Tantos Outonos

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Quem Quiser Saber, Há de Perguntar...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ainda 2010

e assim, cheguei
ao fim do ano
inteiro e vivo
estranhamente
inteiro
indubitavelmente
vivo...






















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Chinês

O NOME é

PAULO

e sou 

COELHO

no Horóscopo

Chinês...


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só para constar sou caranguejo no ocidental

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2011*

Ano do Bicho


Bicho do Ano
2011

* para aqueles que acham os coelhos dóceis...

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2011

Bicho do Ano


Ano do Bicho
2011

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31.12.2010

















caverna
eterna interna
perdida no breu
da noite original
do norte de papel
incêndios intermináveis
auroras
boreais
vento que venta ventando
gruta que engole
nocturna
boca que ferra
a carne dos lábios
taciturnos
grave greta
que agrava as insónias
que ecoa fúrias
e musas e hárpias
que imprime o som
das sereias na
carne das paredes
que adormece
à espera dos peixes
nas redes...


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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A perdição do amor em Camilo*

Haverá, nos dias de hoje, amor tão forte e tão devastador que faria alguém padecer por ele??? Eu, cá por mim, não tive a sorte de o encontrar e, muito provavelmente, a maior parte das pessoas que me lêem. É trágico o romance de Camilo Castelo Branco. Escrito no século passado, fez suspirar e ansiar muitos corações, por um amor tão arrasador e deprimente. Gostarão as pessoas de sofrer??? Temos todos de apreciar uma boa tragédia literária, em meio a tantos BigBrother e Novelas Globais... Se não for sofrido, o romance, não presta??? Uma heroína que morre num convento, sorte da Jade e suas pulseiras de pedras coloridas que só tem que obedecer às obrigações de uma mulher muçulmana, um herói que morre em alto mar, sem a chance de um Clone para substituí-lo, doente e angustiado...e para arrematar há o suicídio (merecido, diga-se de passagem) da única personagem feminina no enredo que faria do nosso Camilo dar provas de alguma sanidade terrena. Mas será, isto, possível??? Por mais que lamente desiludir os coraçõezinhos mais Celine Diónicos ou Laura Pausínicos, ninguém morre por amor. A dor de uma desilusão pode e deve, acima de tudo, fortalecer nosso espírito. Por falar em Literatura, quanto à importância dada pelos nossos “kridos” “profes” de língua (que delícia) e literatura dão a esta obra...resta pedir-lhes que a ênfase esteja centrada na qualidade da língua e não na sua forma de utilização dramática para uma história catastrófica e sem esperanças... Mas, que dizer mais, de uma autor que para dar um jeito à própria vida, não soube fazer melhor escolha que o suicídio??? Que bom!!!

P.S. : Há de arder no mármore do inferno eternamente!!!!

*pensamentos após mais uma leitura de Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco.

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FIZ

Desmafagafizas-me


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30.12.2010

















passam por mim
a jacto
deixando penas
problemas emblemas
para trás
veloz
provocam medos
horrores vapores
passam por mim
a nado
perdendo escamas
dramas medalhas
leite talhado
a apodrecer
padeço de males
estranhos
astrológicos
psíquicos
passam por mim
por cima
das pontes dos montes
fontes frentes elefantes
passam todos a correr
a escorrer
a desaparecer
na linha horizontal.


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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

do Outro Lado...


O Belo
Nada Mais é Que
O Horrível
Virado
do Avesso!

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NAS

Desgovernas-me


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29.12.2010







Atlântico


Cismo-te
terramoto
quando não estás
penso-te...
sinto-te
atadura
à volta da cintura
aperto-te...
aporto em teu corpo
tão perto
procuro-te...
aparo-te
quedas
em colo aberto
apanho-te...
a flutuar
nas nuvens 
mutantes
persigo-te
estradas
caminhos
sem norte
que conforte
meus olhos.


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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Sexo dos Anjos


