quarta-feira, 11 de julho de 2012
A Nudez Feminina não me Atrai...
Um corpo masculino, nu...
É uma revelação divina.
Um sopro angélico.
Tem linhas tenues e retas,
Formas objetivas diretas.
É um ar renovado.
É um mar agitado,
Uma pesquisa visual.
Traz coisas à mente.
É claro, é belo, é corpo.
Não esconde segredos.
Não guarda pudores.
Assume rochoso seus suores.
É pedra de talha,
Cinzel sem falha.
É árvore perene e alta,
De frutos maduros e húmidos.
Oferece seus frutos em cachos,
Com pele lisa e pelos.
Pecados, castigos e costas.
Penas, apêndices e pernas.
Verte seus néctares puros,
Nos nossos calices, bocas.
Tem cheiro de âmbar e vinho.
Tem marcas do tempo e da luta.
Tem aberturas secretas,
Por onde se penetra seus vales.
Líquidos mornos e densos.
Músculos graves e tensos.
Hálito, vento e vulcão.
Tocar-lhe as fontes escondidas,
Tirar-lhe o leite e o sumo.
É como um sacerdócio febril.
Um corpo masculino, nu...
É uma dádiva dos deuses.
De um corpo feminino, nu...
Nada posso dizer, além
de que não me enche os olhos.
PAR - PT
* mais uma vez, provocado pelo tema de um concurso de poesias.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
04.07.12
Claricecília Meirelispector ou
Entre Cila e Caribdes
redemoinho das letras
canto redondo
de monstros marinhos
bocas absorventes
bocas arreganhadas
a recitar seus versos
a redizer seus textos
evitar um perigo para
cair em outro ainda maior
nada abranda as ondas
do mar criativo
de Clarice nem do
furacão de Cecília
uma de versos em
quase música a
outra de escritas
densas em fibras
tensas como a tessitura
dos pergaminhos...
a barata descascada
expele o branco alimento
mas não consigo entender
ainda qual é o melhor:
se é Claricisto
ou Cecíliaquilo...
PAR - PT
* Homenagem a Duas Grandes Escritoras Brasileiras, provocado pelo tema de um concurso de poesias.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Polímnia
move-se o herói em
labiríntica dúvida
entre o medo da medusa
e o fingir da esfinge
estica o fio do destino
ao limite do voo.
o herói cumpre desígnios
lava de suor a testa
insigne e faz curativos
aos calcanhares
houve tempos em que ouvia
cantos fatais na noite
fria e sonhava a lua
como um olho único
a tomar-lhe conta.
a noite a parir titãs
sobre as conchas do oceano
os ossos cansados
de trabalhos vêm dar à costa...
ilha após ilha após ilha
a cada aventura
o sumo dos desejos e
o sal das armadilhas.
PAR - PT
*provocado por um tema de um concurso de poesia!!!
Esfinge
quem és tu monstra mítica
que menstruas minhas
unhas... (?)
que sonhas minhas
carnes em pratos
que tens meus pelos
pretos
entre os dentes.
Incorpórea
sibila tântrica
que não me decifra
as fomes!
aranha subterrânea
que crava palpos
e murcha meus
apêndices...
quem és tu coisa escrota
que não és musa
mas inspiras a minha
escrita. (?)
PAR - PT
terça-feira, 19 de junho de 2012
19.06.12
Perene
Que se foda o fim
do mundo
nesse dia
fui encontrar com o amor
da minha vida
e sou feliz eternamente.
PAR - PT
Que se foda o fim
do mundo
nesse dia
fui encontrar com o amor
da minha vida
e sou feliz eternamente.
PAR - PT
quarta-feira, 30 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Ana (Mulher Amada) Dulce
Ana Dulce!!!
Delícia da minha vida,
amo-te e amo-te,
feliz dia, feliz tudo
e felizes nós sempre,
amo-te e amo-te,
Paulo o teu Poeta.
