e tudo na noite que muda cresce tudo vigília desejo e prontidão luz da lua desabrocha em minguantes calafrio em arco de vara floresce pele flácida ao toque intumesce língua que lava acende vulcão estrelas explodem brilhos quadrantes a noite sobre nuvens esquece assim na sombra seca a flor desponta travo de neblina a cortar garganta pranto arvorado em estrelas fechar silencioso de janelas.
perspectivas prometidas tão ao meio do caminho do céu e da terra árida fracassar e retornar como um eco tímido e retomar a jornada através duma neblina intangível verde em direcção ao próprio infinito recomeço... eco que repete o que ainda não foi dito por ninguém.
carro de bois carro antes bois depois dois bois à frente gente atrás a nadar contra a corrente a correr sempre em frente carro e bois a passar a pente o pasto que passa entre os dentes.
o fio esticado nas passagens do labirinto frio as paredes de papel as cortinas de seda teias de aranha
um filtro irresistível que emana da pele feiticeira as febres inacabáveis delírios de mar escritura do destino por decifrar navegar e perder o fio à meada...
o corte que não sentes na carne húmida é minha língua a roubar-te segredos são minhas unhas a rasgar-te os medos é meu corpo a desenrolar-se na cama sem vontade de levantar-me cedo...
finda a chuva finda o vulcão a deitar suas lavas esvai-se a nuvem derrete-se a neve nas encostas intercalares das montanhas regurgitam-se as rochas-magmas nas crateras no fundo dos lagos adocicados lambe-se o sal do subsolo finda a chuva em fluída aflição!
senhora da savana absoluta soberana das manchas que nublam a tela azul soberbo amarelo-ouro contra o creme-bege do horizonte deusa altiva dos sons dos trovões guardiã dos portais das estrelas.
O aborígene está nu... Ah! Oh! Podemos vê-lo de norte a sul. Podemos contorná-lo de céu azul. Devorar-lhe as carnes com gula. Canibalizemo-lo! Antropofagizemo-lo! Calemo-nos, de boca cheia, com a nudez do aborígene.
sopra-me ao ouvido um vento mau conta-me histórias que não quero lembrar e os rapazes não verão chegar o fim da estação desejo comê-los, aturdidos, no chão repartir a chuva que têm na mão possuí-los violentamente e sem autorização comê-los por todos os furos assomar um descuidado coração cobrir o tempo como um alazão égua no cio, passarinho com frio os rapazes fazem como o fogo e queimam-me o desejo...