Tantos Outonos

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Quem Quiser Saber, Há de Perguntar...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

28.02.11


a boca alastra-se
transforma-se em túnel
em tubo que fura
a carne do cubo
a boca não cabe
nas grades dos dentes
a boca escancara-se
revira-se em tiras
a boca cospe
e baba e mastiga
a boca arreganhada
desvencilha-se
dos ventos que ecoam
suas mucosas
a boca absorve
o ar que infla
os corpos cavernosos.

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27.02.11


houve o susto
depois acordar
ouvir canto de
passarinho
escondido
ouvir o que vem
no ar
na asa
no voo da asa
depois acordar
ofegar até
esquecer o susto.

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

26.02.11


por noites e noites ao longo
andei a esmo sem guia
sem guarda sem ti
onde estavas não sei
o frio que sentias
não cobri
tento adivinhar
de que maneira sobrevivias
e não te encontrei
em varandas ajardinadas
ou saguões de hotel
vigiavas-me
eu sei nos luares
sombrios dos campanários
à beira da estrada
fora dos mapas
arca enterrada de piratas
com teus olhos fogos
de artifício
a explodir nos céus
cinzentos dos mares
que naveguei à tua volta
em vão...
devolver ao destinatário
carimbavam todos
os olhares que te remeti
renitente
não desisti dos cartões
com vistas
tão óbvios e retratistas
fiéis aos seus pontos
turísticos
como se os teus olhos
perigosos e lentos
omnipresentes
não os decorassem todos
e depois em pedaços
os deixassem no fundo
de um cesto...
passei dias a beijar teus lábios
no espelho do quarto
e teus olhos não
se encontravam lá
teus olhos de vaca
de loba no cio
o mar lambeu-me
das entranhas
tua ausência
levou-te maré alta
para as costas da terra
do fogo...
fiquei a observar os cavalos
a ruminar tolamente
a grama em frente
à tua casa
as sete setas negras do ciúme
cravaram-se-me ao cerne
da carne
luz vermelha a 45 graus
tango em off...
fase minguante de lua negra...
a faca e a rosa vertem sangue
âncoras tatuadas
calcinhas penduradas no box
a paixão é um monte de pelos
na escova dos dentes
eu estive escondido na rua
pensei que nunca fosses chegar
temos de arranjar um culpado
para os crimes
e façamos a discussão
em termos cordiais...
convenhamos meu anjo
nunca pensaste em me dizer
as mentiras
melancolicamente normais
dos amantes
sempre mantivemos
entre nós
a franqueza dos farsantes...
eu apagava a luz
trancavas a porta
e nós comíamo-nos
em nossa câmara de gás
Mein Got
como nos enganamos
eu usava teu batom
e te cobria de porrada
tu lacrimejavas e ías
à manicure
as tuas unhas vermelhas
carrasqueavam-me
os testículos
doía o inesquecível
ritmo de bater em tuas
nádegas e eu te cobria...
roubavas o lençol
nas noites febris
Março quase findava
ou princípio de Abril...
babei muitas vezes teu ombro
e quase partiste a clavícula
não fiques aí a olhar-me
arregalada
que eu preciso dar um jeito
de limpar o sangue
dos ajulezos da cozinha.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Passado


Há 26 anos conheci
a mulher perfeita
para a minha misoginia...

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Cama sem Coberta


boca de túnel
passado
presente
unidos no fim
miscelânea
caos de gostos
e de cores

luz de alerta
cacos de vidro
sabor mentolado

surgem saídas
bocas de bicas
bicos de brocas
na boca da toca
a troca das cores

doce presente
passado a limpo
doido passado
presente no limbo
memórias do coma
correm nos canos
...

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25.02.11


pernas travessas
levam meus sonhos
meus dramas
trovão repetido
ecoado nos tímpanos
sons de tambores
batida exacta
soprano que grita
família que grita
rua cidade
que gritam
que reverbera
pele de sonhos
que se repetem
tambores dramáticos
marcha de pernas
travessuras agudas
e gritos trovões
tímpanos corações
largados esquecidos
postos servidos
numa estranha
travessa

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Fervura


Fevereiro
ferve gelado
em seu cofre
dourado
magnólia desabrochada
no coração
do Inverno
...

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24.02.11


corpo traído
atraído
pela suculenta
vingança
corpo cansado
perdido na dança
sangrenta
dos desejos
do corpo
só pele só pelos
só carne
poça de urina
no chão da estrada
cortada pelo banbuzal
afora
fora do ritmo
dos quadris despencados
avenida abaixo
frenéticos
em câmara-lenta
violenta
batida das caixas
dos taróis
no centro da sala
solas marcadas de cera
folias reis portas bandeiras
êxtase de festa no corpo
traído
pelo cansaço
da dança...