06.04.12
domingo, 25 de março de 2012
25.03.12
Nossas Fibras
O que interessa é aquilo que nos atravessa
Que nos trespassa o peito e atinge o coração
Alado que nos habita a gaiola de costelas
O que interessa é o que nos faz sorrir e cantar
Que nos faz ouvir os outros cantar mesmo calados
Que nos faz ver os sorrisos que não estão lá
Que deviam estar lá nos lábios dos que amamos
O que interessa é aquilo que extravasa
Que nos vasa das veias e escorre sanguíneo
Que se arrasta visco e caracol na nossa pele
Que nos deixa o arrepio e o tremor de amor
O que interessa é aquilo que nos importa
É aquilo que sobrevive dentro de todos nós
Dos outros e dos nossos outros quaisquer
O que importa são os que levamos por dentro
O que importa são os que nos habitam dentro
O que importa são os que sabemos amar
O que importa são os que nos sabem amar
O que interessa é o que importa e nada mais
O que importa é o que interessa e nada mais
Tudo que importa é este beijo que te envio
Hoje, ontem, amanhã, sempre e eternamente.
PAR - PT
Zito - Feliz Aniversário e Tudo de bom, Beijão!
sexta-feira, 2 de março de 2012
02.03.12
vou contar-te
a história da minha vida:
então um belo dia nasci
e uma boa quantidade
de anos vivi até aqui...
a partir de agora
eu não sei nem saberei
quantos mais alguns anos
viverei...
PAR - PT
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
23.02.12
Sempre trato muito bem todas a fendas,
gosto de vê-las transformar-se
em bucetas gigantescas
em bucetas gigantescas
ou cus arreganhados
à espera da próxima refeição!!!
à espera da próxima refeição!!!
PAR - PT
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
21.02.12
Ai Cu
beijo negro
boca e cu no mesmo enredo
e a língua a furar sem medo
nessas pregas
sabor segredo...
PAR - PT
domingo, 19 de fevereiro de 2012
19.02.12
mete o dedo e vê se tem ovo
cheguei ao topo
não havia nada
olhei em volta
não havia nada
em lugar nenhum
nunca havia nada
PAR - PT
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
16.02.12
Paixão é martelo
a dar em prego
que entra em parede,
que faz do prego
parte integrante da parede,
que deixa na parede
a memória do martelo
a vibrar no prego,
Paixão é pendurar
todos os dias
um novo retrato
do outro
no prego da parede...
PAR - PT
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
14.02.12
ossos sertanejos
que se vêem ao sol
são dentes da
terra a devorar
esperanças...
e as carcaças
sorriem
sua dor incondicional
de animal morto
num canto da memória.
PAR - PT
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
06 FEVEREIRO 2012
Amo Banhos Frios
Estações de Comboio
Frango estufado com Ervilhas e Torradas
Beijar-te!
Amo Amo Amo.
PAR - PT
17 anos
Há momentos na vida em que tudo
se move e flutua à nossa volta...
Esses momentos são
o mais puro prazer...
Vivo um momento desses há 17 anos!!!
PAR NCR TRF PRT
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
30.01.12
Anunciação
palavra fechada
janela partida
asa de tordo
pedra de fisga
pedra de fachada
palavra tardia
janela
submarino
e o dia pendurado
na cortina
é o mesmo dia
de ontem
ou anteontem
e o mesmo de sempre
é sempre o mesmo dia
sempre
já o leste comeste
esqueceste
quase...
esse dia eterno
em si mesmo
esse dia
que se inicia
sem fim
horas perdidas
na gelosia
e na boca fechada.
PAR - PT
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
27.01.12
Embaralhada
a mão toca
e vira
uma carta
onde ninguém
lê o futuro
uma carta
que nada conta
imagens incompreensíveis
palavras caladas
nos espaços
dos dentes
a mão treme
com a carta
a carta
calada
dá-se à mão
como um leque
a mão toca
e vira outras cartas
mas a mão
nada sabe
do que dizem
as cartas.
PAR - PT
domingo, 22 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
18.01.12
Boca
Se o fruto
do lábio
não tem a carne
do desejo que trincas
ávido de sumos...
casca descasca,
carne descarna,
caroço,semente, grainha.
pevide explosão,
sumo desaparece
nas entranhas.
sugar o sangue
a seiva a saliva
da fruta aberta
em húmida fenda.
tirar o leite
da carne dura
da fruta madura.
prender na boca
a luz emitida...
pela fruta esquecida
num canto da sala.
um grito de susto!
