sábado, 16 de janeiro de 2010

16.01.2010


























A coragem, a bem dizer
é uma membrana permeável
entre o profundo desejo de ficar
e o iminente momento de partir.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

15.01.2010


Orbito o corpo arbitrário
como um satélite eclipsado
movo-me, lento, no espaço
desfaço-me em meteoritos
precipito-me estrela
no magma frigorífico
do umbigo do universo.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

14.01.2010


nado sincronizado

alma deserta
ecos de sonhos
gravuras antigas
ira das aves
laços de fita

nada a declarar

pedaços de pele
ruas perdidas
tambores ao fundo
vitória absoluta

zero à esquerda

bocas pintadas
desenhos de luz
famílias sem fim
horas a fio
janelas abertas
máquinas avariadas
objectos translúcidos

questões sem resposta

sábados de aleluia
unânimes opiniões
xícaras de chá...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

13.01.2010


Um Dínamo Fotossintético
Um Precipício Afectivo
Um Anjo Incendiário

Peixe Piromaníaco

Uma Avantesma Poliglota
Um Contrabaixo Anódino
Um Eunuco Cataléptico

Eu Meramente Megafónico

...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

12.01.2010















Pé ante pé, seguir, pelo caminho,
subterrâneo labirinto, onde está
o demônio dos olhos cheios de
nada, à espera dos que vêm...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

11.01.2010



















As paredes de vidro permitem
o vislumbre do que será possível
querer-se encontrar quando
quando, por ventura, se esteja
a olhar do outro lado...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

domingo, 10 de janeiro de 2010

10.01.2010


Habita em nós um ser sem cor
que se move nas veias tortas
que faz feixe dos nervos e
quase nos faz implodir.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sábado, 9 de janeiro de 2010

09.01.2010



O nada é só um momento
um salto do alto de nós mesmos
um leque de tantas possibilidades
como grãos de areia ao sabor do vento...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

08.01.2010



















A Morte é a companheira certa de todos
até ao fim... e eu faço questão de chegar
vivo até ao dia de morrer.
Com esta sede que não cede e não abre
espaço ao ar que passa, nem permite ao
líquido que sólido fique.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Aquilo que Comentei hoje...

Sinto-me mais feito
dos Berros de Deus
e de Suas Birras, de
Suas Idéias Burras
e dos Faróis que Me
afastam da Barra,
sou mesmo é Barco
à Deriva e Roncos na
Barriga, e Cheiro
à Borra do Café de
Deus, mas de Seu
Barro é que Eu não sou...

07.01.2010


Aporto em ti como um barco
parto reverso em teu corpo tão perto
parca lembrança horizonte perdido.
E esse aperto no peito
leite derramado leito desfeito
um eco que chega tardio ao ouvido
atordoado e mal-digerido.
Lava tudo abala o chão
porta aberta, suor e vulcão.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

06.01.2010



Tenho medo de temer-te
e tremo só de lembrar
do abalo que provocas,
sísmica insónia de adormecer-te.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

05.01.2010


















O desvelo idiossincrático
que a ave devota aos ovos
é comparável, somente,
à fome que assola
três quartos do planeta.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

04.01.2010


Generosidade é não esperar
retorno do que foi dado.
É ir para muito longe
e nunca sentir ponta de saudade.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

domingo, 3 de janeiro de 2010

03.01.2010




















A boca pende entre
o alpendre e o crepúsculo.
A boca indolente
sem medos, sem dentes...
a remoer mesuras.
A boca em silêncio é
um cadáver espúrio.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sábado, 2 de janeiro de 2010

02.01.2010


Um corpo que não é meu
Um corpo que não é teu
Deixou-se de medos
Deixou-se de culpas
Tornou-se corpo de luta...

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

01.01.2010

























A todo o momento
retornam-me os amores,
aqueles antigos;
Pomo-nos a revisar
milênios de noites anteriores
e lânguidas dores posteriores.

Paulo Ramos - Trofa - Portugal

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Testosterona

Abraçávamos
as colunas
principais
do edifício
na esperança
de sustentar
o arco
da abóboda
de um templo
construído
sobre os
restos mortais
de Cupido.
















Paulo Ramos - Trofa - Portugal

Figura e Fundo...

Ao fundo uma flauta que não se ouve,
um som que nada ecoa ou reverbera.
Ao fundo a voz que retorna em vômito,
que treme cordas que, maré alta,
recobre os corpos e assusta gaivotas...
Ao fundo música de percussão e o som
dos mares nas conchas e nos dedos dos pés!







 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Paulo Ramos - Trofa - Portugal

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...