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

23.02.11



bebe do que deito
pelos poros
líquidos puros
sabores seguros
parcas saudades
bebe do meu orgasmo
engasga do meu óleo
e dá um grito
de quase morte
ao meu ouvido
embebe teu corpo
no que me sai
assim do corpo
bebe o sumário
do que o meu corpo
deixou no teu
desata-me lágrima
salivada pelos olhos
mata-me a sede
no vinho que suo
quando te possuo
e pouso meu peito
por cima do teu
bebe do que sai
da minha pele
do humor cálido
que me recobre
película
vapores sólidos
e pálidas memórias.


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jardim de Alah


se o tempo não explica
não justifica
o tempo da espera
implica em desespero
complica o espaço
à tua volta
quando caminhas
no aterro
quando te arrastas
no calçadão
com teus órgãos vitais
na mão
coração rasgado
peito aberto
e a tempestade
cada vez mais perto
tempo que explode
sangue que escorre
nas encostas
da pedra da gávea
espaço liso cinzento
pegajoso
que escorre nos brônquios
inunda teus pulmões
chuva caindo
corpo caído
vida que cai sobre ti
como caem os raios
como saem as saias
como acabam os Maios
como as nuvens
a ferrugem
e o medo
que as pessoas têm
de nunca mais voltar
a ser amadas
tudo acaba
tudo seca
tudo passa
tudo tudo é tempestade
rio que corre nas grotas
rio que brota Janeiros
rios de suor e febre
farsas tépidas
do trepidar das rochas
e um terremoto
nas carnes loucas
das tuas pernas
penas no ar
vindouros Dezembros
com palavras vertidas
em jarros de alabastro
tuas lágrimas navegam
a lagoa
e vão pelo canal
até o mar de Ipanema

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22.02.11



gato sobre muro
luar sobre gato
e a noite já é um fato
Alice crescendo sozinha
Alice não via o gato
Alice andava de jato
Alice comia verdura
Alice detestava carne
ainda mais carne de gato
Alice não toma chá
não usa chapéus
Alice vive nas ruas
agora Alice não mora
Alice nunca namora
Alice agora tem rugas
Alice perdeu a fé
Alice é como um gato
a sorrir suspenso na luz
de um luar garrafa de vinho
dormindo num bar.


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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Hemácias


Só desejo que caias
num mar infestado
de milhares de tubarões
e que por coincidência 
estejas menstruada...

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21.02.11



a chuva inebria-se
em gotas
nas pedras da calçada
a chuva a carpir-se
a chuva a desfigurar-se
com suas garras doces
chuva bêbada que lambe
as pontas dos dedos
a chuva desonesta mente
para nós nas lonas
dos guarda-chuvas e das lojas
a chuva fingia que molhava
e chovia e chovia e chovia
húmida sobre todas as roupas
a chuva incumbe-se de pesar
sobre as asas das aves
a chuva chora e chove
nas vidraças dos olhares
a chuva lava o sal
dos corpos enlaçados
dos corpos distraídos
dos corpos que dissolvem
como papéis à chuva.


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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Perereca


- Ah! Não podia engolir?
- Mas, os sapos são tão saborosos, oh!?

Resmungava a princesa, à beira do lago.

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20.02.11



tenho andado desencontrado
sem saber de mim
o que fazer de mim
sem saber se quem me ama
realmente me compreende
ou se compreende
porque não demonstra que
me ama
tenho andado desconcertado
desconcentrado desaparecido
dos meus pensamentos
deamasiado ocupado
em arranjar documentos
que provem aos outros
o que sou o que sei
o que dou o que usei
onde vou
tenho andado e parado
e andado e pedido
e deve ter chegado
o momento
de cagar e andar...

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

19.02.11



havia um xis no centro
exatamente no centro
era óbvio e bem visível
mas ninguém lhe tocava
ou aproximava
ou investigava
todos estavam parados
no mesmo pensamento:
não deve ser nada
de importante
uma vez que no meio
de tantos
ninguém lhe punha a mão.


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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Afirmação


escrevo cada palavra
como se a entendesse
como se coubesse
em um punhado
de letras o significado
da existência...

