quinta-feira, 17 de junho de 2010

17.06.2010


O vento
é o peido
dos deuses.
As brisas,
peidos
de deusas.
Seja lá
como for
estamos,
constantemente,
a respirar
lufadas
de gases
divinos.
Sempre
a sentir
o divino odor
das entranhas
dos deuses.

PAR

Trofa - Portugal

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Questionamentos!!!

Deixo AQUI
                        uma

PERGUNTA:

                        Por Onde Anda

A   MáRCia   CoSTa ?

???

!!!

PAR

Trofa                Portugal



16.06.2010


 
as moscas no ar
bailam imundas
com batom nas trombas
varizes nas pernas
correm soltas
nos azulejos
e então que tudo corra
que tudo escorra
pelas costas abaixo
e o vagar da garçonete
de mesa em mesa
deixa no ar
um indefectível cheiro
as moscas pousam
as moscas pairam
as moscas deixam
vagas lembranças
nos bancos no chão
olhares trocados
no bordo da pele
garras da vida
presas do tempo
surpresa calma
garfos no chão
as moscas passam
rasantes pelos pratos
pelos cabelos
tão sóbrias tão sábias
a reciclar o tempo.

PAR

Trofa - Portugal

terça-feira, 15 de junho de 2010

Tu em Meu Ombro



Recordo-me sempre
a primeira vez que vi
os teus olhos.
Eram (e são) tão tristes,
tão claros, tão lindos,
que me vi em teus olhos.
Eu, tão acima dos males
do mundo, naquele segundo
me vi perdido dentro de ti.
Falavas tão pouco.
Dormiste em meu ombro.
Ficaste ali, colado a mim
como um segredo,
como um medo
de revelação...
Ficaste na minha pele
como uma mancha
de estimação.
Recordo-me, sempre,
a primeira vez que me vi
em teus olhos e dormi
contigo.

PAR

Trofa - Portugal

A Sorte Está Lançada



Aposto meu corpo
como não sabes
o que fazer com
o meu corpo...

Eu te acarinho
te dou meu vinho
te faço um ninho
fico sozinho...

Aposto meu sangue
como não sabes
o que vai em
meu peito...

Eu te aceito
te ponho na cama
te curo a febre
fico quieto...

Aposto meu todo
e tu não sabes
que eu não jogo.

PAR

Trofa - Portugal

Arcadas, Janelas e Algum Sangue


















As lendas que me contaram
de amores que não voltaram
e horas sem passar o tempo.

Som das folhas e do vento
provocam dores estranhas
revoltas nas nuas entranhas.

Vômito de sangue azedo,
calafrios de enjoo e medo,
depois das contas refeitas
restam tuas formas perfeitas.

E a negra seda da tua pele
teus parcos e finos pelos
como doce de sobremesa
depois dos pés pesadelos.

Uma ácida esperança de
convites à contradança no
oco vácuo das armadilhas.

PAR

Trofa - Portugal

15.06.2010

angústia                  desgosto
de saber                 de querer
de querer                de saber
saber                      querer
de não                    de não  
querer                    saber  
saber                      querer    
de não                    de não    
querer                    saber    
o sabor                   o gosto     
da angústia             do desgosto



PAR

Trofa - Portugal 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

14.06.2010



TRISTES
os pelicanos
cobertos de crude
TRISTES
os homens
sem água no açude
TRISTES
trópicos
sem florestas
TRISTES
sólidos
sem arestas
TRISTES
bocas
sem a dádiva dos beijos
TRISTES
nós
sem a presença de vós.

PAR

Trofa - Portugal

domingo, 13 de junho de 2010

13.06.2010



Todos os dias pela MANHÃ
o POLVO que Habita
meu CRÂNIO estica
seus TENTÁCULOS
através dos SETE
BURACOS
da minha CABEÇA
depois recolhe PEGAJOSO
provocando-me ATAQUES
de emoção EPILÉTICA...

PAR

Trofa - Portugal

sábado, 12 de junho de 2010

Canto de Estio

1

Incompleto, desassossegado
Dou-me ao pensamento
De querer ser quem não sei


Retiro sonante, um a um
Cada acorde
Que ouço onde não vou


Ergo as costas, dou à costa
Mas não acho o caminho
Onde minha história passou


Quase sem sol, já bem salgado
Esbarro destemperado
No estou em mim que de mim sou


2


Hoje saí na chuva
Dancei nos lagos das gotas
Bebi pingos e lágrimas
Encharquei-me de mim


Nas finas velas me naveguei
Meus sonhos deixei afogar
Criei tempestades em mim…
Deixei meu coração desacompanhado


3


Que seja então vagabundo
Já que é tambor descompassado

PAR



Trofa - Portugal

Caravela Insólita

Doce tremor aquele
De um momento de solidão
No chão da sala
Longe demais do quarto
Estamos apenas porque nos somos
Na eternidade de um momento
Gemidos que imitam a fala
Quando há palavras a mais
Doce tremor aquele
Solidão de um momento único
Prazer tenso sem nós
Doce tremor assim
Sem motivo aparente
Para sermos só nós sós
Lavo os olhos de estio
num letárgico sono
já eternamente dormido
Inertes mãos tecem cansadas
Fio de um dia perdido
Na linha do horizonte
Berço de sonhos antigos
Que o vento na cortina
Violentamente embala.

