica, e o fruto
Da árvore interdita, e mortal prova
Que ao mundo trouxe morte e toda a dor,
Com perda do Éden, ‘té que homem maior
Nos restaure, e o lugar feliz nos ganhe,
Canta, celestial Musa, que no cume
Do Orebe, ou do Sinai lá, inspiraste
O pastor que ensinou a casta eleita,
De como no princípio céus e terra
Se ergueram do Caos; (…)

John Milton (09.12.1608 - 08.11.1674), in Paraíso Perdido.

___________________________________________________

Segundo Carl G. Jung (26.07.1875 - 06.06.1961)

“uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma
coisa além de seu significado manifesto e imediato. Esta palavra
ou esta imagem tem um aspecto inconsciente, mas amplo,
que nunca é precisamente definido ou de todo explicado”.
Lilith se encaixa perfeitamente nesta visão jungeana de complexa
simbologia mística onde o inconsciente é manifestado em todas
as suas expressões.


Lilith é a noite, é a rainha da noite, é a lua, representa a lua,
a oposição do sol. Lilith foge da luz, como uma vampira, precisa
reinar nas trevas como algo desconhecido e que causa medo
nas criaturas.

Lilith é a mulher livre, independente, soberba em curvas sensuais
e provocantes, é a dançarina do ventre, logo seduz o homem por
dominar a fraqueza deste com seu poder maléfico de sedução.
Lilith é o vaso, o homem é a semente!


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Se não podes com elas... cria Mitos!!!

Lilith - John Collier

Lilith

É referida na Cabala como a primeira mulher do bíblico Adão, sendo que em uma passagem (Patai81:455f) ela é acusada de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido. No folclore popular hebreu medieval, ela é tida como a primeira esposa de Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, chegando depois a ser descrita como um demônio.


De acordo com certas interpretações da criação humana em Gênesis, no Antigo Testamento, reconhecendo que havia sido criada por Deus com a mesma matéria prima, Lilith rebelou-se, recusando-se a ficar sempre em baixo durante as suas relações sexuais. Na modernidade, isso levou a popularização da noção de que Lilith foi a primeira mulher a rebelar-se contra o sistema patriarcal.

Assim dizia Lilith: ‘‘Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual.’’ Quando reclamou de sua condição a Deus, ele retrucou que essa era a ordem natural, o domínio do homem sobre a mulher, dessa forma abandonou o Éden.

Três anjos foram enviados em seu encalço, porém ela se recusou a voltar. Juntou-se aos anjos caídos onde se casou com Samael que tentou Eva ao passo que Lilith Tentou a Adão os fazendo cometer adultério. Desde então o homem foi expulso do paraíso e Lilith tentaria destruir a humanidade, filhos do adultério de Adão com Eva, pois mesmo abandonando seu marido ela não aceitava sua segunda mulher. Ela então perseguiria os homens, principalmente os adúlteros, crianças e recém casados para se vingar.

Após os hebreus terem deixado a Babilônia Lilith perdeu aos poucos sua representatividade e foi eliminada do velho testamento. Eva é criada no sexto dia, e depois da solidão de Adão ela é criada novamente, sendo a primeira criação referente na verdade a Lilith no Gênesis.

No período medieval ela era ainda muito citada entre as superstições de camponeses, como deixar um amuleto com o nome dos 3 anjos que a perseguiram para fora do Éden, Sanvi, Sansavi e Samangelaf para que ela não o matasse, assim como acordar o marido que sorrisse durante o sono, pois ele estaria sendo seduzido por Lilith.

A imagem de Lilith, sob o nome Lilitu, apareceu primeiramente representando uma categoria de demônios ou espíritos de ventos e tormentas na Suméria por volta de 3000 A.C. Muitos estudiosos atribuem a origem do nome fonético Lilith por volta de 700 A.C.

Ela é também associada a um demônio feminino da noite que originou na antiga Mesopotâmia. Era associada ao vento e, pensava-se, por isso, que ela era portadora de mal-estares, doenças e mesmo da morte. Porém algumas vezes ela se utilizaria da água como uma espécie de portal para o seu mundo. Também nas escrituras hebraicas (Talmud e Midrash) ela é referida como uma espécie de demônio.

