sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Comentários Anónimos





não me cabe desculpar
...
se o meu dizer polissémico
não te alcança o ler anémico.

PAR - PT

05.08.11



O amor
é uma entidade
que habita
o meu pâncreas
em insulina
solidão
feito faca que afunda
na fenda
cava do coração.


PAR - PT

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

04.08.11



colina acima
colina abaixo
a sina expele
suas pedras
de rins e sofre
a eternidade
do momento
que não se
desdobra 
neste tempo.


PAR - PT

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Consternação



há estrelas a furar
nossa vidraça
a noite olha para nós
e acha graça... 


PAR - PT

03.08.11



e tudo na noite que muda
cresce
tudo vigília desejo e prontidão
luz da lua desabrocha
em minguantes
calafrio em arco de vara
floresce
pele flácida ao toque
intumesce
língua que lava acende vulcão
estrelas explodem brilhos
quadrantes
a noite sobre nuvens
esquece
assim na sombra seca a flor
desponta
travo de neblina a cortar
garganta
pranto arvorado em estrelas
fechar silencioso 
de janelas.


PAR - PT

terça-feira, 2 de agosto de 2011

02.08.11



perspectivas prometidas
tão ao meio do caminho
do céu e da terra árida
fracassar e retornar como
um eco tímido e retomar
a jornada através duma
neblina intangível verde
em direcção ao próprio
infinito recomeço... eco
que repete o que ainda
não foi dito por ninguém.


PAR - PT

Intermitências



Peço desculpas aos que visitam
pelas breves e longas ausências
mas estive envolvido em coisas
que não me deram prazer algum
...

Volto e faço votos de estar mais.

PAR - PT

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nudez

A 
POESIA 
TEM 
DE DAR 
LUTA.

PAR - PT


01.08.11


Laika

Laika vadiava numa rua
Às vezes uivava para a lua
Certos homens deitaram-lhe a mão
E roubaram-lhe a sofreguidão

Não tinha planos a cadela
Apenas cuidava da vida
Puseram-na então numa cela
Que voava no céu perdida

Perdida no ar em rotação
Dialogava com a solidão
À luz da aurora amarela

A nave não voltaria ao chão
Nunca a tirariam da prisão
Decidiu tornar-se uma estrela.


Paulo Acácio Ramos (Vulgo PARACAUAM)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

22.07.11




carro de bois
carro antes
bois depois
dois bois
à frente
gente atrás
a nadar contra
a corrente
a correr
sempre
em frente
carro e bois
a passar a pente
o pasto que
passa entre
os dentes.


PAR -PT

quarta-feira, 20 de julho de 2011

20.07.11



Teseu e o Minotauro


o fio esticado
nas passagens
do labirinto
frio
as paredes 
de papel
as cortinas 
de seda
teias de aranha


um filtro irresistível
que emana
da pele feiticeira
as febres
inacabáveis
delírios de mar
escritura do destino
por decifrar
navegar e perder
o fio à meada...


PAR - PT

quinta-feira, 7 de julho de 2011

07.07.11



o corte que não sentes
na carne húmida
é minha língua 
a roubar-te segredos
são minhas unhas
a rasgar-te os medos
é meu corpo
a desenrolar-se na cama
sem vontade
de levantar-me cedo...


PAR - PT

quarta-feira, 6 de julho de 2011

06.07.11



finda a chuva
finda o vulcão
a deitar suas lavas
esvai-se a nuvem
derrete-se a neve
nas encostas
intercalares 
das montanhas
regurgitam-se
as rochas-magmas
nas crateras
no fundo dos
lagos adocicados
lambe-se o sal
do subsolo
finda a chuva
em fluída aflição!


PAR - PT

terça-feira, 5 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

04.07.11



senhora da
savana
absoluta
soberana
das manchas
que nublam
a tela azul
soberbo
amarelo-ouro
contra o
creme-bege
do horizonte
deusa altiva
dos sons 
dos trovões
guardiã
dos portais
das estrelas.


PAR - PT

domingo, 3 de julho de 2011

03.07.11



Girafas Caminham Distraídas Pela Paisagem Longínqua


Abutres 
Arborícolas
Quadriláteros
Impubescentes
Crustáceos 
Inadequados
Equações
Incorrigíveis
Cefalópodes
Omnipresentes
Paquidermes
Caleidoscópicos
...


(*) Lúcia na Sua com Diamantes


PAR - PT

sábado, 2 de julho de 2011

02.07.11



Paraísos Tropicais


O aborígene está nu...
Ah! Oh!
Podemos vê-lo de norte
a sul.
Podemos contorná-lo
de céu azul.
Devorar-lhe as carnes
com gula.
Canibalizemo-lo!
Antropofagizemo-lo!
Calemo-nos, de boca cheia,
com a nudez
do aborígene.


PAR - PT

sexta-feira, 1 de julho de 2011

01.07.11



sopra-me ao ouvido
um vento mau
conta-me histórias
que não quero lembrar
e os rapazes não verão
chegar o fim da estação
desejo comê-los, aturdidos,
no chão
repartir a chuva que têm
na mão
possuí-los violentamente
e sem autorização
comê-los por todos os furos
assomar 
um descuidado coração
cobrir o tempo
como um alazão
égua no cio, passarinho
com frio
os rapazes fazem como o fogo
e queimam-me o desejo...


PAR - PT

quinta-feira, 30 de junho de 2011

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...