Gostos não se discutem, muito menos os maus gostos, ainda menos os desgostos... Para quê discutir à volta do mundo, se estes ou aqueles têm mais ou menos razão, na defesa de seus pontos de vista? As razões, obviamente, serão sempre atribuídas àqueles que interessem como parceiros (sócio – económico – políticos). Há actos de terrorismo e actos piores, como gerar e parir uma criança. Trazer uma criança para este mundo, há de ser uma das melhores formas de confirmar as dogmáticas afirmações da Família, da Religião e do Estado. Ter um filho é como comprar artefactos bélicos de segunda mão, já que, como estes, além de não justificarem o dinheiro aplicado, nunca se sabe quando, nem como, vão explodir! Isso sem falar que o acto de parir é uma demonstração, óbvia, de ódio pelo resto da humanidade que, sem ter qualquer culpa, terá que aturar suas birras, gritos e falta de respeito, sem poder fazer ou dizer NADA, nem à criança nem aos pais, uns porque são auto-suficientes demais para dar atenção e outros por serem demasiado estúpidos para tomar atitudes. O vice-versa, aqui, é verdadeiro e indiscutível. Parir é, o mais violento, inesperado e destruidor, acto de terrorismo que se pode praticar!
Essas pequenas bombas-relógio que nos cercam, onde quer que estejamos, com suas brincadeiras (inocentes?!) são o resultado da má administração política e religiosa do mundo contemporâneo. São os mini-cofres de todos os anseios, medos, cinismo e pecados de seus pais, avós, bisavós etc. Não se pede que não nasçam, pede-se que quem os fez nascer, tenha a decência e inteligência suficientes para educá-los, alimentá-los e fazer deles adultos que não queiram cometer o mesmo erro de seus pais, que é simplesmente ter tido filhos. Aqui está uma forma sensacional de convencê-los: quando seu filho chegar aos trinta anos, apresente-lhe uma factura detalhada, com vinte e três por cento de IVA, de todos os gastos que teve com ele, desde a concepção até o dia de seu trigésimo aniversário. Tranquilize-o, dizendo que pode pagar em suaves prestações bonificadas, durante os trinta anos seguintes. Se depois disto, seus filhos ainda quiserem dar-lhe netos (essas coisas fofas!), interne-o ou deserde-o, ou, ainda melhor, dê-lhe um tiro no focinho, afinal o seu dinheiro foi muito mal empregado na criação de um estúpido renitente como ele. Peça-lhe a devolução, sumária, de todos os beijos de boa noite, desperdiçados, antes de matá-lo.

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Denasil


Um grande homem, 
que eu amei profundamente 
e que possuía 
uma inabalável ausência de fé...
saudades...

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Falésias e Caravelas

podia dizê-lo:


em diversas línguas
mas direi na minha


de muitas maneiras
mas direi à minha


podia falar:


de muitas formas
mas, considero
a língua portuguesa
a mais linda.


por isso digo.






























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CEM

Desencaminhas-me


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28.12.2010

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Antrax






Antrax
A N T R A X
onde está o meu...
antrax?
ainda não tomei


minha dosezinha
de ANTRAX



...
H O J E



...
Onde está o meu?

Ainda não?

Hoje!!!


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contornos definidos

















não necessito
telas de alta
definição
para assistir
o desintegrar
de algumas
pessoas
basta-me
aliás
ler os obituários
a preto e branco
dos jornais
esquecidos
nos caixotes
de lixo...


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SEM

Descompatibilizas-me


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27.12.2010











quando não é
parece
e quando parece
é quase
e tudo que é quase
não é
e se não é
foi quase
o que parece
que não é...


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domingo, 26 de dezembro de 2010

COM

Desconcentras-me

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26.12.2010











Quero a alta
fidelidade
dos cães vadios
muitos momentos poucos
algumas emoções
sem noção de tempo
quero o amor
sedento
dos cães sarnentos
a seda das línguas
nas virilhas
quero pesadelos
de juras eternas
relações modernas
quero a tortura
dos pregos
a tontura das aves
eu quero as nuvens
a chover o sangue
sobre as plumas
dos cães
muitos momentos parcos
alimentar os cães
que andam nas ruas.

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sábado, 25 de dezembro de 2010

10

Desconcertas-me

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25.12.2010












quero sorver o suor
sozinho aos sábados
subtrair sabor aos sons
significar sombras
e símbolos
substituir saudades
por suplícios
tocar o nervo sensível
observar o átomo
das emoções
subníveis
descargas eléctricas
sofrer a mutação
génica
do anódino amor
níveis e
subníveis
guelras barbatanas
escamas níveis
subníveis
o suor a escorrer
nas axilas
nas virilhas e
atrás das orelhas.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ME

Desassossegas-me


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24.12.2010

























os dois em movimento
contra o fundo
das árvores em movimento
ao sabor do outono
que voa no vento
os dois
mãos dadas
a caminhar sobre as folhas
contra o chumbo do fundo
céu revolto
os dois aos beijos
a trocar humidades
a lamber folhas
"como leve pluma
muito leve, leve pousa"...
os dois a espalhar
folhas, fagulhas
os dois a saciar
fomes antigas e novas
o dois a sangrar
outonos divididos
outonos eternos
os dois...


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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Será que...


É preciso dizer mais alguma coisa?

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Perdendo os três...


