sábado, 16 de julho de 2016

Certezas Absolutas


Eu não
tu sim
não sei
eu sim 
tu não
talvez 
quem sabe
eu
tu
não
tu
eu
não
talvez eu
talvez tu
talvez quem sabe
eu não
eu não 
eu não
tu não
tu não
tu não
sim talvez
quem sabe
tu sim 
eu sim
sim sim sim
eu não
tu não
não não não
talvez talvez
quem sabe quem
eu não
tu sim
não sei
não sei
não sei
não sei
quem sabe...

PAR 2016

sábado, 2 de julho de 2016

Monumento



Se não me falha 
a memória...
já me esqueci de ti.
Dispensa argumentos
dispersa os factos
enfatizo a ideia
de que se bem
me lembro
esqueci-me de ti.
Salvo opinião em
contrário ou decisão
de revogação
até segunda ordem
pretendo sempre
lembrar-me de que
já me esqueci de ti.

07 PAR 2016

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Disfunção



Deitei minhas feridas
sobre a mesa
e pus e gangrena e dor
pus os pratos e os talheres
e cortes e torniquetes
estanquei o sangue
deitei pus pelas feridas
abri as cicatrizes ao ar
e me doí profundamente
cortei alguns pulsos
e ouvi bater à porta
ritmo certo 
harmonia perfeita
batida de samba
deitei-me sobre o sangue
jorrei pus e saliva
deixei-me digerir
por mim mesmo
até coagular-me.

PAR Junho 2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Vazio de Orlando



O que aconteceu em Orlando não foi um ataque
a nenhuma forma de pensar, nem a um qualquer 
comportamento que pudesse desagradar ao 
atacante criminoso, o que aconteceu, realmente
foi um ataque pessoal e directo à minha pessoa
enquanto humano e pensante, foi alguém a 
esconder-se em palavras vazias e fundamentos
ocos para realizar um crime de ódio, um ódio
que nada mais é que "ódio por si mesmo por 
não ser capaz de respeitar outro ser humano".
O que aconteceu em Orlando não foi um ataque
que mereça ser reclamado por qualquer grupo
terrorista, fundamentalista ou carnavalesco...
O que aconteceu em Orlando foi a epítome da 
falta de respeito e do vazio, o suprassumo da 
imbecilidade e da capacidade individual de fazer
mal a outro ser, humano ou não, semelhante ou
não. O que aconteceu em Orlando não encontra
palavras em qualquer língua para ser descrito!

PAR 2016

Turva Tarde



A tarde parda,
pombos, pardais.
A tarde perde-se
em gritos, perdões.
A tarde urde dramas.
Trama seus tiros
e pessoas morrem
aqui, na Bahia, na Flórida.
A tarde trava vontades,
limita desejos.
A tarde é uma puta do
caralho que a foda...
A tarde chove e move
nuvens no céu 
de areia.
A tarde prova 
do sangue de todos.
A tarde é sempre
tarde demais.

PAR 2016

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Dulcamara



Minha boca ataca teu corpo
corpo freme sob a língua
que verte saliva em teus poros
que lava tua pele e teus pelos.

Da varanda ao quarto
minha casa te sente
Habita nela o calor 
de (arti)manhãs, desvelos.

Desejo tua manhã, tua sanha, 
tua avidez tamanha
Que rocem em mim os teus pés, 
tua pele e teus cabelos.

Aflora em teu pau o sabor
de tudo que em lava se faz
lava de fogo meu corpo,
o queixo, as bolas... os tornozelos.

PAR + Rodrigo 19.01.16

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Epigrafia





minha poesia esparsa
respira imersa
a tua inocência esquecida

a saliva só leva consigo
algum do pó inalado e
deixa na língua saburra
de charro mal digerido

minha poesia porca
conspurca
a tua consciência parca

PAR'15

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Pronúncias

Pronúncias


Elagos tavade andaraca valo.
El agosta vadean daracava lo.
Elag ostav adea ndar acav alo.

E la gost av adeand aracavalo.
Ela gos tav ade and ara cav alo.
Elagost avadeandarac avalo.
Ela gostava de andar a cavalo...




PAR'15




Abertura Majestosa com Tremores de Terra e Tocata e Fuga em Ré menor de Bach ao Fundo.


