quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

O Sexo dos Anjos

Gostos (como as cores) não se discutem, muito menos os maus gostos, ainda menos os desgostos... Para quê discutir à volta do mundo, se estes ou aqueles têm mais ou menos razão, na defesa de seus pontos de vista? As razões, obviamente, serão sempre atribuídas àqueles que interessem como parceiros (sócio – económico – políticos). Há actos de terrorismo e actos piores, como gerar e parir uma criança. Trazer uma criança para este mundo, há de ser uma das melhores formas de confirmar as dogmáticas afirmações da Família, da Religião e do Estado. Ter um filho é como comprar artefactos bélicos de segunda mão, já que, como estes, além de não justificarem o dinheiro aplicado, nunca se sabe quando, nem como, vão explodir! Isso sem falar que o acto de parir é uma demonstração, óbvia, de ódio pelo resto da humanidade que, sem ter qualquer culpa, terá que aturar suas birras, gritos e falta de respeito, sem poder fazer ou dizer NADA, nem à criança nem aos pais, uns porque são auto-suficientes demais para dar atenção e outros por serem demasiado estúpidos para tomar atitudes. O vice-versa, aqui, é verdadeiro e indiscutível. Parir é, o mais violento, inesperado e destruidor, acto de terrorismo que se pode praticar!
Essas pequenas bombas-relógio que nos cercam, onde quer que estejamos, com suas brincadeiras (inocentes?!) são o resultado da má administração política e religiosa do mundo contemporâneo. São os mini cofres de todos os anseios, medos, cinismo e pecados de seus pais, avós, bisavós etc. Não se pede que não nasçam, pede-se que quem os fez nascer, tenha a decência e inteligência suficientes para educá-los, alimentá-los e fazer deles adultos que não queiram cometer o mesmo erro de seus pais, que é simplesmente ter tido filhos. Aqui está uma forma sensacional de convencê-los: quando seu filho chegar aos trinta anos, apresente-lhe uma factura detalhada, com dezanove por cento de IVA, com todos os gastos que teve com ele, desde a concepção até o dia de seu trigésimo aniversário. Tranquilize-o, dizendo que pode pagar em suaves prestações bonificadas, durante os trinta anos seguintes. Se depois disto, seus filhos ainda quiserem dar-lhe netos (essas coisas fofas!), interne-os ou deserde-os, ou, ainda melhor, dê-lhes um tiro nos focinhos, afinal o seu dinheiro foi muito mal empregado na criação de um estúpido renitente como ele. Peça-lhe a devolução, sumária, de todos os beijos de boa noite, desperdiçados, antes de matá-lo.

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