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18.02.11



o fim do dia
não se anuncia
cai sobre nós
como uma caixa vazia
desaba aos pedaços
como uma parede
que se descola 
de seus azulejos


o fim do dia
é frio
como a água que passa
no rio
que cobre carnívoro
os nossos pés


o fim do dia
é vazio
como o oco
do dia
como o coração
da melancia


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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

17.02.11



creio que já te li 
milhares de livros
com tantas frases
diversas páginas
de prosa poesia prosa
contos simples dramas
complexos
contei-te as histórias
rimei coisas
assilábicas
gritava-te enredos
enquanto me engolias
pelos olhos enormes
que arregalavas para mim
sentenças compridas
palavras esquecidas
e tantos significados
parcos e mudos
adjuntos adnominais
e complementos verbais
que não fazem
sentido algum
mera paronomásia...


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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

16.02.11




à espera do dia
à espera da volta
à espera dos outros
à espera que acabe
o tempo da espera


à espera do ponto
em que os relógios
param e andam para trás
à espera dos cucos
à espera dos pêndulos


dos ponteiros
à espera dos segundos
a correr pelas horas
à espera que o tempo
escorra pelos interstícios
dos azulejos


nos ladrilhos da cozinha
as formigas contam
a passo o passar dos minutos
à espera do subir
e descer das marés
do abrir das magnólias


à espera dos cheiros
dos frutos que caem
à espera do vento
que acentua as palavras
que referem o verão




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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

15.02.11


Borboleta do Caos

ovo casulo cogumelo
ninfa pupa lagarta
polpa tegumento placenta
membrana semi-permeável
mitocôndria labirinto
labareda miasmas hiatos
lamparina gimnosperma
artroses flebites varizes
lepidópteros pteridófitas
falo fimose família
falência lábio frustração
prepúcio medo castração
industria fábrica união
república mentira erro
grito grelo gesto gelo
diamante freio circuncisão
fêmea corno desintegração
vento sol borboleta chão

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Sublime


Se alguém encontrar
palavra melhor para
descrever, por favor,
escreva-a!!!

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Divisão


NÃO são os normais
que me preocupam
preocupam-me aqueles
que afirmam sempre
que são os NORMAIS.

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Adriana


Adriana às vezes parava
e olhava para o mar
e calava-se a olhar o mar
simplesmente calava-se
quando parava e olhava
para o mar e às vezes
quando olhava para mim
...

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Take a Shit


first things first
e depois é só
limpar o cu
e pressionar
o autoclismo...

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14.02.11



e por assim dizer
é o que é ou
o que há de ser
caixa partida
de vidro
e os males pelo chão
espalhados
sem esperança
e os bens no chão
e não há nada
e não há mão
e o cinza e as cinzas
os beijos
do outro lado
da fronteira
há um beijo que espreita
que salta bicho
de lado a lado
com asas de 
pétalas de girassol
telescópios
lamparinas
papéis de tornassol


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domingo, 13 de fevereiro de 2011

13.02.11




apoio e suporte
mas que merda é essa?
sou e estou
sempre sozinho
nunca contei com
ninguém
e não há de ser agora
solidariedade
exige respeito
e este clama
conhecimento
e como não há
quem conheça 
o outro
o respeito evapora-se
e com ele
pairará nas nuvens
a tal solidariedade
sou e estou
sempre sozinho
e não conto
com qualquer apoio
ou suporte
de merda.


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sábado, 12 de fevereiro de 2011

12.02.11



mergulho no desinteressante
modo de contar coisas
que as pessoas têm
deixo-me levar pelo 
rio de tédios
do manancial de suas bocas
debato-me
dou braçadas mas não
consigo por-me na outra
margem
a menos segura
onde repousa saber
e cultura
e o rio seco envolveu-me
em suas penas
as falas estalam sob o peso
do sono que me provocam
tento em vão dar-lhes
qualquer atenção mas sou
engolfado pelo enfado
de seus dizeres...


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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