Talvez dada a sua longa associação à noite, surge sem quaisquer precedentes a denominação screech owl, ou seja, como coruja, na famosa tradução inglesa da bíblia, na Bíblia KJV ou King James Version. Ali está escrito, em Isaías 34:14 que … the screech owl also shall rest there. É preciso salientar, comparativamente, que na renomada versão em língua portuguesa da bíblia, isto é, na tradução de João Ferreira de Almeida, esta passagem relata que … os animais noturnos ali pousarão, não havendo menção da coruja[1], como é freqüentemente, muito embora erroneamente, citado no Brasil (tratando-se de um claro exemplo da forte influência da cultura anglo-saxã no mundo lusófono atual).

Na Suméria e na Babilônia ela ao mesmo tempo que era cultuada era identificada com os demônios e espíritos malignos. Seu símbolo era a lua, pois assim como a lua ela seria uma deusa de fases boas e ruins. Alguns estudiosos assimilam ela a várias deusas da fertilidade, assim como deusas cruéis devido ao sincretismo com outras culturas. A imagem mais conhecida que temos dela é a imagem que nos foi dada pela cultura hebraica, uma vez que esse povo foi aprisionado e reduzido à servidão na Babilônia, onde Lilith era cultuada, é bem provável que vissem Lilith como um símbolo de algo negativo. Vemos assim a transformação de Lilith no modelo hebraico de demônio. Assim surgiu as lendas vampíricas: Lilith tinha 100 filhos por dia, súcubus quando mulheres e íncubus quando homens, ou simplesmente lilims. Eles se alimentavam da energia desprendida no ato sexual e de sangue humano. Também podiam manipular os sonhos humanos, seriam os geradores das poluções noturnas. Mas uma vez possuído por uma súcubus, dificilmente um homem saía com vida.

Há certas particularidades interessantes nos ataques de Lilith, como o aperto esmagador sobre o peito, uma vingança por ter sido obrigada a ficar por baixo de Adão, e sua habilidade de cortar o pênis com a vagina segundo os relatos católicos medievais. Ao mesmo tempo que ela representa a liberdade sexual feminina, também representa a castração masculina.

Pensa-se que o Relevo Burney (ver alusões à coruja na reprodução do Relêvo de Burney, nesta página), um relevo sumério, represente Lilith; muitos acreditam também que há uma relação entre Lilith e Inanna, deusa suméria da guerra e do prazer sexual.

Algumas vezes Lilith é associada com a deusa grega Hécate, "A mulher escarlate", um demônio que guarda as portas do inferno montada em um enorme cão de três cabeças, Cérbero. Hécate, assim como Lilith, representa na cultura grega a vida noturna e a rebeldia da mulher sobre o homem.

Nos dois últimos séculos a imagem de Lilith começou a passar por uma notável transformação em certos círculos intelectuais seculares europeus, por exemplo, na literatura e nas artes, quando os românticos passaram a se ater mais a imagem sensual e sedutora de Lilith (ver a reprodução do quadro Lilith de John Collier, pintada em 1892), e aos seus atributos considerados impossíveis de serem obtidos, em um contraste radical à sua tradicional imagem demoníaca, noturna, devoradora de crianças, causadora pragas, depravação, homossexualidade e vampirismo. Podendo ser citados também os nomes de Johann Wolfgang von Goethe, John Keats, Robert Browning, Dante Gabriel Rossetti, John Collier, etc…Lilith também é considerda um dos Arquidemônios símbolo da vaidade.



Como diz a Rita Lee: "as duas faces de Eva, a Bela e a Fera..."

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terça-feira, 11 de maio de 2010

11.05.2010




















as escunas tão morangas
estampilham mexericas
nas treliças das cornijas
sabugos ecoam marmóreos
nas inóspitas planuras
como trompas olvidadas...

sapatilhas funéreas auscultam
catódicas fanfarras púrpuras
aglutinam corbelhas de anémonas
em dulcíssima lábia apícola.

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

10.05.2010

se um pássaro sonhasse
sonharia com escamas
sonhava que nada
ultrapassa o mergulho
no sétimo céu dos dramas.

PAR(dal) - Trofa - Portugal

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domingo, 9 de maio de 2010

PAR - AVE - n - to



As Aves sempre me Fascinaram,
não por saberem Voar,
mas sim por saberem Pousar...

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09.05.2010


Proibição Nº 15


ele sempre usa
as cores preto e branco
e a luz do sol
em sua face
e eu que sonho
os sonhos dos outros
corto o dedo
com uma faca de cozinha
e pinto-lhe a testa
de vermelho...

