segunda-feira, 4 de outubro de 2010

04.10.2010



...O Carnaval segue seu passo, assume o compasso, atravessa 
a avenida com suas fantasias e seus passistas e seus instrumentos 
de percussão. Moinhos de tantos Quixotes, espelhos de tantas 
Alices e girafas de tantos Dalis… Girafas que queimam na frente 
dos nossos olhos. Girafas foscas, girafas opacas, girafas e 
pescoços de garrafas. Girafas e fogueira. Girafas e Áfricas 
e bestas e monstros. Girafas e trapos e avestruzes e restos 
de pele.
A voz que temos foi o vento quem a deu, o vento que passou e levou 
consigo as flores, os olhares e as vozes das girafas. O vento carrega 
em si as vozes e os segredos que as girafas não querem contar e 
calaram em suas gargantas, com medo… depois de Salvador Dali 
ter posto fogo a algumas delas; desde então, as girafas têm medo 
de microfones e pintores surrealistas catalães. As girafas sabem 
coisas que não nos querem contar. As girafas engolem em seco 
quando lhes fazemos perguntas difíceis, trouxeram códigos indecifráveis 
de seu planeta original mas sua nave afundou-se no oceano e suas 
vozes foram levadas pelo vento...



















PAR - PT



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