180763


..."Aproveitamos, então, para descer pela beira que contorna o quarto círculo. Lá vi mais almas que em todos os círculos precedentes. Estavam organizadas em dois grupos que se enfrentavam, com os peitos nus, rolando grandes pesos em sentidos contrários até colidirem uns com os outros. Após o choque um grupo gritava “por que poupas?”. O outro gritava “por que gastas?”. Depois do choque seguiam em sentido contrário até se encontrarem novamente, do outro lado do círculo. E assim continuavam por toda a eternidade. Com o coração pungido de desgosto, perguntei: — Mestre, quem são essas pessoas? Eram padres essas almas que vejo aqui do lado, com corte de cabelos em cercilha? — Todos — respondeu o mestre —, em sua vida terrena, não foram judiciosos com seus gastos. Isto declaram, quando se encontram nas suas culpas opostas. Esses de coroa pelada são clérigos, papas e cardeais, nos quais a avareza se manifesta mais facilmente. — Mestre — falei — em um grupo como este certamente serei capaz de reconhecer alguém. — É inútil a tua esperança. — respondeu o mestre — Sua vida sem conhecimento os tornou imundos e agora é mais difícil reconhecê-los. Eternamente se enfrentarão, aqueles de punho cerrado e aqueles outros sem cabelos. Mal dar e mal guardar os tirou do mundo, colocando-os nessa rinha. Mas não vale a pena mais falar deles. Vês, filho, como de nada adianta os homens brigarem pela fortuna? Pois todo o ouro que está ou já esteve sob a Lua não comprará um minuto sequer de descanso para essas almas cansadas. — Mestre meu — disse eu — me dize o que é a Fortuna de que agora falas? Como é que ela é, essa que guarda todas as riquezas do mundo em suas mãos?"...

de A Divina Comédia - O Inferno de Dante Alighieri

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180763



... "Recuaram esses como puderam, Há ali mortos, há ali mortos, repetiam, como se os próximos a morrer fossem eles, em um segundo o átrio voltou a ser o remoinho furioso dos piores momentos, depois a massa humana desviou-se num impulso súbito e desesperado para a ala esquerda, levando tudo à sua frente, desfeita a resistência dos contaminados, muitos que já tinham deixado de o ser, outros que, correndo como loucos, tentavam ainda escapar à negra fatalidade. Em vão corriam. Um após outro, todos foram cegando, com os olhos de repente afogados na hedionda maré branca que inundava os corredores, as camaratas, o espaço inteiro. Lá fora, no átrio, na cerca, arrastavam-se os cegos desamparados, doridos de golpes uns, pisados outros, eram sobretudo os anciãos, as mulheres e as crianças de sempre, seres em geral ainda ou já com poucas defesas, milagre foi não terem saído disto muitos mais mortos para enterrar. Pelo chão, espalhados, além de alguns sapatos que perderam os pés, há sacos, malas, cestos, a derradeira riqueza de cada um, agora para sempre perdida, quem vier aos achados dirá que o que lá leva é seu."...

de Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago

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11.02.11



seduz-me a medusa
violenta
com seus dois olhos
em chamas
chama por mim em
sibilos
congela-me o sangue
nos rins
deusa serpentária
com delícias no veneno
a endurecer tudo em mim
a fazer-me pedra
deixando-me só em um canto
duro
esquecido da existência
frio sem febres
desidratado
estátua heróica
do masculino imperfeito.


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Alguns Arranhões


e agora
tenho me apanhado
a evitar
tropeçar nas memórias!
mas é difícil
não há vassoura
para varrer a ausência.

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dor



cruel realidade
indizível passar
do tempo insaciável
dor e dor e dor
ter de aguentar
ter de engolir
mudar de assunto
fingir racionalidade
dor e dor e dor
guardar na memória
para sempre
detalhes indícios luz
como se a sombra
desse à luz
seu derradeiro
significado
saber da impossibilidade
saber o intangível
ignorar o óbvio
dor e dor e dor
ausência distância
noite que se arrasta
e leva consigo as sombras
do indecifrável
a dor como flor
de cor inacessível
a dor que penetra
fina como a sombra
dos bigodes de um gato.


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Tristeza


...   ...   ...


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10.02.11



a contenda continua
e o herói de sangue
e seiva despeja o tutano
no fio da espada
descarrega seus carmas
na carne do outro
herói por oposição
os dois sonham
as famas e as
conquistas os dois
alimentam memórias
futuras os heróis
serão sempre memórias
talhadas em pedra ou
metais no centro das
praças com flores em volta
com pombos em cima
e a contenda continua
indefinida e 
eternamente...


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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tristeza


...

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Teia

a ausência


























cheira
atrás das portas




































dentro
das 
gavetas












































e     nas     molas   do    varal...




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09.02.11



na câmara escura
da corcova do camelo
encontrei dedos
a mexer-me nas partes
escondidas
dedos escuros
que furam a pele
e abrem caminhos
nos pelos da púbis
gônadas rachavam
sob o peso dos dedos
encolhiam-se vítimas
de precógnito medo
dedos finos
a correr oleosos
nas dobras das peles
amêndoas silenciosas
em superfície glandular
dedos desconexos
dedos complexos
burilam as virilhas
no breu das cavernas
do bucho dos bichos
os dedos mastigam
engolem ruminam
o resto do sexo
que há em mim.


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adopt your own virtual pet!
adopt your own virtual pet!