quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ernest Hemingway

Ernest Miller Hemingway 
21 de Julho de 1899 a 02 de Julho de 1961

(Feliz Aniversário)


(...) Deus meu, não supunha que ele fosse tão grande! 
Mas hei-de matá-lo. Em toda a sua magnificência e glória.
"Embora seja injusto, pensou. Mas hei-de mostrar-lhe 
do que um homem é capaz e o que pode aguentar".
- Eu disse ao rapaz que era um velho estranho. 
Agora, cumpre-me prová-lo. (…)
A tarde ia avançando, e o barco continuava a mover-se 
devagar e com firmeza. Mas havia um esforço a 
mais para o peixe, que era a brisa de leste, e o 
Velho cavalgava suavemente a breve ondulação, 
e a dor da corda nas costas vinha aceitável, suportável. (…)
"Verá ele muito a essa profundidade?” pensou o Velho. 
“ Os olhos dele são enormes, e um cavalo, 
com muito menos olho, é capaz de ver no escuro. 
Em tempos, era eu capaz de ver bem no escuro. 
Não na treva absoluta. Mas quase como um gato vê".
O sol e o movimento firme dos dedos haviam 
despertado agora por completo a mão esquerda; 
começou a transferir parte do esforço para ela, 
e contraiu os músculos das costas para mudar um 
pouco a dor da corda.
- Se não estás cansado, peixe - disse alto -, 
deves ser muito estranho. 
Sentia-se ele muito cansado, e sabia que a noite 
já não tardava, e procurou pensar noutras coisas. 
Pensou no campeonato - para ele as *Gran Ligas* -- 
e sabia que os Yankees de Nova York estavam 
a jogar com os Tigres de Detroit.
"É o segundo dia de que não sei o resultado dos *juegos*, 
pensou. Mas preciso de ter confiança e devo ser digno 
do grande DiMaggio que tudo faz perfeitamente, 
mesmo com a dor da espora de osso no calcanhar. 
O que será espora de osso? *Una espuela de hueso*. 
Nós não temos disso. 
Será tão doloroso como a espora de um galo 
de combate no calcanhar? Acho que eu não era 
capaz de suportar isso, ou a perda de um olho, 
ou dos dois olhos, e continuar a lutar como os galos de combate. 
O homem não vale muito ao pé dos grandes 
pássaros e animais. 
Mais me valia ser esse bicho na treva do mar".
- A menos que apareçam tubarões - disse alto. 
- Se os tubarões aparecem, Deus se compadeça dele e de mim.(...)

Excerto do livro o "Velho e o Mar" de Ernest Hemingway

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