PAR



Trofa - Portugal

12.06.2010

Os sacerdotes
Hostilizam
Seus fieis.
Os restaurantes
Ostracizam
Os comensais.
Inverte-se o sangue
Das chagas,
Manipuladas,
Dos santos.
Eternos retornos
E ternos tornos…
Barreiras de Coral
Orfeónico.
Calendulas
Calcinadas
Em florestas virgens.
Peregrinos,
Gárgulas e
Tangerinas.
Comichões
De festas,
Dores, chagas
E dores e dores.
Nossa senhora
Dos navegantes…
Dos embriagados…
Dos assassinos…
Dos dominadores
Anjos aos pés.
Intempéries…
Impropérios…
Cruzadas,
Impérios,
Templários.
Desorientações.
Medidas drásticas e
Dramas mexicanos.
Uns tangos,
Uns fados,
Alguns boleros.
Lábios secos,
Grandes lábios,
Lábios húmidos.
Armistício.
Estrelícias.
Samurais.
Cravar unhas
Na pele.
Cravar língua
Na pele.
Cravar a pele
Na cruz.
Compêndios,
Crustáceos,
Crisântemos.
Barriga simbólica…
Barriga balística…
Abdómen aberto.
Testículos,
Gónadas,
Androceus.
Leite fresco,
Queijo fresco,
Impotência…
Bibliografia…
Pinacoteca…
Contracepção.
Frequências,
Outonos e dor.
Lareiras,
Inferno e amor.
Clarabóias,
Tempestades,
Guarda-chuvas
E uma flor.

PAR



Trofa - Portugal

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Continente Incontinente




















E, então, a quem é que vamos pedir a coragem política necessária para a existência de uma, cada vez mais, impossível Europa única?  Talvez a uma das quatro Espanhas, ou das duas Bégicas, ou, ainda, das duas Alemanhas, podemos, quem sabe, recorrer a um dos três Reinos (des)Unidos, pode ser que a salvação esteja nas mãos de ex-iugoslavos, ex-checos, eslovacos, eslovenos, estónios ou outros tantos eslavos; não, talvez ainda não, mas, sabe-se lá se não estará para breve, numa inusitada cooperação de gregos, turcos e cipriotas - esses povos com fortes tendências associativas entre si - a solução de todas as crises de identidade da Europa.  Acho mesmo que se devia exigir que fosse o português que nos assinou como sócios do selecto clube sem pedir opinião. Possa ele agora, sem o nosso apoio, dar ordem à casa desta Virgem que tanto gosta de Touros brancos. Reunião, a marcar, no Vaticano, mediada por um Francês que saiba usar a Lógica e o sangue frio, cuja língua oficial não poderá deixar de ser o romanche, uma vez que o dinheiro está todo na Suíça (neutra, como sempre).

Paulo Acacio Ramos - Trofa - Portugal

11.06.2010

O belo,
por favor,
onde está
o belo?
Para onde
foi o luar
e o reflexo
do sol no mar?
O rosto
e o resto
do homem que amo!?
E o belo
onde está?
Onde foi parar
o belo?

PAR



Trofa - Portugal

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Stairway to Heaven - Sydney Philharmonic Choir

10.06.2010

Um dia
Portugal
há de ter um dia
em que se respeite
a língua
portuguesa
a história
portuguesa
a gente que mereça
ser respeitada
um dia
Portugal
há de se lembrar
que para se ter
uma história
há que se ter
uma memória
que respeite
essa história.

PAR



Trofa - Portugal

"10 de Junho, dia de Camões, de Portugal e das Comunidades de Língua Oficial Portuguesa"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

09.06.2010

Impressões Digitais

engendravas planos
querias ser um
assassino em série
tinhas uma lista
completa de vítimas
e já sabias o que
fazer ao cadáveres
os instrumentos
limpos arrumados
várias arcas frigoríficas
engendravas planos
e depois passavas
a tarde toda a dormir
a sonhar gente morta
dedos, orelhas, escrôtos
médicos legistas
investigações policiais
____________ tudo limpo
manchas de sangue
____________ tudo limpo
planos executáveis
e corpos empilhados
sem emoções
sem impressões
____________ tudo limpo.

PAR



Trofa - Portugal

terça-feira, 8 de junho de 2010

08.06.2010




















a gola protege o pescoço
abriga por dentro
a garganta
evita que inflame
a laringe
não deixa que inchem
amígdalas
a gola afasta
o frio
que fora condensa
o ar
a gola é amiga
do canto
a gola
é a casa da voz

PAR

Trofa - Portugal

segunda-feira, 7 de junho de 2010

07.06.2010



não me importa, somente,
quem me possa ter lido
importa-me sim, também,
quem me possa vir a ler

às vezes escrevo poesia
os poetas escrevem, às vezes,
poesia, a maior parte das vezes

e pouco me importa
a porta aberta fechada
a porta não tem vontades
a porta não sabe verdades
aporta a porta em si

a porta fecha-se em suas
vaidades
quero
que jures que me amas
que por amor não jures

bate a porta
lê-me a escrita
escreve meu nome
na porta que abres

rima meu nome
com a luz que passa
por baixo da porta
que eu lido com tudo
que já não importa

PAR

Trofa - Portugal

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...