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sábado, 8 de maio de 2010

Estábulo


Cheguei agora do hipódromo, quem ganhou
a corrida foi o joquei com o rabo de cavalo...

PAR - Trofa - Portugal

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08.05.2010


Quando deixas mensagens
Entre páginas do livro que leio.
Quando bebo das vírgulas das frases
Sentenças inacabadas e imperceptíveis.
Quando chegas e tens flores na voz.
Quando cantamos uma música.
Quando sou penetrado pelo cheiro em teu corpo.
Quando me rio com teu riso.
Quando falamos ao mesmo tempo
E não perdemos a conversa.
Quando me dizes distraído
Que somos para sempre.
Quando te dou banhos de espuma.
Quando teu gosto musical esbarra no meu.
Quando me levantas no ar.
Quando comentas um risco uma forma
E depois fotografas as nuvens.
Quando me lembro de como nos conhecemos.
Quando limitas as outras vozes dentro de mim.
Quando me das um beijo na boca e eu quero mais.
Quando me chamas nomes.
Quando olhas para mim devagar e me beijas.
Quando te envio citações.
Quando me dás respostas.
Quando sinto os teus braços.
Quando falas dos teus.
Quando me surpreendes em momentos vazios.
Quando começas frases que eu acabo.
Quando castanho dos teus olhos se faz profundo.
Quando conto uma anedota e não paras de rir.
Quando viajamos no que imaginamos
E imaginamos viagens.
Quando digo que gosto de ti.
Quando me lembro que meu amor é eterno.
Quando foi antes agora e será para sempre.

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sexta-feira, 7 de maio de 2010


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quinta-feira, 6 de maio de 2010

As Fúrias

As Erínias (Fúrias para os romanos – Furiæ ou Diræ) eram personificações da vingança, semelhantes a Nêmesis. Enquanto Nemesis punia os deuses, as Erínias puniam os mortais. Eram Tisífone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Interminável).


Viviam nas profundezas do tártaro, onde torturavam as almas pecadoras julgadas por Hades e Perséfone. Nasceram das gotas do sangue que caíram sobre Gaia quando o deus Urano foi castrado por Cronos. Pavorosas, possuíam asas de morcego e cabelo de serpente.
As Erínias, deusas encarregadas de castigar os crimes, especialmente os delitos de sangue, são também chamadas Eumênides (Εὐμενίδες), que em grego significa as bondosas ou as Benevolentes, eufemismo usado para evitar pronunciar o seu verdadeiro nome, por medo de atrair sobre si a sua cólera. Em Atenas, usava-se como eufemismo a expressão Semnai Theai (σεμναὶ θεαί), ou deusas veneradas.

Na versão de Ésquilo, as Erínias são filhas da deusa Nix, da noite.

Supunha-se elas serem muitas, mas na peça de Ésquilo elas são apenas três, que encarregavam-se da vingança e habitam, segundo as versões, o Érebo ou o Tártaro, o inframundo, onde descansam até que são de novo reclamadas na Terra. Os seus nomes são:

Alecto, (Ἀληκτώ, a implacável), eternamente encolerizada. Encarrega-se de castigar os delitos morais como a ira, a cólera, a soberba, etc. Tem um papel muito similar ao da Deusa Nêmesis, com diferença de que esta se ocupa do referente aos deuses, Alecto tem uma dimensão mais "terrena". Alecto é a Erínia que espalha pestes e maldições. Seguia o infractor sem parar, ameaçando-o com fachos acesos, não o deixando dormir em paz.

Megaira, que personifica o rancor, a inveja, a cobiça e o ciúme. Castiga principalmente os delitos contra o matrimônio, em especial a infidelidade. É a Erínia que persegue com a maior sanha, fazendo a vítima fugir eternamente.Terceira das fúrias de Ésquilo, grita ininterruptamente nos ouvidos do criminoso, lembrando-lhe das faltas que cometera.

Tisífone, a vingadora dos assassinatos (patricídio, fratricídio, homicídio…). É a Erínia que açoita os culpados e enlouquece-os.

