segunda-feira, 13 de abril de 2015

Contagem




Tempo Livre, duas palavras tão armadas em importantes... 
Tempo, esse iníquo seguimento de eventos aleatórios a
que as pessoas atribuem todas as culpas, todas as curas, 
todos os deuses... 
Liberdade, essa inexequível metáfora de poder fazer,
de poder querer, de poder poder. Não tenho tempo livre, 
meu tempo está acorrentado à sua ausência e eu escrevo 
e leio sobre ele, escrevo no tempo o que quer que seja e 
isso não me faz mais livre, não o faz mais livre. 
Sinto-me então com a capacidade de escrever e de ler e
de ler o que escrevo e escrever sobre o que leio e ainda 
mais ou muito menos, sinto que o que o que leio cada vez 
diz menos daquilo que escrevo. 
Não sei do Tempo e não sou Livre e o tempo não é livre...

PAR - PT
13.04.15

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Convite à Continuidade



(Convite à continuidade)


Ibi dem
ib vai
ib vem...
ibi scos ao luar
liláses,  amarelos, vermelhos também...
ib s renascente
pássaro do além...
ib op pergunta:
você ama a quem?
Ib idem
ib com
ib sem...

ad mo estado
ad strin gente
ad mi rável
e no renascimento
leonardo mandava sms para rafael
e Rafael respondia por e-mail
ad infinitum
primus inter pares
ars gratia artis
ab domem
ab ominem
ab andonem
a banda ou nado por você

ínfima efeméride efervescente
ufa
af unda
prof unda
melancia nab unda

E na bunda,nada?
muito pão de rabanada.
no rabo nada
no ra botudo
nocu bota
indígena botocudo
índio quer apito
mete tudo
e se não mete 
que metesse
que metesse
que me tece

Índio bom,me anoitece...

meia-noitece
amanhece-se
e antes à tarde
do que na nuca.

PAR* + Dante
  25.01.2015

*Esta é a minha versão de edição do nosso poema...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Brecha



Lambe as minhas sobrancelhas
Sussurra-me nas brenhas
que adentras, penetras
Balbucia pelas dobras
que preenches reentrâncias
mostra-me as dependuras
que guardas com substância
Passeia-me os dentes
nos epidídimos...

PAR - PT
15.01.15

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Açougueiros



pela manhã
com os caralhos em pé
tu de costas
eu de costas
eu gosto e tu gostas
pela manhã
indisfarçáveis tesões
tua boca toca
minha mão também
o que engoles de mim
o que tiro de ti com a língua
instrumentos afiados
espadas samurai
dois homens com fome
e carne muita carne
a nossa carne crua
sobre os lençóis...

PAR - PT
05.01.15

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Amor Tecido




Meu amor por que me dás essa dor
de distância tão sozinha e dura
por que me deixas à tua espera
em adoração lenta e insegura?

Meu amor, por que somes
quando mais te preciso
por loucuras que me consomem
entre o mundo dos mortos e o dos vivos?

Meu amor, por que me deixas
assim de pau duro sem teus orifícios
assim enrolado nos meus próprios vìcios
a respirar de memória teu acre perfume?

Meu amor, por que insistes em não vir
quando as folhas já caíram de tanto outono
quando não sei mais onde ir
quando o que me resta é o infinito do sono?

Meu amor, por que me fazes queimar
assim lentamente em teu lume
navegar perdido e sem mão no leme
mergulhar de cabeça na lama que geme?

Amor de verdade, não se teme.

PAR + Dante
29.12.2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Comentários e Pitacos!!!



Sobre a tua boca e de como usá-la.

tua boca que não se cala
nem passa notas da escala
no centro geodésico da sala
durante momentos de gala
carimbos passaporte e mala
dispara revólver sem bala
ampara costelas com tala
arranca os dentes da fala
pendura na barra da pala
como chuvada que rala
acumula lama na vala
não vê vara sem chupá-la...

PAR - PT
23.09.14


Sobre a tua boca e de como usá-la.

tua boca que não se cala
nem passa notas da escala
no centro geodésico da sala
durante momentos de gala
carimbos passaporte e mala
dispara revólver sem bala
ampara costelas com tala
arranca os dentes da fala
pendura na barra da pala
como chuvada que rala
acumula lama na vala
não vê cana sem chupá-la...