Há que perguntar ao grande público, num arremedo de levantamento estatístico, elo mais fraco, sob os auspícios de Paulo Portas e no âmbito da administração dos quadros superiores da Universidade Moderna, quem afinal vem a ser Peter Greenaway?  Ou David Lynch? Ou ainda David Cronenberg?
Se acharmos que facilita, podemos dar-lhes a escolher entre três hipóteses:  a – Artistas Plásticos   b – Realizadores   c – Não são políticos nem futebolistas portugueses.
A nível estatístico, pode-se esperar uma esmagadora escolha da terceira alternativa, já que para o público português é a mais possível e menos arriscada!
Por um lado, por que as Artes Plásticas são uma coisa que lhes escapa ao domínio (culpa da escola e não deles!).
Por outro, realizadores não são importantes, pelo menos não tanto quanto o Van Damme, o Stallone ou o Schwarzenneger, e apesar dos nomes não serem muito diferentes dos nomes dos futebolistas que neste jardim atlântico actuam, só o caso da última opção começar por um “não”, já se apresenta como boa alternativa para afagar o infinito e encastrado negativismo lusitano.
Desta maneira: “O cozinheiro, o ladrão, a mulher dele e o amante dela” podem por sua domingueiras roupas de “Veludo Azul” e irem todos pela auto-estrada a 360 km/h até que um “Crash” resolva o assunto.

P.S.: Aguardamos ansiosamente os resultados e o novo filme de um tal de Pedro Almodóvar.
P.S.2: Queremos também ver a sequela: “Harry Potter e a pedra fundamental de Alvalade”.

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Pénis Pânico

Nosso velho amigo Pénis não é mais o signo de poder patriarcal, tampouco continua a ser o sonho da semiótica da descentralização, que, seja lá como for, diluiu-se na ideologia do Falo; nosso velho amigo é, agora, pós moderno e faz-se o signo emblemático da doença, decadência e desperdício. Estamos a atirá-lo à fogueira, a caminho do fim do mundo. E já não era sem tempo! Pois que em todas as novas tecnologias sexuais, que contemporaneamente fazem possível um sexo sem secreções (telefones, Internet, D.V.D., engenharia genética), em todas estas tecnologias, o Pénis, tanto como apêndice ou como ideologia, perdeu sua força – já não come ninguém – tornando-se uma imagem residual. Sobretudo na visão dos requisitos de nossas sociedades temáticas. Previsível?! O corpo masculino tem sido, sempre, objecto privilegiado e efectivo da colonização psicanalítica bifurcada: a psicanálise do receptivo, pelo princípio do não reconhecimento, onde o espelho partido reflecte o jovem burguês em substituição á ilusão da unidade substancial, fornecido por um fictício, abstracto Ego, como identidade concreta; depois ao nível do social, onde a ideologia interpela indivíduos como sujeitos. Pode isto dever-se a que a Pós-Modernidade seja uma sedimentação da subjectividade, ou seja, a constituição do ser masculino como uma sobre imagem da problematização moral do prazer e dos procedimentos confessionais. 

Agora, que já fomos além dos momentos primordiais do sexo, além do sexo enquanto natural e enquanto discurso. Que vamos em direcção ao sexo enquanto fascinação, sempre que este seja sexo despreocupado, de descarga. Um sexo paródia, que vai além da sexualidade psicanalítica e do poder do excesso; que passa dos “cuidados pessoais” ao “frenesi”, que passa do “buscar prazer” ao “problema moral” do sujeito em relação ao seu comportamento sexual e a escorregar para um quê de tosco e decadente. Não nostálgico por uma estética da existência do hoje ou por uma hermenêutica do desejo. (Estes estão ultrapassados!!! E quem se preocupa com isso???) Sexo paródia na sua expedição de uma “desregrada” recusa de actividade. Sem a coerência do sujeito ético (que nunca motivou ninguém, excepto numa imitação do momento da morte psicológica ou filosófica), mas, com a excitação até ao nível tóxico, numa alegoria sumptuosa da perda e do excesso orgástico. Um sexo não produtivo. Um sexo cada vez mais improdutivo, sem secreções, como lugar da morte da sedução, como algo que faz do próprio sexo algo de aceitável na condição pós-moderna.

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Saudades do Caju


Quando eu estiver cantando
Não se aproxime
Quando eu estiver cantando
Fique em silêncio
Quando eu estiver cantando
...

Quando Eu Estiver Cantando - 
Cazuza / João Rebouças



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23.12.2010







porque é que as pessoas
nunca dizem "eu te amo"
no momento e lugar certos?
porque nos deixam à espera?
como se não pudessem
decidir-se por desligar
as máquinas que nos mantém
vivos em irremediável
estado suspenso...
as pessoas ligam 
o automático e passam
a olhar para nós
como se fossemos um
gramofone, uma
caixa de música, um
guarda-chuva...
porque é que as pessoas
nunca nos dizem
"eu te amo"
quando estamos despidos
de palavras e
cobertos de razão!?!?


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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

eSSeS eSSeS

Então, aSSim
a vida faz-Se
de eSSeS...
90% SofrimentoS
o reSto é Sexo,
Sono e Sopas,
SaladaS Sem Sal...