As Erínias são divindades ctónicas presentes desde as origens do mundo, e apesar de terem poder sobre os deuses, não estando submetidas à autoridade de Zeus, vivem às margens do Olimpo, graças à rejeição natural que os deuses sentem por elas (e é com pesar que as toleram, pois devem fazê-lo). Por outro lado, os homens têm-lhe pânico, e fogem delas. Esta marginalidade e a sua necessidade de reconhecimento são o que, segundo conta Ésquilo, as Erínias acabam aceitando o veredicto de Atena, passando mesmo por cima da sua inesgotável sede de vingança.

Eram forças primitivas da natureza que actuavam como vingadoras do crime, reclamando com insistência o sangue parental derramado, só se satisfazendo com a morte violenta do homicida.

Porém, posto que o castigo final dos crimes é um poder que não corresponde aos homens (por mais horríveis que sejam), estas três irmãs se encarregavam do castigo dos criminosos, perseguindo-os incansavelmente até mesmo no mundo dos mortos, pois seu campo de acção não tem limites. As Erínias são convocadas pela maldição lançada por alguém que clama vingança. São deusas justas, porém implacáveis, e não se deixam abrandar por sacrifícios nem suplícios de nenhum tipo. Não levam em conta atenuantes e castigam toda ofensa contra a sociedade e a natureza, como por exemplo, o perjúrio, a violação dos rituais de hospitalidade e, sobretudo, os assassinatos e crimes contra a família.

As Erínias são representadas normalmente como mulheres aladas de aspecto terrível, com olhos que escorrem sangue no lugar de lágrimas e madeixas trançadas de serpentes, estando muitas vezes acompanhadas por muitos destes animais.Aparecem sempre empunhando chicotes e tochas acesas, correndo atrás dos infratores dos preceitos morais.

Na Antiguidade, sacrificavam-lhes carneiros negros, assim como libações de nephalia (νηφάλια), ou hidromel.

Existe na Arcadia um lugar em que se atopam dois santuários consagrados às Erínias. Num deles, elas recebem o nome de Maniai (Μανίαι, as que volvem todos). Neste lugar, segundo a lenda relatada por Ésquilo na sua tragédia As Eumênides, perseguem a Orestes pela primeira vez, vestidas de negro. Perto dali, e segundo conta Pausânias, apontava-se outro santuário onde o seu culto associava-se ao das Cárites, deusas do perdão. Neste santuário purificaram a Orestes, vestidas completamente de branco. Orestes, uma vez curado e perdoado, aplicou um sacrifício expiatório às Maniai.


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06.05.2010


não sabemos bem
de onde, ou quando,
mas há de vir
de algum lugar
a vaga que levará
os restos dos
pesadelos, e
dos farrapos, e
dos grilhões da
esperança, a
qualquer momento,
em edição especial,
ou em programação
normal com o melhor
do carnaval.

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

05.05.2010


Um certo corte curto
tira-me o respirar
inunda o chão
aos meus pés
inflige-me
dores e cãibras
...
há letras e músicas
no ar circundante
onde não havia
mais que pó
antes
onde havia um
radar de captar
nada a declarar
onde o não sei
era quase talvez
quem sabe...

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E, então, bateu a Saudade de um dos Grandes Amores da Minha Vida...


Amor, Amor

Cazuza + Roberto Frejat + George Israel

Madrugada
Azul, sem luz
Dias de brinquedo
Linda assim me veio
E eu me entreguei
Inocentemente
Como um selvagem
Como o brilho esperto
Dos olhos de um cão

Amor, amor
Diz que pode, depois morde
Pelas costas sem querer
Amor, amor
Assim como um leão caçando o medo
Meu caminho nesse mundo, eu sei
Vai ter um brilho incerto e louco
Dos que nunca perdem pouco
Nunca levam pouco
Mas se um dia eu me der bem
Vai ser sem jogo

Amor, amor
Fiel me trai, me azeda
Me adoça e me faz viver.

Amor, amor
Eu quero só paixão
Fogo e segredo.

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terça-feira, 4 de maio de 2010

04.05.2010


























Abaixo-assassinado


De repente perco o equilíbrio
E sou um objecto caído no solo,
Sou objecto de desordem,
Sou objecto de burla,
Sou objecto de prazer,
Sou objecto de riso,
Sou objecto de análises,
Sou objecto de mira,
Sou objecto perdido,
Sou objecto subjectivo,
Sou objecto objector,
Sou objecto de desejo,
Sou objecto de crítica,
Sou objecto de estudo,
Sou objecto não identificado,
Sou objecto da polícia,
Sou objecto de piedade,
Sou objecto de ternura,
Sou objecto de nostalgia,
Sou objecto de maldade,
Sou objecto sem gravidade,
Sou objecto de rumores,
Sou objecto de prejuízos,
Sou objecto de traições,
Sou objecto de medida,
Sou objecto dos olhares dos outros,
Sou objecto de desordem...