PAR - PT
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
10.01.12
O que corta desfaz e rói
é a dor nas solas dos pés
depois de dançar ao som
da tua voz chuva estrelas
e pó nos móveis teus pés
negros a manchar carpete
massa que leveda um pão
que ninguém nunca comerá.
PAR - PT
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
... ?!? ...
...quando uma CHUVA
de EMOÇÕES
Desaba sobre a CIDADE
Só os mais CORAJOSOS não abrem
Os Guarda-chuvas...
...
05.01.12
costumo estalar os dedos
quando estou sob pressão
pressionando suas pontas
em outra qualquer direcção
e o som que fazem assim
é parecido ao do pensar
lento de quem acorda
muito tarde e faminto
com o corpo a vergar-se
inteiro sob a pressão
dos dedos que estalam...
PAR - PT
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
04.01.12
a mulher barbada
tinha muitos filhos
com o palhaço
e jogava malabares
e baloiçava num trapézio
enquanto paria
melancolia
elefantes e sereias
a mulher barbada
transformava lenços
em lonas
num passe de mágica
e fazia chover
pipocas sobre a juba
dos leões
que tentavam em vão
domar a dor
na casa dos espelhos
as aberrações
preparam-se para
o espectáculo.
PAR - PT
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
03.01.12
ancorei meu desejo
em teus olhos lacrimantes
deixei minha luxúria
líquida
escorrer-te na face
...
meu muco a encher-te
os poros
pele rugosa músculos tensos pele
que desliza sobre a dureza
do músculo
...
derreti minha rocha
num magma incandescente
que jorra de entranhas
desfiz-me em gotas
sobre teu rosto
...
...
ardo-te os olhos
deixo-te um sabor
recôndito
no canto da boca.
PAR - PT
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
02.01.12
A Casa Torta
vim por caminhos
vim
até à casa
que não tem
vizinhos
que não esconde
olhos atrás
das fechaduras
de cujas janelas
roubaram-se
as gelosias
fui por caminhos
fui
e mais nenhum
trouxe-me aqui!
PAR - PT
domingo, 1 de janeiro de 2012
01.01.12
Masturbatório
tua mão em teu órgão
mensagem telepática
meu órgão a sentir
tua mão em teu órgão
teus movimentos macios
teus dedos virtuais
a correr-me o corpo
intumescido
tuas palavras estranhas
a tentar contar-me
o que não vejo
a boca que não beijo...
PAR - PT
domingo, 20 de novembro de 2011
Não sei o que dizer...
Há coisas que não entendo e me entristecem...
O facto de ir visitar o meu amigo O Símbolo e ele não estar mais por lá...
Pior é saber que não cheguei a tempo de ler o FIM.
Triste e triste e triste.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
18.11.11
Rodapés e Corrimãos
Deixas-me os nervos
em franja.
dás-me febres
que não curam!
Bebo água à tua procura,
corro rios,
engulo lagos,
empapado em tua ausência.
Não há verdades
em absoluto…
Há momentos parados
no tempo,
em que bastam doces
mentiras
e bolos enormes.
(com coberturas açucaradas)
E beijos que não
fazem trepidar
ou sentir calafrios.
Depois canja
Que não quero comer.
Tu dizes:
- “Come que te faz bem!”
Uma colher à boca
e cuspo.
E tu: - “Come que faz-te bem!”
Mastigar, mastigar…
Não consigo engolir.
É tudo pó e gelatina.
Não consigo comer,
mesmo que me faça bem!
E tu: não dizes nada
Em tua defesa
Sorris, apenas,
Com essa tua boca
Repleta de dentes;
coroas, jaquetas…
o esmalte a ser corroído
lentamente
por um tártaro de nicotina!
E tu sorris, simplesmente.
O gato nem nota a tua
Presença, absorto
Em lambidas ao pelo.
As unhas cravadas
Na carne, a rasgar
Cortinas, a fazer de mim
Um amontoado de farrapos.
Juntei os restos
e mudei de país.
Andei contra o sol
por noites sem fim.
Fugia dos teus silêncios
e tu sorrias,
condescendente,
no calar da aurora.