PAR - PT
23.09.14


O mesmo poema e duas conclusões diferentes que querem dizer a mesma coisa...
em resposta ao teu "BOCA", Dante!

sábado, 13 de setembro de 2014

terça-feira, 22 de julho de 2014

Batatas Fritas sem Sal, por favor.



No meu tempo, 51 era uma boa ideia e como para bom 
entendedor, entender basta… Não vou, simplesmente, explicar. 
Mas não sei se será tão boa a ideia de fazer 51, ou 1 além do 
meio do caminho para os 100.
Inquietante e pouco excitante, essa vida levada a cabo. 
Essa incerteza de sobreviver da caridade de quem me detesta 
(salve Cazuza). 
Cheguei aos 51 sem vontade alguma de voltar aos 15 ou a outra 
idade qualquer, que todas as idades foram de ouro e todas foram 
valentes merdas, em todas elas tive amores grandes e perdas maiores.
Cheguei aos 51 como se chegasse a casa e metesse a chave à porta, 
mas ninguém fez o jantar ou pôs a roupa para secar, secos os olhos 
e seca a terra onde se atiram sonhos para recolher trovoadas.
São 51 velas num bolo barco à deriva, sem perspectiva, 
sem nexo, sem porto onde viva o olhar amante. 
Onde haja ar para respirar e amigos de braços abertos, 
mentes abertas e coração farto. 
Vendo casa com cantos de memória, vendo 
memórias com gritos de sombra. Vendo bem, nada há para ver.
Aos 51 sou vinho que não viu os anos a passarem, 
que não foi metamorfose de água, que não deixou na língua 
o travo do tempo, mas envelheceu no fundo de uma adega.
51 e velho demais para as perguntas retóricas em frente ao espelho, 
a bruxa me enfada e eu não quero fodas, madrinha! 
Meio comprimido de manhã, outro meio mais tarde e um inteiro 
ao deitar-se, belo resumo das coisas, 
hipertensiva incerteza e 51 de cu é rola.

PAR – PT

18.07.2014

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Meia-volta Volta e Meia

Estive a pensar numa forma
e surgiu-me um círculo...

Circulei à sua volta
redondo como eu podia ser...

Sem arestas pra me podar
Apenas curva a tontear os pés...

lamber o chão
criar vínculos

e ao pensar numa forma
minha cabeça anda à roda

Roda de não saia, gira de não caia,
rabo de arraia que vira moda

te convido pruma festa
e o que resta, que se foda

em roda, à roda... por foda?
que seja boa mesmo que mal dada

mal dada? maldade...!
relaxa que tudo encaixa

e a volta e a roda e em volta
tudo anda outra vez à roda

rodopiei em rodamoinho
sozinho na roda da vida rodei

rodo pio giro cio meto tiro
no centro do alvo acerto um tiro

cai de joelhos um breve vazio 
delicadamente, sem pertencer a ninguém 

sem nitidez morre entre versos
com a boca seca de silêncios

Os vazios se revelam
Em obras póstumas...

páginas rasgadas, submersas
esquecidas, páginas viradas.

Letradas em pensamentos
Que o poeta engavetou...

Trancou, lacrou, 
Como corpos em tumba funda

beija, beija, beija rápido 
e fecha o caixão.


Criação do Coletivo Uni-Versos Poéticos.



http://www.linguafiada.com/2014/01/meia-volta-volta-e-meia.html

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Conversas



Eu: "Beija a minha boca enquanto minha sede é pouca."

Tu: "Beija a minha bunda enquanto minha sede inunda."
Eu: "Beija a minha piroca enquanto minha sede sufoca."
Tu: "Beija meus colhões enquanto minha sede supões."
Eu: "Beija-me todo enquanto com sede eu te fodo."


PAR e Rodrigo Ribeiro 

19.12.13
16:16 e 18:18

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Car a col




O Car acol Ocar a col o cara col oca racol
colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.
O Car acol Ocar a col o cara col oca racol

colo car a col ocara col arcar cara col ar.




