quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Conto com Desconto



Quero ainda beijar tua boca provisória como me contasses histórias de tempos futuros de sais de rendas e saltos altos.
Busco ainda possuir-te pela metade desde que por inteiro reflectir-te como narcisista espelho mostrar-te tua carne rija salivar-te a seco toda.
Vou por teu nome na boca do sapo e costurá-la depois beijá-lo até fazer-se príncipe em desencanto.
Queria gritar nos teus ouvidos até ecoar teu sexo em vibratória inércia apaixonada.
Mas como qualquer elefante escondes-te nas frestas do assoalho fazendo-me molhar as cuecas.
Espermática longitude latitude menstrual oceanos licores íntimos mares.
Quis beijar-te a boca eterna molhada como me ouvisses histórias de um passado que não tive de lugares que não vi ou estive.
Queria não ter um filho teu que não nos conhecêssemos não ter te parido o sangue contra a cama a cama sob o hímen e o hímen sobre o eu o me o mim.
Vou querer beijar tua boca morta quando fores um feixe de rugas e pés de galinha como quando me contavas histórias de cabelos brancos sem dentes esquecendo os detalhes emudecendo.
Quando me contares as histórias que te contei.
O tapa e a cara nasceram um para o outro o encaixe é perfeito face e mão são gémeas siamesas seja no afecto ou na força venha por sexo ou pavor concavas e convexas encaixam-se perfeitamente desiguais.
É preciso que alguém tome coragem e vá à frente faça-se o abre alas empunhe a espada e grite.
Alguém que almeje melhor ou pelo menos esteja livre para fazer o que é preciso que possa reconhecer em seu trabalho a possibilidade do crescimento não permitindo que o dia seguinte seja a cópia do anteontem e daí por diante.
É preciso saber que quem sabe faz quem não sabe faz-se chefe.

PAR - PT

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