Esporádica era uma jovem, belíssima, que vivia no reino de Incerteza. Assíduo era um príncipe, solitário, que vivia no reino, vizinho, de Pontualidade. Solidária, a mãe, extremosa, de Assíduo, andava preocupada com ele. O rapaz já estava em idade de casar, mas, por alguma razão estranha, ainda não o fizera. Aliás, até ao momento nem sequer uma namorada tivera.
Transitório, o pai, dadivoso, de Esporádica, tinha para com a filha, as mesmas preocupações. Certo dia, Esporádica levou Galdéria, sua cadela, para passear no bosque entre os dois reinos. Encontrou-se, surpreendentemente, face a face, com Assíduo. Que por sua vez, andava naquelas paragens a passear seu próprio cão. Um Pitbull, bem manso, que atendia pelo nome de Paneleiro.
Os jovens sentaram-se para fumar Haxixe e obcecadamente tentar conversar. Enquanto isso, Paneleiro e Galdéria abanavam os rabos pelo bosque a fora… Faladraram durante algum tempo e, de vez em quando, paravam para lamber uma parte qualquer do pelo ou dar umas coçadelas e muitas outras coisas que se pode esperar que aconteça entre príncipes e princesas.
PAR

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Quem Sai aos Seus





quantos filhos
de uma puta
alicerçam as
decepções e
as perdas,
os desenganos?
...
basta um,
meus amores,
basta um.




PAR'15

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Com Fissura






Eu exponho meu trabalho plástico
leio em voz alta meus poemas
exibo-me, explico-me, explicito-me
deixo-me ler por olhos alheios
e ouço comentários ao fundo
ouço partículas do que pensam de mim
construo castelos e labirintos
para me explicar as lacunas
do que me ficou nos tímpanos
ninguém sabe da missa um terço
mas todos querem saber o preço
do homem, do artista, do activista
daquilo que o artista nem sabe que faz
vejo cometas a galgar estrelas que montam astros
tudo se move à minha volta
e eu exponho meu trabalho poético
leio em voz alta meus desenhos
corto-me, transpiro-me, afogo-me
faço de mim o zero que ninguém pôs
à esquerda de todos os algarismos
engulo mais um ansiolítico
mais um anti-hipertensivo
e litros de água, que sou caranguejo e preciso
vou recliclando amores e destilando horrores
ódios, nojos, desejos, lampejos de lucidez
sinto mais do que penso e penso mais do que falo
não me calo, falo para caralho...
e dou gargalhadas lunares
procuro a simplicidade do diamante
na dureza da carne do amante
e transpiro, e inspiro e sou inspirado 
por uma Vaca de uma Musa que não existe
mas que insiste em por-me palavras
nas pontas dos dedos e tinta na ponta do nariz
não sei que farei quando vier a hora
não sei o que fiz antes de me ir embora
sei o que faço, sei quem abraço
sei que sou um ser inteiro a quem vai faltar
eternamente um pedaço.




PAR - PT
21.05.15

Zanzibar é Música e Amor...

https://soundcloud.com/zanzibarvocal

quinta-feira, 16 de abril de 2015

...




E então havia flores (tão selvagens) 

e tu vias a sombra do vento nas cortinas 

(tão selvagens)

e esquecias de tudo por alguns momentos 

(tão selvagens).


PAR - PT 16.04.15

quarta-feira, 15 de abril de 2015

um despoema




rimar coisas com sons
e assim definir versos
é como desfiar contas
sem segurar no terço
orar a um deus menor
chorar esse despudor
despir camisa e calças 
e atirar-se de cabeça
na pia de lavar louça 
e nadar entre bolhas
desfazer certas malhas
corrigir algumas falhas
contar os veios às folhas
rumar como caravela
a sotavento enfunada
redescobrir universos
é como embalar sonos
sem ter a mão no berço
implorar nenhum perdão
com lágrimas crocodilas
descalçar chapéu e luvas
e deitar-se na prancha
a caminho da execução
fundar âncoras em ilhas
a milhas e milhas daqui
com suas sonoras ondas
suas coisas que rimam
seus sons que de ecos
se perderam nas paredes
nas sombras projectadas
nas paredes de um mito.

PAR - PT

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Contagem




Tempo Livre, duas palavras tão armadas em importantes... 
Tempo, esse iníquo seguimento de eventos aleatórios a
que as pessoas atribuem todas as culpas, todas as curas, 
todos os deuses... 
Liberdade, essa inexequível metáfora de poder fazer,
de poder querer, de poder poder. Não tenho tempo livre, 
meu tempo está acorrentado à sua ausência e eu escrevo 
e leio sobre ele, escrevo no tempo o que quer que seja e 
isso não me faz mais livre, não o faz mais livre. 
Sinto-me então com a capacidade de escrever e de ler e
de ler o que escrevo e escrever sobre o que leio e ainda 
mais ou muito menos, sinto que o que o que leio cada vez 
diz menos daquilo que escrevo. 
Não sei do Tempo e não sou Livre e o tempo não é livre...

PAR - PT
13.04.15

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES”

FRAGMENTO: “O QUE NOS FAZEM AS DORES” As dores, essas que não passam, essas que se instalam como raízes de ferro, fazem-nos mais do que so...