PAR - PT
27.11.13

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Livro das Faces


dormia naquelas páginas
um ser desejado
como que habitante
de um sono
de ninguém
residente de um lugar 
nenhum da nossa
memória!

PAR - PT
25.11.13

domingo, 24 de novembro de 2013

Amor tecido

Coração que não bate descompassado sem ritmo e sem pressa passa como tu passas tranquilo à minha frente sem olhar para trás amor que passa sem passo certo amor incerto de passo apressado amor sem dó nem compaixão amor que rasga o coração. Paulo Ramos 20.11.13



terça-feira, 23 de julho de 2013

O Poema que me Trouxe o Joaquim


|Se eu te pedir trazes os teus braços até à varanda?|

Sim! Muito.

|Encontramo-nos, então, no meio, no salto...|

|Talvez quando chegarmos àquela temperatura em que o volátil faz-se sólido!|

|E pudermos esperar que o crepúsculo engula os verdes que esquecemos.|

PAR - PT

23.07.13

quinta-feira, 18 de julho de 2013

18 de Julho de 2013

Autorretrato Pintado com a Língua

São cinquenta, meus amores, anos passados sem muita coisa para lembrar e algumas a agradecer, como a existência, imprescindível, da minha mãe, do meu querido amor e companheiro Nelson e dos amigos (efémeros ou eternos).

São cinquenta, meus amores, de uma grande quantidade de arrependimentos e das sequelas psicológicas das chuvas de canivetes que me caíram em cima e dos arcos-de-íris do orgulho de ser quem sou e nada me passar por cima.

PAR - PT
18.07.13


terça-feira, 28 de maio de 2013

"de conversa em conversa."

(Paulo Acácio Ramos e Dante Pincelli)





Temos conversa de compadres que nunca mais acaba
conversas de abracadabra, sem padres, sem madres, sem deuses
Papo de irmãos que nunca chega a ter um fim definido
papo infindo, de irmãos chegando e partindo
Jogo de bola de toma lá dá cá feito de passes certeiros
certeza que embola o meio campo, mas nada, que um drible não resolva
Reverberações silenciosas de ocultas horas de sonhos
Sonhos que ecoam sob os colchões dos cadáveres da poesia

A composição das nossas harmonias é dupla e fresca e clara
obra prima, rima rara, morro acima, iluaiê odara
Dobramos versos em cordas e fios de cabelos afinados
despenteamos os acordes menores num solo de xilofone rachado
Retesamos nervos e músculos na luta proscrita das clavas
cravamos setas incertas nos corações dos neo-estetas
No duro depois do suor do fazer as palavras ditas a dois
feijão com arroz, dois ovos fritos sob a gola do sobretudo do poeta inglês

Diante um do outro sem ver sorvemos verões
sol-vemos em brilhos e vírgulas, na cara estampada de feliz
Em nossos corpos cansados das libações outonais
Tocam-se num ínfimo átomo do distante momento
lua, sol, dó, si e, lá, onde a curva faz o vento
Água, cal, pedra, poesia, sangue, porra, suor e cimento.



O VELHO PAR
TROFAS MACAENSIS
MAI/13

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Destragédia



ah, meu amor
o que eu te dei
o deserto em flor
um jardim de areia
um tanque de piranhas
para tomares banho...

PAR - PT
11.04.13

A Lenda da Girafa sem Cabeça.




Era uma vez uma Girafa que não tinha percebido que não tinha cabeça, o que era óbvio, pois não possuía olhos que lhe permitissem ver ao espelho uma tal ausência... De qualquer maneira quase ninguém percebia sua situação defectiva, já que para todos parecia sempre estar à procura de alimento por trás de uma copa de árvore qualquer... E viveu, feliz para sempre, enquanto foi possível.

