quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tristeza


...

Teia

a ausência


























cheira
atrás das portas




































dentro
das 
gavetas












































e     nas     molas   do    varal...




PAR - PT

09.02.11



na câmara escura
da corcova do camelo
encontrei dedos
a mexer-me nas partes
escondidas
dedos escuros
que furam a pele
e abrem caminhos
nos pelos da púbis
gônadas rachavam
sob o peso dos dedos
encolhiam-se vítimas
de precógnito medo
dedos finos
a correr oleosos
nas dobras das peles
amêndoas silenciosas
em superfície glandular
dedos desconexos
dedos complexos
burilam as virilhas
no breu das cavernas
do bucho dos bichos
os dedos mastigam
engolem ruminam
o resto do sexo
que há em mim.


PAR - PT

Desfilosoficamente


tanto faz
matéria orgânica
ou poeira cósmica
gravitação universal
ou jogo das cadeiras
quando um ser amado
morre leva um pedaço
de nós com ele...

PAR - PT

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

do meu ódio ao tempo...



a vida é uma sequência absurda 
de acontecimentos ridículos e sofrimentos... uns atrás dos outros,uns tão maus como os outros, a vida é as lágrimas que deitamos pelos seres que amamos.

PAR - PT

08.02.11



caminhos sem fim no jardim
migalhas esmolas camélias
botões cortados flores perdidas
cápsulas espigas anémonas
os pássaros caem do céu
como folhas de papel
como pequenos recados
via aérea posta restante
cigarras grilos tulipas
caminhos molhados da chuva
pétalas esmagadas
talos pistilos jasmim
caminhos escuros do jardim
fantasmas de amor entre folhas
fantasmas de dor no orvalho
rosas-mosquetas bolotas de carvalho
caminhos sem início nem fim
nuvens que passam assim
campainhas gavinhas morangos
amores amoras dias amargos
abelhas pardais armadilhas
caminhos perdidos no chão!


PAR - PT

Fofo



vou ter saudades
eternas do meu Fofo
o melhor amigo
que se podia ter...
o único ser
que me deu
e de mim recebeu
um amor 
incondicional.

PAR - FOFO - PT
2001 - 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Tristeza

Tristeza
Tristeza
Tristeza
Tristeza
Tristeza


Vida

07.02.11



Electrocardiograma


fogo a crepitar
dedos que buscam
frestas, pregas e gretas
pele a verter delícias
incógnitas, pele
a cobrir músculos
a digerir saliva
ossos reduzidos a pó
moinho de um olhar
que me lambe, retinas
a esfregar-se na barba
nas dobras, sobras e fendas
setas implacáveis
a perfurar certezas
beleza obtusa a iluminar
um sono inexistente
desliza deliciosa nas pontas,
nos lados e lobos
moleza que desponta
desencontra ritmos
cardiorrespiratórios.


PAR - PT

domingo, 6 de fevereiro de 2011

06.02.11



Otorrinolaringologia


deste-me absurdos
que absorvi
abstraí as águas
que nunca bebi
sentei-me à tua beira
para observarmos
aves e voos
passavam asas
pousavam
dizias coisas de
engenharia astronáutica
e eu cozinhava ovos
comíamos
e tu insistias
em teoremas e fórmulas
pouco claras
e amarelas de tão
óbvias.


PAR - PT

sábado, 5 de fevereiro de 2011

05.02.11



Acróstico


Agora
Ninguém
Tem
Ideia
Daquele 
Espaço
Pendente de
Registo
Estranho e
Sem
Sabores
Inesperada
Violência
Obscura e 
Seca...


Incerta
Noção
Única
Temporada
Estival
Inverno
Solitário.


PAR - PT

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Assobio


tua sombra assombra meus sonhos
vento que uiva violento nas frestas
ensombradas das janelas amarelas

PAR - PT

04.02.11



trazia agapantos
no cabelo
e uma margarida
sobre a orelha esquerda
e era um ser lindo
de olhos transparentes
falou-me demoradamente
das delícias
reflectidas no branco
dos dentes
embalou-me na tarde
calma
e choveu sobre mim
de uma maneira
tão morena
que meus pelos
arrepiaram-se
ficou muito tempo 
a falar
como se fosse 
um rio
a correr-me
na pele.


PAR - PT

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Desassossego

e agora...
como saber de ti?
se teu nome não consta
em nenhum dos bestiários!


PAR - PT

frases quotidianas da invicta cidade do Porto...


..." cala-te 
que já não te posso sentir 
o cheiro"...

(de uma mulher dos seus 50 anos para um homem
que seria seu marido, em meio à multidão da rua
de Santa Catarina e em tom baixo às 14:45 h ...)

Horizonte Perdido


alguma coisa nele captava a atenção
apesar de não saber o que era
passou muito perto e sua barba
quase tocou o ombro e cheirava
a memórias conforme movia seu
destino em frente... observá-lo a
desaparecer no longínquo foi como
adormecer ao som do Bolero de Ravel.

PAR - PT

03.02.11



politicamente correcto
é mentir
e procurar palavras
direitas
para conceitos tortos
é tentar
agradar os susceptíveis
tirar a cor
a tudo
deixar o cinza
absorver
todos os termos
utilizados
até que quem ouve
desnecessite
esforçar-se em perceber
e perca o interesse
pelo discurso pasteurizado
o politicamente correcto
é igual às bebidas
sem açúcar
sem sabor e sem graça
é como a ausência
de som 
no bocejo
do sumo pontífice!!!


PAR - PT

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

frases quotidianas da invicta cidade do Porto...

..."Sou puta com a cona emprestada 
da tua mãe, aquela grande vaca"...


(de uma rapariga dos seus 17 anos para uma outra 
  não muito mais velha, em meio à multidão da rua
  de Santa Catarina e a plenos pulmões às 11:15 h ...)


...

Instantâneo


endireita-te e sorri
depois dá uns passos
para o lado
a ver se sais do foco
na minha fotografia...

PAR - PT

02.02.11



tenho andado
afrontado
de vazio
um tão absoluto 
vazio
que me preenche
os espaços
entre os poros
o vazio que 
escorre em minha
testa
e eu sou invadido
por este vazio
como se
caminhasse
nas nuvens
e semeasse
os raios
às vezes
afronto-me tanto
que é como
se tivesse
a tempestade
a morar-me
no estômago
como se em
meu âmago
os trovões 
ecoassem
nas cavernas
do coração
e apetece-me 
chorar o
Rio Amazonas
sinto como se
fosse parir
os Himalaias
pela boca
ando farto
de estar cheio
do vácuo indefinível
ando tão tanto
que sinto as
ondas de rádio a
perfurar-me a pele.


PAR - PT

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...