quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Conversas



Eu: "Beija a minha boca enquanto minha sede é pouca."

Tu: "Beija a minha bunda enquanto minha sede inunda."
Eu: "Beija a minha piroca enquanto minha sede sufoca."
Tu: "Beija meus colhões enquanto minha sede supões."
Eu: "Beija-me todo enquanto com sede eu te fodo."


PAR e Rodrigo Ribeiro 

19.12.13
16:16 e 18:18

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Car a col




O Car acol Ocar a col o cara col oca racol
colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.




PAR - PT
27.11.13

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Livro das Faces


dormia naquelas páginas
um ser desejado
como que habitante
de um sono
de ninguém
residente de um lugar 
nenhum da nossa
memória!

PAR - PT
25.11.13

domingo, 24 de novembro de 2013

Amor tecido

Coração que não bate descompassado sem ritmo e sem pressa passa como tu passas tranquilo à minha frente sem olhar para trás amor que passa sem passo certo amor incerto de passo apressado amor sem dó nem compaixão amor que rasga o coração. Paulo Ramos 20.11.13



terça-feira, 23 de julho de 2013

O Poema que me Trouxe o Joaquim


|Se eu te pedir trazes os teus braços até à varanda?|

Sim! Muito.

|Encontramo-nos, então, no meio, no salto...|

|Talvez quando chegarmos àquela temperatura em que o volátil faz-se sólido!|

|E pudermos esperar que o crepúsculo engula os verdes que esquecemos.|

PAR - PT

23.07.13

quinta-feira, 18 de julho de 2013

18 de Julho de 2013

Autorretrato Pintado com a Língua

São cinquenta, meus amores, anos passados sem muita coisa para lembrar e algumas a agradecer, como a existência, imprescindível, da minha mãe, do meu querido amor e companheiro Nelson e dos amigos (efémeros ou eternos).

São cinquenta, meus amores, de uma grande quantidade de arrependimentos e das sequelas psicológicas das chuvas de canivetes que me caíram em cima e dos arcos-de-íris do orgulho de ser quem sou e nada me passar por cima.

PAR - PT
18.07.13


terça-feira, 28 de maio de 2013

"de conversa em conversa."

(Paulo Acácio Ramos e Dante Pincelli)





Temos conversa de compadres que nunca mais acaba
conversas de abracadabra, sem padres, sem madres, sem deuses
Papo de irmãos que nunca chega a ter um fim definido
papo infindo, de irmãos chegando e partindo
Jogo de bola de toma lá dá cá feito de passes certeiros
certeza que embola o meio campo, mas nada, que um drible não resolva
Reverberações silenciosas de ocultas horas de sonhos
Sonhos que ecoam sob os colchões dos cadáveres da poesia

A composição das nossas harmonias é dupla e fresca e clara
obra prima, rima rara, morro acima, iluaiê odara
Dobramos versos em cordas e fios de cabelos afinados
despenteamos os acordes menores num solo de xilofone rachado
Retesamos nervos e músculos na luta proscrita das clavas
cravamos setas incertas nos corações dos neo-estetas
No duro depois do suor do fazer as palavras ditas a dois
feijão com arroz, dois ovos fritos sob a gola do sobretudo do poeta inglês

Diante um do outro sem ver sorvemos verões
sol-vemos em brilhos e vírgulas, na cara estampada de feliz
Em nossos corpos cansados das libações outonais
Tocam-se num ínfimo átomo do distante momento
lua, sol, dó, si e, lá, onde a curva faz o vento
Água, cal, pedra, poesia, sangue, porra, suor e cimento.



O VELHO PAR
TROFAS MACAENSIS
MAI/13

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Destragédia



ah, meu amor
o que eu te dei
o deserto em flor
um jardim de areia
um tanque de piranhas
para tomares banho...

PAR - PT
11.04.13

A Lenda da Girafa sem Cabeça.




Era uma vez uma Girafa que não tinha percebido que não tinha cabeça, o que era óbvio, pois não possuía olhos que lhe permitissem ver ao espelho uma tal ausência... De qualquer maneira quase ninguém percebia sua situação defectiva, já que para todos parecia sempre estar à procura de alimento por trás de uma copa de árvore qualquer... E viveu, feliz para sempre, enquanto foi possível.

PAR - PT
12.04.13

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Incomédia




ah, meu amor
o que eu te dei
o que eu te dei
dei-te de mim
o que havia
dei-te o que tinha
dei-te de mamar
quando não tinha
leite
dei-te sobre o leito
o que não dormia
dei-te mais que possuía
muito mais do que havia
procurei-te onde não ia
contei-te o que não sabia
se querias ouvir
neguei-te tudo que tinha à mão
tudo que apanhara no chão
calei-te com meu silêncio
calei-te com minha calma
calei-te em minha alma
ah, meu amor
o que eu te dei
nunca foi tudo que havia
pois havia coisas que não dizia
o que eu te dei
nunca foi tudo que possuía
pois tinha coisas que não queria
o que eu te dei
foi tudo que eu era
era tudo que eu fui
ah, meu amor
desfiz todas as paredes
desabri todas as janelas
desesqueci tudo o que tivemos
dei-te as chaves do meu mecanismo
oleei as juntas do meu organismo
com o leite que roubei às vacas
deita-me a cabeça no ombro
e deixa-me descontar-te contos
de fadas absurdas
e princesas cansadas
ah, meu amor
o que eu te dei
amei-te mil anos
e sei que amarei
outros mais
adormeci-me e esqueci de mim
por muitos e muitos anos
à espera do teu
final feliz
ah, meu amor
o que eu te dei
de quase mim
para salvar um meio-eu
de ser inteiramente ninguém
ah, meu amor
que qualquer um podia ter sido
não fossem as ampulhetas
e as tabelas horárias dos comboios...

PAR - PT
10.04.13

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

5 Micro-contos Desencantados.




...Caixa pronta, acondicionada, sobre a mesa... 
Saiu para fazer umas coisas... morreu atropelado!  
A caixa ficou, pronta e fechada, sobre a mesa.


...Desejava ardentemente um elevador, 
porque essa coisa de subirem à torre 
estava a matá-la de dores de cabeça.


...A Bela acorda, sente lábios colados aos seus. 
Pára, diz ela, deixa-me ao menos escovar os dentes.


...Ficou branca, como a neve de caspa no cabelo da bruxa... 
Isso de Micro-contos é coisa de anões!




...Pintou o cabelo de verde e apresentou-se às autoridades locais 
na ténue esperança de um recâmbio ao seu planeta de origem.



PAR - PT

Santa Poesia