De repente eu me deixo ser
E sou um ser que flutua nas nuvens,
Sou ser benigno,
Sou ser indigno,
Sou ser impuro,
Sou ser casmurro,
Sou ser divino,
Sou ser volátil,
Sou ser subtil,
Sou ser de encontros,
Sou ser de mim mesmo,
Sou ser dos outros,
Sou ser de fibra,
Sou ser de caranguejo,
Sou ser que mata,
Sou ser que monta,
Sou ser que mostra,
Sou ser que muda,
Sou ser objecto.

Sou objecto do ser.

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O Canto das Asas Silenciosas da Vingança...





Anjo (do latim angelus e do grego ággelos (ἄγγελος), mensageiro), segundo a tradição judaico-cristã, a mais divulgada no ocidente, é uma criatura celestial, acreditada como sendo superior aos homens, que serve como ajudante ou mensageiro de Deus. Na iconografia comum, os anjos geralmente têm asas de pássaro e uma auréola. São donos de uma beleza delicada e de um forte brilho, por serem constituídos de energia, e por vezes são representados como uma criança, por terem inocência e virtude. Os relatos bíblicos e a hagiografia cristã contam que os anjos muitas vezes foram autores de fenômenos miraculosos, e a crença corrente nesta tradição é que uma de suas missões é ajudar a humanidade em seu processo de evolução.


Os anjos são ainda figuras importantes em muitas outras tradições religiosas do passado e do presente, e o nome de "anjo" é dado amiúde indistintamente a todas as classes de seres celestes. Os muçulmanos, zoroastrianos, espíritas, hindus e budistas, todos aceitam como fato sua existência, dando-lhes variados nomes, mas às vezes são descritos como tendo características e funções bem diferentes daquelas apontadas pela tradição judaico-cristã, esta mesma apresentando contradições e inconsistências, de acordo com os vários autores que se ocuparam deste tema. O Espiritismo faz uma descrição em muito semelhante à judaico-cristã, considerando-os seres perfeitos que atuam como mensageiros dos planos superiores. Dentro do Cristianismo Esotérico e da Cabala, são chamados de anjos os espíritos num grau de evolução imediatamente superior ao do homem e imediatamente inferior ao dos arcanjos. Para os muçulmanos alguns anjos são bons, outros maus, e outras classes possuem traços ambíguos. No Hinduísmo e no Budismo são descritos como seres autoluminosos, donos de vários poderes, sendo que alguns são dotados de corpos densos e capazes de comer e beber. Já os teosofistas afirmam que existem inumeráveis classes de anjos, com variadas funções, aspectos e atributos, desde diminutas criaturas microscópicas até colossos de dimensões planetárias, responsáveis pela manutenção de uma infinidade de processos naturais. Além disso a cultura popular em vários países do mundo deu origem a um copioso folclore sobre os anjos, que muitas vezes se afasta bastante da descrição mantida pelos credos institucionalizados dessas regiões.

"...Não respondes - e em teus braços
Com frenéticos abraços
Me tens apertado, estreito!...
Isto que me cai no peito
Que foi?... - Lágrima? - Escaldou-me...
Queima, abrasa, ulcera... Dou-me,
Dou-me a ti, anjo maldito,
Que este ardor que me devora
É já fogo de precito,
Fogo eterno, que em má hora
Trouxeste de lá... De donde?
Em que mistérios se esconde
Teu fatal, estranho ser!
Anjo és tu ou és mulher?"

Almeida Garrett (04.02.1799 - 09.12.1854) in 'Folhas Caídas'

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As Asas da Vingança...

As harpias (gr: ἅρπυιαι), na mitologia grega frequentemente representados como aves de rapina com rosto de mulher e seios. Representadas ora como mulheres sedutoras, ora como horríveis monstros, as Harpias traduzem as paixões obsessivas bem como o remorso que se segue a sua satisfação. Na mitologia grega, as Harpias (do grego hárpyia, "arrebatadora") eram filhas de Taumas e Electra e, portanto, anteriores aos olímpicos. Procuravam sempre raptar o corpo dos mortos, para usufruir de seu amor. Por isso, aparecem sempre representadas nos túmulos, como se estivessem à espera do morto, sobretudo quando jovem, para arrebatá-lo.