PAR - PT
12.04.13

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Incomédia




ah, meu amor
o que eu te dei
o que eu te dei
dei-te de mim
o que havia
dei-te o que tinha
dei-te de mamar
quando não tinha
leite
dei-te sobre o leito
o que não dormia
dei-te mais que possuía
muito mais do que havia
procurei-te onde não ia
contei-te o que não sabia
se querias ouvir
neguei-te tudo que tinha à mão
tudo que apanhara no chão
calei-te com meu silêncio
calei-te com minha calma
calei-te em minha alma
ah, meu amor
o que eu te dei
nunca foi tudo que havia
pois havia coisas que não dizia
o que eu te dei
nunca foi tudo que possuía
pois tinha coisas que não queria
o que eu te dei
foi tudo que eu era
era tudo que eu fui
ah, meu amor
desfiz todas as paredes
desabri todas as janelas
desesqueci tudo o que tivemos
dei-te as chaves do meu mecanismo
oleei as juntas do meu organismo
com o leite que roubei às vacas
deita-me a cabeça no ombro
e deixa-me descontar-te contos
de fadas absurdas
e princesas cansadas
ah, meu amor
o que eu te dei
amei-te mil anos
e sei que amarei
outros mais
adormeci-me e esqueci de mim
por muitos e muitos anos
à espera do teu
final feliz
ah, meu amor
o que eu te dei
de quase mim
para salvar um meio-eu
de ser inteiramente ninguém
ah, meu amor
que qualquer um podia ter sido
não fossem as ampulhetas
e as tabelas horárias dos comboios...

PAR - PT
10.04.13

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

5 Micro-contos Desencantados.




...Caixa pronta, acondicionada, sobre a mesa... 
Saiu para fazer umas coisas... morreu atropelado!  
A caixa ficou, pronta e fechada, sobre a mesa.


...Desejava ardentemente um elevador, 
porque essa coisa de subirem à torre 
estava a matá-la de dores de cabeça.


...A Bela acorda, sente lábios colados aos seus. 
Pára, diz ela, deixa-me ao menos escovar os dentes.


...Ficou branca, como a neve de caspa no cabelo da bruxa... 
Isso de Micro-contos é coisa de anões!




...Pintou o cabelo de verde e apresentou-se às autoridades locais 
na ténue esperança de um recâmbio ao seu planeta de origem.



PAR - PT

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Fadas de Férias




Que maravilha, Alice!
Dares um rabo de Sereia
ao Lobo, só porque
o Espelho disse que a tua
Trança não era a mais Bela...
Pisar a cara da Bruxa
com teus Sapatos de Cristal
e depois, era uma vez,
muito relaxada, comer
as Maçãs Caramelizadas
enquanto a tua namorada
sonha, Adormecida, no
Coração da Floresta.

PAR - PT
13.12.12

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Face Escura




A noite não estava fria
no entanto tudo tremia
em teu corpo onde já
nenhum medo existia
não havia dores ou erros
só as nuvens e as pontas
dos teus dedos em baixo
das minhas pálpebras
teus dedos a tamborilar
desgraças em meu coração
a fazer-me cócegas
a puxar-me os cabelos
a noite gritava nas cavidades
nas dobras da cortina do chuveiro
a noite não estava adormecida
na epiderme da lua sólida
a noite apenas doía seca
nos dentes sensíveis
a noite brincava distraída
com as tuas gengivas
como se fossem bonecos vodu
a noite deseja a tua língua
em todos os orifícios
da superfície da lua húmida.

PAR - PT

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cerimônia




Há filmes que não acabam
e chuvas...
há medos que não recuam
e sombras...
há coisas que devia dizer-te
mas não
não há mais nada que possa
dizer
há silêncios por tirar
dos cantos...
acumulados nos rodapés...
há pegadas na areia
não há habitantes no
fundo do mar, no solo
lunar, mas há as naves...
há sinais fechados, sinais
de fumo e muitos gritos
nas salas deste
manicômio em festa
há bandeiras por hastear
e beijos nos orgãos pendentes
uma corrente eléctrica
que enche de sangue
os corpos cavernosos...
depois disso, tudo é gelo
nos polos
há malas esquecidas nas
esteiras dos aeroportos
e no fundo, areias,
carcaças de sereias e
cachalotes...
os olhos aflitos a
perscrutar florestas
petrificadas e fósseis
dos nossos sentimentos
que nós pensávamos
tão modernos, tão
eternos e liberais,
mas não são, as emoções
são arcaicas, as
emoções não são ergonômicas
e incomodam sobremaneira
os músculos da região
lombar...
as emoções são verbos
inconjugáveis, amar,
desejar, perder, as
emoções agrupam-se
para esquecer o inverno...
e nós só queremos
reencontrar os seres
que amámos e arrastar
suas correntes no inferno
sob a chuva, incessante,
de enxofre e a sombra
omnipotente da paixão
e há filmes que nunca
mais acabam.