Meus dias varriam-se
no chão das folhas,
afagavam teus cabelos,
a sonhar, a sonhar
e a sonhar
com teu fígado de cebolada.
Os olhos não viam
o que o tempo deixara
de contar
aos ouvidos
sobre as últimas notícias
das ruas de Tegucigalpa…
ouvia-se, apenas, ao longe
o sussurro das beatas,
a voz das loucas;
(insana nas alturas)
Os vitrais, em vibração,
a partir-se
em mil visões
caleidoscópicas
e os santos
a retornarem ao pó…
(suas imagens cobertas de pó)
Os santos queimados
em fogueiras vaidosas.
Os santos cravados
na pedra (crivados de setas…)
e deus sorri nas alturas. (hossana)
como um predador
de emboscada.
Deus adormeceu em sua gruta.
Deus é só mais um
dos animais selvagens
que habitam tua saudade.
Assim, toda esta
constatação de inexistência,
tira-me
completamente
a vontade de comer.
A febre já não aquece
mas está lá
nas pernas e nas têmporas.
Como um beijo
de que não se esquece!
Dez minutos depois
teu sorriso
entrou em modo de descanso.
Teus lábios
a trocar de cor
a transmutarem-se
asas de morcego.
Teus lábios
esconjurados (feitiçaria)
a verter o leite chorado.
A mudança de tons
da pele exposta
é a prova irrefutável
(magia negra)
do efeito dos raios gama
sobre as margaridas do campo.
Tu comes a sopa toda,
e o som da tua digestão
arrepia-me,
dá-me ânsias.
Faz-me ficar azul…
(como as paredes da casa de banho)
E distraído
como um garoto
que devora a televisão
e engole super-heróis.
PAR - PT
sábado, 12 de novembro de 2011
12.11.11
Observar Estrelas
Oprah nunca veio
à minha festa de anos
possivelmente
estava sempre ocupada
ou simplesmente
por desconhecer
a minha existência
ou, ainda, e mais
provavelmente
por nunca ter sido
convidada...
PAR - PT
Stargaze
Oprah never came
to my birthday party
possibly
was always busy
or simply
for ignoring
my existence
or, even, and more
probably
never having been
invited ...
PAR - PT
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
11.11.11
Crateras
depois da noite verde
ficou um cheiro
indelével na pele
que não sai
dos olhos e azeda
as lágrimas
lua lavada
escorrida de céu
lua reflexo
esparramada na
pele do lago
depois daquela
noite tão vermelha
a boca aberta
absorve nuvens
galhos de árvores
namorados
a noite amarela
ainda vomitava
conversas murmuradas
enquanto adormecíamos.
PAR - PT
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Num poema do Geraldo!!!
meu coração diz: pára!
quando o teu bate à porta
e dispara em fuga
eterna brincadeira de esconder...
PAR - PT
10.11.2011
15:37 h
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
07.11.11
Folhas
A bola
Abala
A bela
Estrutura
Da bula
Que diz
Como
Limpar
A bílis
Com um
Bule
De chá
Camomila
Embola
No verniz
Da mobília
Tons mórbidos
Na madeira
Burilada
A serra
Deita
Por terra
Árvores
Ninhos
Filhotes
De passarinhos…
PAR – PT
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
02.11.11
Decote
a estrutura abalada
dos sonhos
que se repetem
morte após noite
olhos que flutuam
sobre o fiel da balança
na ponta da agulha
de uma desgovernada
rosa-dos-ventos
a construção demolida
da fé
a escorrer como a cera
as lágrimas
e a máscara
que cobriam a face
da actriz
que chora e chove
sobre o palco
descortinado
as cortinas que caem
em avalanche
e fecham-se
rapidamente
à frente do silicone
da moça
na primeira fila.
PAR - PT
terça-feira, 1 de novembro de 2011
01.11.11
Todos os Santos
amoramei amartessempre
acordormi pesassonhando
beijuntos camadeitados
eassim prassempre ficarmos
olhartassim tedevorar
amoramarei amartessempre
amordaçado amortecido
deamorango cortarrodelas
comosolhos comquete como
comotecomo comotecomo
PAR - PT
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FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”
FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...
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