Parcelas diabólicas das energias cósmicas, representam a provocação dos vícios e das maldades, e só podem ser afugentadas pelo sopro do espírito. A princípio duas - Aelo (Ἀελλώ) (a borrasca) e Ocípite (Οκύπητη) (a rápida no vôo) - passaram depois a três com Celeno (Κελαινώ) (a obscura) também chamada de Podarge (Ροδαργε). O mito principal das Harpias relaciona-se ao rei da Trácia, Fineu, sobre quem pesava a seguinte maldição: tudo que fosse colocado a sua frente, sobretudo iguarias, seria carregado pelas Harpias, que inutilizavam com seus excrementos o que não pudessem carregar. Perseguidas pelos argonautas, a pedido de Fineu, obtiveram em troca da vida a promessa de não mais atormentá-lo. A partir
de então, refugiaram-se numa caverna da ilha de Creta.

"...E, quando me cansar dessas farsas ímpias,
Pousarei no seu peito minha esbelta mão,
E meus dedos de anéis, como garras de harpias
Hão de rasgar-lhe a carne até o coração..."

Charles Baudelaire (09.04.1821 - 31.08.1867) in "As Flores do Mal"

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Um Canto Silencioso...


Sereia (do grego antigo: Σειρῆνας) é um ser mitológico, parte mulher e parte pássaro, segundo vários escritores e poetas antigos. É provável que o mito tenha tido origem em relatos da existência de animais com características próximas daquela que, mais tarde foram classificados como sirénios.


Filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore. Não confundir com Hárpias. Habitavam os rochedos entre a ilha de Capri e a costa da Itália. Eram tão lindas e cantavam com tanta doçura que atraíam os tripulantes dos navios que passavam por ali para os navios colidirem com os rochedos e afundarem. Odisseu, personagem da Odisséia de Homero, conseguiu salvar-se porque colocou cera nos ouvidos dos seus marinheiros e amarrou-se ao mastro de seu navio, para poder ouvi-las sem poder aproximar-se. As sereias representam na cultura contemporânea o sexo e a sensualidade.

Na Grécia Antiga, porém, os seres que atacaram Odisseu eram na verdade, retratados como sendo sereias, mulheres que ofenderam a deusa Afrodite e foram viver numa ilha isolada. Se assemelham às harpias, mas possuem penas negras, uma linda voz e uma beleza única.

Algumas das sereias citadas na literatura clássica são:
Pisinoe (Controladora de Mentes),
Thelxiepia (Cantora que Enfeitiça),
Ligeia (Doce Sonoridade),
Aglaope,
Leucosia,
Parténope.

Segundo a lenda, o único jeito de derrotar uma sereia ao cantar seria cantar melhor do que ela.

Em 1917, Franz Kafka (03.07.1883 - 03.06.1924) escreveu o seguinte no seu conto "O Silêncio das Sereias:

"...As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio..."

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

03.05.2010

Não fales de mim a ninguém
tens-me, estás-me, sou-te
e isso nos serve tão bem...
não me digas a qualquer um
guarda-me, esconde-me, engulo-te
que os sapos são vizinhos da verdade
não me dês, aos outros, notícia
que arde na língua, parte os dentes,
perfura os tímpanos, o dizer
dos que não saboreiam a delícia.

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domingo, 2 de maio de 2010

02.05.2010

Queda da Bastilha

pareceu-me ouvir



                           Bandeiras
enzimas
digestivas
narizes
congestionados
                           Cuisine Française
cortinas
de                       Ferro

camisas
de                       Força

pareceu me ouvir a ouvir-me assim

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sábado, 1 de maio de 2010

01.05.2010

Caminhava sobre o fogo
distraído quando vieste
ver-me, disseste coisas
impossíveis, fizeste
coisas impensáveis
fixaste-me os olhos
e calaste-te sonoramente
meus pés frios
fizeram-se ao caminho
que por pouco não
deu a ti, bifurcado,
apalpei a noite branca
à procura dos teus sons
mas ainda não percebi
o que não querias dizer.

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