PAR - PT
10.12.12

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mulheres




Extraterrestres
impossíveis de compreender
por maior que seja o esforço
por mais simples que sejam
as coisas
elas hão de encontrar sempre
detalhes inexplicáveis
mistérios insondáveis
vão sempre alterar a realidade
com suas lentes côncavas
ou com as convexas
mas
ouvir e simplesmente calar-se
será para sempre
uma impossibilidade
as coisas têm de ser como
elas imaginam que querem
como elas pensam que sabem
como elas gostariam que fossem
não são capazes de perceber
que o mundo não gira
à volta de suas vaginas
e que nem sempre a verdade
foi parida por uma delas
e que são absolutamente
complexas
simplesmente complexas.

PAR - PT
06.12.12

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Bilateral




Nasci bípede,
tornei-me bilíngue,
descobri-me bissexual.
Sou bipolar,
sou bicudo,
joguei bingo.

chamaram-me bicho
chamaram-me bicha
mas, bígamo, nunca fui!

Odeio bitolados
e já usei bigode...
sou teimoso como uma bigorna.

Estudei biologia e
sofro de bibliofilia.
Perdi a fé depois de ler a Bíblia
e não sei andar de bicicleta.

Já amei dois bichanos,
comi bifes, não como mais.
Tive o prazer de conviver
com uma bisavó.

Certas bizarrias atraem-me
e amo Arte Bizantina.
Odeio Bispos.
Adoro biscoitos.
Sempre tive a mania
de virar os binóculos
ao contrário e há uns
largos anos
sofri intervenção cirúrgica
para retirada
da vesícula biliar,
na memória muitas dores
e o brilho do frio do bisturi.

Namorei bicornes e
línguas bífidas.

Desejo resolver a equação
biquadrada do código
binário da minha
herança genética
biodegradável.

PAR - PT
25.10.12

Semântica e Pedras na Vesícula, qual delas extirpar primeiro?




Conforme o tempo passa
a paisagem à nossa volta
faz-se mais ampla
a paisagem canta canções
de embalar
a paisagem entrega-nos
ao sonho
cada pedra minúscula
que habita a paisagem
recita Hamlet de cor
cada pedra é
cada pedra não é
posta em questão...
as pedras escondem-se
sob o musgo
pode-se sentir os continentes
à deriva
sob as solas dos pés
pode-se ouvir o tempo
encravar-se nas roldanas
dos mecanismos
esquecidos em baixo da cama.

PAR - PT

domingo, 2 de dezembro de 2012

Nem um Tom de Cinza



Deixaram-me cristais de sal
nos espaços dos dentes
madrugadas perdidas
contracções vaginais
lábia lobos limbo
e um trem que passa
lambe os trilhos
leva pessoas que nunca vi
deixa memórias na plataforma
cristais de açúcar
nos cantos dos olhos
e pedras nos rins
uma melancolia suicida
apodera-se da pele
e faz estalar
perfura as paredes
tão brancas
tão brancas
tão brancas
perfura as paredes
e pendura quadros
fotografias cadáveres
um sabor
maníaco-depressivo
dá cor às paredes
tão brancas
tão brancas
algo que não está lá
ocupa agora
o perímetro total
do branco da parede
 e há lâminas nas ranhuras
dos tacos no chão
há lâminas nos cílios
e os olhos ardem
os olhos são tão brancos
e riscados de vermelho
os olhos
o branco dos olhos
no branco das paredes
e a neve que cai
nunca é branca
a neve tem a cor
que a neve tem
quando não é branca...

PAR - PT

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...