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22.12.2010



























de repente, deixou
de escrever canções
estava seco
já nada lhe extraía
o sumo
poucas luzes lhe indicavam
o rumo
passou a aninhar-se
nos cantos
a roer os ossos
da memória.


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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

21.12.2010


Tinha uma relação
linda e durável
com a pessoa que amava
e às vezes apanhava-se
a pensar em outros seres
então atacava-lhe
a paranóia 
de, possivelmente,
estar a abs-trair...

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

20.12.2010







caía em azul
tudo o que era azul
e mais e mais e mais
azul
como os dedos das
adolescentes japonesas
em azul claro e profundo
em azul
como um buraco na parede
céu em arco por cima
de quem dorme na rede
em azul tudo caía
as saias os sonhos
os cílios das prostitutas 
panamenhas
azul neve sobre os ombros
das estátuas dos generais
que ninguém conhece
os pés dos pombos
os lábios congelados
caía tudo em azul
o bando de gansos
a voar rumo ao sul
os olhos dos gatos
as gotas de orvalho
as folhas no chão do outono
não, essas não, essas são
alaranjadas
contrastam o azul
por oposição
e todo o resto em decomposição
tudo caía em azul
mesmo o que não era
ou fora ou estivera
muito tempo à espera
caía em azul
mesmo aquilo tudo
que já deixara
há muito tempo de ser
tão azul.


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domingo, 19 de dezembro de 2010

Eu, Me e Mim



Momentos de Mim Mesmo

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19.12.2010


teu nome explode
no céu da minha boca
droga proibida
fogo de arte e ofício
estilhaços a picar a garganta
fagulhas malaguetas
teu nome explode
quando o digo entre os dentes
e segue em desfile
como uma banda de tambores
passa marca-passo a passear
nos ouvidos dos que não sabem
teu nome de homem
que amo que pronuncio
que silencio
explosão calada teu nome
a bater latejado no peito
no baixo ventre
teu nome é uma cólica
de que não me livro
que não leio nos livros
explosão incontida
teu nome explode em 
meu peito
provoca-me distensões musculares!

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sábado, 18 de dezembro de 2010

Terceira rocha a partir do sol


















Os homens têm-se matado, uns aos outros, indiscriminadamente. Atiram-se, uns aos outros, como feras conscientes, com fome e sede de sangue e vingança. Os homens pensam, todos, que todos devem pensar como eles. Os homens dizem que querem a paz e armam-se até aos dentes. Os homens esquecem-se que cada homem tem o direito de sê-lo, de se pensar, de se fazer homem. O dom de pensar tornou-se um castigo. A fé metamorfoseou-se em ira, a ira fez-se certeza. Os homens estão esquecidos que as correntes que os prendem às suas liberdades, fazem-nos perder a noção do todo. Os homens estão esquecidos de sua capacidade de pensar. São os piores predadores pois matam e não comem. O poder independe da fama. Os homens não têm mais tempo de se sentar e falar uns com os outros, respeitar o pensamento dos outros. Os homens devoram-se uns aos outros, destroçam-se mutuamente. Os homens matam, basicamente, os homens matam.  Matam o semelhante, o diferente, o concordante, o divergente, o dissidente, o revolucionário e o estagnado... Os homens matam, isto é o mais deprimente. Os homens falham, erram, dão à luz e enterram. Os homens dizem que não é agora a hora do encontro, o tempo do retorno. Os homens fizeram do espaço um trágico cenário, desfizeram a cena, compuseram, desfizeram. Os homens mataram a lady e a madre, queimaram a bruxa, queimaram a santa, desfiguraram a cena em trágico cenário. Os homens retornam, adornam, discursam. Périplo do reptos, escamas de répteis ou diáfanos voláteis, os homens não têm valor, não têm vapor, não têm amor... O fogo não de mede ao grama, a rede não define a trama, mesmo a chama não faz barro da lama, o sexo não cabe na cama!? O melhor leite, nem sempre, se mama... O fruto é mais doce se está perdido na rama. Os homens devoram, depois vomitam e lambem à volta. Perdem as chaves e não batem à porta, batem a porta. Os homens emitem, os homens imitam, os homens disparam, abatem e matam. Os homens arbitram como os abutres, choram como os chacais, os homens sonham em ser racionais. Os homens criaram as leis e os desvios, as regras e os desvarios, não os mares, mas sim, os navios, as velas e os pavios. Os homens têm cores, dão flores, os homens são nada, os homens são nada além de homens. Os homens criaram o tempo, criaram as horas que, agora, já não eram pedaços de tempo, pilares de um templo. Um dia há de vir em que as horas não saberão medir o tempo. As horas não serão mais que migalhas. Quem disse que agora não era a hora, nem ficou nem foi-se embora. 

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